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A Ciranda no FSM 2005 - Porto Alegre

quinta-feira 24 de março de 2005, por Ciranda - Document, Inmidia GT-FSM/WSF-WF,

V Ciranda Internacional da Informação Independente

Conceito

A Ciranda é a proposta de cobertura conjunta e compartilhada do Fórum Social Mundial, pelas midias alternativas que dele participam, que têem em comum a atuação pela resistência ao neoliberalismo, ao pensamento único, ao imperialismo e à cultura da guerra e que se sentem sintonizadas com a sua Carta de Princípios.

Essas mídias de diferentes formatos, tecnologias e linguagens, que expressam distintos idiomas e se inserem em culturas constróem a cobertura diferenciada do Fórum, distribuida segundo o princípio do copy-left. E se fortalecem na medida em que interagem de forma independente e solidária

Esse trabalho de cobertura realizado desde o I FSM é organizado coletivamente durante o processo de preparação do evento mundial, concretizado por meio de atividades conjuntas durante os dias do encontro, divulgado no site e reproduzido livremente pelas midias parceiras. O grande produto da Ciranda, porém, não é o site ou seu grande entrelaçado de links, mas sim a experiência compartilhada por essas midias e pessoas participantes.

Cada uma das construções possíveis, como as pautas conjuntas entre publicações e tipos diferentes de midia, a soma de recursos midiáticos, a montagem de equipes internacionais de edição em diferentes idiomas, os grupos que se organizam por temas, por tipo de midia, ou mesmo os estudantes que se organizam desde os seus laboratórios universitários para cobrir o FSM de forma interativa, são conexões que determinam o que a Ciranda é em cada edição.

Nesse sentido, a V Ciranda é tanto parte quanto produto das iniciativas compartilhadas que fizeram com ela o projeto de comunicação alternativa do V Fórum Social Mundial, em 2005, dentro do processo conduzido pelo Grupo de Trabalho de Comunicação do Comitê Organizador Brasileiro do Fórum Social Mundial.

Tem com cada uma delas: Fórum de Radios, Fórum de Tvs, Laboratório dos Conhecimentos Livres, e com os projetos coletivos e redes participantes, que deram razão de ser à Sala da Cobertura Compartilhada e à Sala de Pautas das Midias alternativas, um compromisso de construção solidária que extrapola o evento Fórum Social Mundial e alcança o processo Fórum Social Mundial.

A iniciativa Ciranda interage com o momento FSM como razão do seu trabalho coletivo e também como oportunidade articuladora: na sua cobertura compartilhada, as mídias alternativas experimentam conexões, parcerias e estratégias para cobrir o verdadeiro processo FSM, que se dá nos grandes momentos de lutas contra-hegemônicas.
Faz parte desse processo a construção de alternativas de comunicação para enfrentar os grandes meios corporativos. A Ciranda é um gesto coletivo de militância nessa construção.

As 5 edições

A história da Ciranda Internacional da Informação Independente se mistura com a história das midias alternativas no processo do Fórum Social Mundial. Surgiu com e durante o I FSM, em Porto Alegre, em 2001, com a proposta de contrapor à lógica da mercantilização da informação o conceito da cobertura compartilhada, baseada no princípio do copy left.
O que era uma experiência no primeiro ano, transformou-se na referência natural das mídias alternativas na segunda edição. Mais de 600 pessoas se inscreveram, entre jornalistas, estudantes e comunicadores de movimentos e organizações sociais, vindos de mídias de web, impressas, audio e vídeo, e dispostos a compartilhar, e 800 participantes no ano seguinte.

Todas as produções feitas por essas mídias no II e III FSM, em formato escrito, e em seis idiomas - cerca de quatrocentas matérias feitas em cada edição - foram publicadas em um mesmo site, www.ciranda.net, organizado e mantido pela equipe do Planeta Porto Alegre, responsável por criar as bases tecnológicas e editoriais para a realização da Ciranda a cada ano. Os conteúdos são livremente reproduzidos por websites, publicações, registros e documentos sobre os Fóruns.

Desde 2003, algumas iniciativas no Brasil ajudaram a viabilizar novas experiências de trabalho compartilhado para a realização da Ciranda. Uma delas foi a montagem prévia do projeto de cobertura por grupos brasileiros de imprensa alternativa, como Repórter Brasil, Comciência, Intervozes, Planeta Porto Alegre e listas Cirandada e Ciranda Brasil, e a realização de seminários sobre a arquitetura do evento a ser coberto, antecendendo a atividade de acolhida das mídias internacionais no III FSM.

Outra experiência foi a produção de boletins da Ciranda em radio e TV pela Rede Social Mundial e TV Social Mundial, com balanços do trabalho compartilhado e transmitidos diariamente na região de Porto Alegre. Experimentou-se também o intercambio com a Usina de Comunicação do Acampamento Intercontinental da Juventude, que assumiu de forma independente, por meio de senhas de edição da Ciranda a área editorial destinada aos temas do Acampamento, mantida em campo de destaque no site jornalístico da III edição.

Com a realização do IV FSM em Mumbai, no início de 2004, concretizou-se a primeira experiência de gestão conjunta dos preparativos para a Ciranda entre as equipes brasileira, da Ciranda, e indiana, da própria Comunicação do IV FSM, com apoio de parcerias latino-americanas e europeias, especialmente de comunicadoras feministas dos dois continentes participantes da iniciativa Lés Pénèlopes , que assumiu a co-edição da Ciranda em Mumbai.

A cobertura compartilhada, nessas quatro primeiras edições internacionais, representou um aceno das mídias alternativas entre si e ao universo do FSM, no sentido da sua própria valorização e fortalecimento. A produção de conteúdos não organizada pelo mercado mostrou-se claramente diferenciada, mais crítica em relação ao que é aceito pelo senso comum, mais abrangente nos breves registros do FSM, mais aprofundada na investigação dos temas escolhidos e mais comprometida com a construção de alternativas ao modelo imposto pela globalização neo-liberal.

Uma primeira experiência de cobertura compartilhada baseada no mesmo conceito, e com ênfase as redes de movimentos sociais, foi realizada no I Fórum Social das Américas, em Quito, através da Minga Informativa dos Movimentos Sociais, e o conceito também foi reproduzido com sucesso pelo Fórum Social Nordestino.

Atuando em conjunto, esse mosaico midias alternativas é capaz de promover um tipo de cobertura que escapa à lógica de qualquer grande corporação midiática, pelas ramificações e entrelaçados que produz em um universo altamente crítico e disposto a reproduzir e compartilhar igualmente o produto desse trabalho.

Utilizar, de forma mais consciente, ao mesmo tempo livre e articulada, esse imenso potencial é uma questão de aprendizado que está se dando no mundo do Fórum Social Mundial. É um processo das midias alternativas que ainda está voltado para a percepção de suas próprias experiências conjuntas e às possibilidade de utilizá-las nas grandes lutas contra-hegemônicas. Nunca essa percepção esteve tão aguçada quanto no V Fórum Social Mundial em Porto Alegre, com a realização da V Ciranda, do Fórum de Rádios, do Forum de Tvs e do Laboratório de Conhecimentos Livres


Pressupostos e parcerias da V Edição

A uma consulta inicial da Ciranda por email, em agosto de 2004, 250 jornalistas de midias alternativas e/ou comunicadores sociais da América Latina e Europa responderam fazendo inscrição previa para a V edição, a maior parte confirmando planos de ir ao V FSM no mes de janeiro seguinte, 65 solicitando participação à distância (direito de reprodução de conteúdos). Era a primeira sinalização de que a rede alternativa estava disposta a compartilhar novamente seu trabalho em Porto Alegre e, concretamente, o primeiro passo da Ciranda rumo ao V FSM, seguida de outras duas consultas a uma rede ampliada em novembro e dezembro, e finalmente da abertura das inscrições diretamente pelo site www.ciranda.net, em janeiro de 2005, iniciativas que somaram no conjunto mais de 500 inscrições, entre publicações e grupos inscritos e participantes individuais.
Mas desde o final de 2003, com a participação no I Fórum Social Brasileiro e Casa Macunaíma, em Belo Horizonte, com a presença no laboratório PolyMedia Lab realizado paralelamente à Conferência Mundial da Sociedade da Informação, na Suiça, experiência semelhante ao Laboratório Polimidia organizada dentro do evento Nossos Meios/Our Media no Brasil, e a construção conjunta da IV Ciranda com a Comunicação do IV Fórum Social Mundial, em Mumbai, novos pressupostos e parcerias começaram a se estabelecer para a montagem da quinta edição da Ciranda, no Brasil.

Com o movimento do software livre:

Um importante pressuposto era de que a V Ciranda deveria efetivamente concretizar laços entre o processo copy-left utilizado para troca de conteúdos por comunicadores, jornalistas e publicações desde a primeira edição, em 2001, e o movimento que originou esse conceito: o movimento do software livre.
Uma contribuição importante nesse período veio do intercâmbio com com desenvolvedores indianos, da Free Software Foundation e militantes da rede Hipatia de Conhecimentos Livres, com os quais se avançou no conceito de uma plataforma livre e interativa para a Ciranda. Outra contribuição veio do intercâmbio a comunidade brasileira Twiki Br, que acabou assumindo a responsabilidade pela construção e administração de um novo sistema de alimentação e gerenciamento dos conteúdos para a V Ciranda.

Com o Laboratório dos Conhecimentos Livres

Outro pressuposto é que a V Ciranda deveria apoiar não apenas o compartilhar de coberturas da imprensa alternativa como o compartilhar de experiências na própria construção e apropriação dos meios e ferramentas de comunicação. Isto levou a Ciranda e o Planeta Porto Alegre a atuarem concretamente para apoiar, dentro do Grupo de Trabalho de Comunicação do COB, a construção de um Laboratório dos Conhecimentos Livres como iniciativa ao mesmo tempo independente e auto-gerida dos grupos de arte e mídia e do Acampamento Intercontinental da Juventude, e ao mesmo tempo integrada ao projeto de comunicação alternativa do V FSM, como um dos quatro projetos de acolhida das mídias alternativas.

Com o Fórum de Radios

Ainda no início de 2004, logo após o IV FSM, iniciou-se uma parceria decisiva entre Radio Mundo Real e o portal Planeta Porto Alegre, voltada a construir uma cobertura compartilhada de radios alternativas articulada à construção da V Ciranda Internacional. Proposta de trabalho compartilhado foi desenvolvida também pelas redes AMARC da América Latina e Europa e ALER, através da Agência Pulsar. Nascia, desse processo, o projeto Fórum de Rádios, sob iniciativa e coordenação operacional da Radio Mundo Real, e participação da Rede Abraço, já integrante do GT de Comunicação com a proposta de organização da iniciativa Casa Macunaíma. A parceria com a Radio Mundo Real avançou na construção de atividades conjuntas e uso compartilhado de recursos e espaços entre Ciranda e Fórum de Radios durante o V FSM.
Mais tarde, e ja dentro do processo conduzido pelo Grupo de Trabalho de Comunicação do COB, uma iniciativa articulada pela Vive TV, na Venezuela, e apresentada pela Radio Mundo Real, introduzia a proposta de integração entre as coberturas compartilhadas Ciranda e Fórum de Radios e midias televisivas e audiovisuais da América Latina, através do projeto Ciranda TV e que acabou dando origem ao projeto Fórum de Tvs, em reunião realizada pelo GT de Comunicação em Porto Alegre.

Com a cobertura feminista

Durante todo esse processo, foi determinante para a construção da V Ciranda o pressuposto de que uma cobertura compartilhada do FSM deveria expressar o enorme envolvimento dos movimentos de mulheres e redes feministas e das mulheres que atuam nas organizações e movimentos sociais, tanto na construção do processo FSM quanto nas suas diferentes formas de comunicação. Esse pressuposto foi observado através do reconhecimento das redes feministas enquanto redes de comunicação feministas, e da sua participação na cobertura da V Ciranda, a exemplo da Articulação de Mulheres Brasileiras e da America Latina, Marcha Mundial das Mulheres, Isis Internacional, Lés Pénèlopes, entre outras organizações, publicações e comunicadoras que se engajaram na cobertura do V FSM.

Com os projetos de acolhida

A formulação das quatro propostas interligadas e independentes entre si levaram o GT de Comunicação do COB a elaborar, na reunião do CI em Porto Alegre, um projeto de comunicação com quatro possibilidades de acolhida das midias alternativas internacionais, com a organização de comitês gestores para os projetos Fórum de Radio e Fórum de Tvs, respeito à proposta de auto-gestão do Laboratório de Conhecimentos Livres e de gestão dos espaços e recursos da cobertura compartilhada pelas redes participantes da V Ciranda.

Participação no GT de Comunicação do COB

A participação da Ciranda no GT de Comunicação do COB têve início com a primeira experiência de reunião on line realizada com o sentido de ampliar a participação das midias alternativas e organizações do V FSM na construção de uma proposta de Comunicação para sua quinta edição.

As propostas gerais feitas ou apoiadas pela Ciranda nesse processo foram basicamente:

Garantir que a infra-estrutura construída pela organização do V FSM para o atendimento à imprensa fosse plenamente utilizada pelas midias alternativas, incluindo comunicadores dos movimentos sociais e estudantes.
Garantir que a relação do V FSM com as mídias alternativas se desse através de parcerias voltadas a fortalecê-las, menos no sentido de abastecê-las com serviços de comunicação e assessoria e mais no de garantir condiçoes logísticas para que elas próprias pudessem realizar e compartilhar o seu trabalho
Entender o trabalho das midias alternativas e organizações participantes do GT de Comunicação do COB como contribuição para um projeto de comunicação do processo FSM, em que o evento FSM é a oportunidade de articulação e experimentação e o processo FSM se dá pelas lutas contra-hegemônicas internacionais
Reconhecer como alternativa em construção no processo FSM a comunicação produzida por meio de atividades, recursos, tecnologias e conhecimentos livres e compartilhados

As propostas logísticas e de produção da V Ciranda em Porto Alegre foram:

Proposta de divulgação compartilhada:

Divulgação, pelo FSM, dos quatro projetos de acolhida organizados no processo conduzido pelo GT de Comunicação do Comitê Organizador Brasileiro, bem como a divulgação de seus sites, logotipos no site institucional do FSM
Divulgação, pelos sites e midias utilizadas pelos quatro projetos, dos demais projetos de acolhida das midias alternativas
Divulgação conjunta de inscrições e meios de participação nos quatro projetos, bem como campanha para reprodução de logotipos e links dos quatro projetos pela rede de sites e midias participantes de todo processo FSM.
Organização do site Ciranda como plataforma editorial com interface em seis idiomas, organizada por áreas temáticas, voltada à cobertura dos 11 temas do V FSM, com sistema de alimentação interativo, possibilidade de divulgação conjunta de textos, imagens, audio e vídeo, e links para as produções divulgadas nos sites compartilhados.

Proposta de Infraestrutura no FSM:

Disponibilização de uma sala com 30 computadores dentro da Usina do Gasômetro para pilotagem da cobertura compartilhada, recepção e edição dos materiais produzidos, e atividades de edição de audio do Fórum de Radios.
Disponilibização de uma sala de reuniões para discussão de pautas conjuntas e compartilhadas pelas midias alternativas
Participação dos vários projetos de cobertura compartilhada integrados à Ciranda na gestão desses espaços e recursos de uso coletivo
Utilização livre do centro de imprensa do Gasômetro pelas midias alternativas, comunicadores sociais, estudantes inscritos para a cobertura compartilhada e grupos participantes do Laboratório de Conhecimentos Livres
Apoio à reivindicação de infraestrutura para o funcionamento dos projetos Fórum de Radio, Fórum de Tvs e Laboratório dos Conhecimentos Livres, descritos nos demais projetos

Proposta de Atividades compartilhadas:

Realização de uma reunião conjunta de acolhida das midias alternativas pelos quatro projetos construidos durante o processo do GT
Realização de oficinas conjuntas com Forum de Radios para apresentação do sistema de inserção de conteúdos pelos participantes
Realização de reuniões de pauta conjuntas, diariamente, entre participantes interessados
Realização de pautas compartilhadas envolvendo as diferentes iniciativas.
Proposta de continuidade

Realização de um seminário dentro do Espaço temático da Comunicação do V FSM, com a participação dos quatro projetos e de representante do COB para debater a experiência conjunta e seus possíveis desdobramentos

Balanço da V Ciranda

Em que pese inexistência de um processo prévio de divulgação dos projetos de acolhida pelo FSM junto aos jornalistas que se inscreveram para o FSM, - o que todos os anos é feito com pelo menos um mês de antecedência - a participação destes na V Ciranda foi expressiva e indica que as propostas de atividades compartilhadas constituem um ambiente natural para as midias alternativas que participam do Fórum Social Mundial.
Pouco mais de 300 artigos foram inseridos , enviados ou reproduzidos na V Edição da Ciranda durante o V FSM, além de dezenas de coberturas fotográficas que acompanharam a divulgação das matérias, galerias de imagens e links para programas de audio e video produzidos pelas equipes participantes dos Fórum de Radio e Fórum de Tvs.
Cerca de 70 pessoas participaram das atividades de pilotagem, recepção e edição das coberturas compartilhadas participantes da V Ciranda, revesendo-se no uso de 20 computadores destinados à alimentação de web sites e outros seis assegurados para as atividades do Fórum de Rádios. O nome de 114 pessoas foi indicado pelos projetos compartilhados participantes da V Ciranda como pessoas envolvidas com as atividades internas da sala (para efeito de distribuição de kits do FSM), sem considerar as equipes do Fórum de Radio.
Estas pessoas representavam equipes bem maiores em atividade no FSM, e que utilizavam o Centro de Mídias para produção de artigos, a exemplo African Flamme - rede de publicações africanas que produzia um jornal impresso diário, utilizando para isto apenas dois computadores e quatro saídas de internet da sala da Ciranda, ou das redes feministas que fizeram uso de dois computadores e basicamente participaram da Ciranda enviando materiais por email. Ou do projeto Viração, que ftambém fez uso de apenas dois computadores para uma equipe de dezenas de jovens jornalistas, ou da Minga Informativa, que utilizou outros dois para o trabalho de trinta comunicadores participantes da iniciativa. Ou da cobertura organizada pelo Jornal Brasil de Fato, que utilizou apenas um computador. Ou de alguns laboratórios e grupos universitários de jornalismo, a exemplo de uma equipe formada por estudantes de mídias digitais da PUC de Porto Alegre, que basicamente participaram da Ciranda por meio do controle de senhas de edição à distância e de participação dos grupos em oficinas e reuniões de pauta.
A experiência de organizar a Ciranda por meio da soma de projetos de cobertura compartilhada e sua participação na construção dos diferentes projetos de acolhida das midias alternativas foi um diferencial importante da sua quinta edição, caracterizando a Ciranda como plataforma da cobertura compartilhada além da condição história de projeto editorial coletivo.
Até o início da cobertura do V FSM, participaram do processo de organização da V Ciranda ou se envolveram com gestão e uso da Sala os seguintes projetos de cobertura compartilhada.
Planeta Porto Alegre - coordenação da iniciativa/ African Flamme - rede de cobertura compartilhada da África / Digital Future - projeto de cobertura compartilhada por jornalistas da Europa/Leste Europeu e América Latina organizado pela publicação Lês Penélopes / Revista Viração - Projeto de Cobertura Jovem / Comédia - Sindicato das mídias da Suíça - rede de apoio / Rede MMM Marcha Mundial das Mulheres/ SOF - Comunicação feminista no V FSM / Rede AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras - Comunicação feminista no V FSM/ Catarse - cooperativa de comunicação de Porto Alegre participante do GT de Comunicação / Carta - Publicação italiana participante das várias edições da Ciranda / Jornal Terra Viva/IPS - projeto de cobertura diária do V FSM participante das várias edições da Ciranda/ Radio Mundo Real - coordenação operacional da iniciativa Fórum de Radio e de propostas de atvidades conjuntas com a Ciranda/ Agência Pulsar - Projeto de cobertura compartilhada das redes AMARC, ALER, redes de radio da África e Itália/ Vive TV - responsavel pelo projeto Ciranda TV, integrado ao Fórum de TV/ Solidarity Netword - rede de tradutores voluntários/ Comunidade Twiki Br - rede brasileira responsável pelo desenvolvimento do sistema de alimentação da Ciranda e pelas oficinas sobre publicação de conteúdos/ Rits - hospedeira do site da Ciranda, do Planeta Porto Alegre e do Fórum Social Mundial. Obs: Nem todas estas publicações e redes fizeram uso da Sala Compartilhada, estabelecendo outras formas de intercâmbio.
Ver no final a lista de publicações e redes que participaram formalmente da V edição da Ciranda.

Atividades conjuntas

As principais atividades presenciais de acolhida das midias alternativas e reuniões de pauta foram realizadas em conjunto com a iniciativa Fórum de Radios, embora boa parte da agenda tenha sido prejudicada pelo próprio imperativo de cobrir o Fórum Social Mundial, falta de divulgação das oficinas junto aos jornalistas inscritos para o FSM, e de resolver dificuldades de cada projeto na organização das coberturas e uso compartilhado de recursos. Desencontro de agendas e distancia geográfica também dificultaram trabalhos e pautas conjuntas com as equipes participantes do Fórum de Tvs, naturalmente mobilizadas para a produção diária do programa Panorama.
Mesmo assim, algumas experiências de “pautas compartilhadas”(em texto, foto, audio e vídeo produzidos por veículos diferentes e compartilhados entre si), foram possíveis no V FSM, a exemplo da entrevista de estúdio com Sérgio Amadeu e da experiência de campo por ocasião da visita do Presidente da Venezuela, Hugo Chaves. Ambas estão disponibilizadas no site da V Ciranda, com links para as produções de audio e vídeo.
A integração entre os projetos V Ciranda e Fórum de radios têve também versão eletrônica por meio de sistemas de acompanhamento automático das atualizações do site da V Ciranda pelo site Fórum de Radios, e vice-versa.

Avaliação compartilhada e desdobramentos

Os projetos compartilhados também participaram do programa do V FSM com atividade conjunta inserida no Espaço Temático da Comunicação, na forma de reunião intitulada “Comunicação compartilhada - a experiência em construção no V FSM” , parte de um seminário promovido em conjunto pela V Ciranda, Portal Planeta Porto Alegre e Fundação Rosa Luxemburgo. Representantes dosprojetos de acolhida das midias alternativas e a representante do GT junto ao COB, Salete Valesan Camba, participaram como debateres.

A escolha do tema foi motivada pela preocupação crescente no universo do Fórum Social Mundial com a construção de um projeto comunicação capaz de promover a interlocução entre evento e processo FSM, entre estes e seus públicos interno e externo, e de seus participantes entre si. Mais do que viabilizar mecanismos e práticas de divulgação existentes, o desafio para o FSM está em construir, identificar e promover uma lógica de comunicação condizente com a própria lógica transformadora do processo FSM e, portanto, alternativa ao modelo midiático consagrado pelo mercado.

Um projeto de comunicação nascido do FSM não cumprirá o papel de difundi-lo se não trouxer, em si, o embrião de uma comunicação contra-hegemônica, que articule e exercite no evento FSM aquilo que se propoe a fazer na resistência ao neoliberalismo, ou seja, no processo FSM.

A construção das iniciativas V Ciranda, Fórum de Radio e Forum de TV e Laboratório dos Conhecimentos Livres, contribuiu diretamente para aprofundar este debate durante o ano de 2004, identificar e fortalecer as características de uma comunicação alternativa que já vem sendo construída no processo FSM e concretizar a experiência que marcou a quinta edição do evento mundial.

O processo conduzido pelo GT de Comunicação do COB identificou dois elementos chave nas práticas de comunicação alternativas que acompanham o processo FSM desde a primeira edição: a disponibilidade das mídias alternativas de compartilhar informações e recursos como contraponto crítico à mercantilização desses itens; a visão do FSM como referência estratégica para experiências compartilhadas de alcance internacional.

Como desdobramentos, os participantes apontaram a necessidade de:

buscar consolidar a experiência compartilhada realizada pelos quatro projetos de acolhida em Porto Alegre como proposta para acompanhamento das grandes agendas sociais e lutas contra-hegemônicas que constituem o processo Fórum Social Mundial
buscar consolidar a experiência compartilhada realizada pelos quatro projetos de acolhida em Porto Alegre como proposta para acompanhamento simultâneo e compartilhado dos eventos descentralizados que constituirão o VI Fórum Social Mundial
submeter a proposta e avaliação ao Comitê Organizador Brasileiros, no sentido de apresentá-la como contribuição ao processo conduzidos pela Comissão de Comunicação do Conselho Internacional do FSM
de submeter a proposta e avaliação ao Conselho Internacional do FSM, no sentido de buscar apoio para iniciativas voltadas a debater, difundir e ampliar o alcance dos quatro projetos
programar a realização, mediante estes apoios, de um I Seminário Internacional da Comunicação Compartilhada dedicado a construir a cobertura compartilhada das agendas internacionais de 2005 e 2006
buscar, com este projeto, apoio financeiro capaz de viabilizá-lo ainda em 2005

O resultado da atividade foi transformado em contribuição para o Mural de Propostas do V FSM, a ser divulgado pelo site oficial do FSM e pelo projeto Mémória Viva.

Qualquer contribuição dos demais projetos ao histórico e avaliação da V Ciranda Internacional da Informação Independente é bem vinda.

Abraços da equipe do Portal Planeta Porto Alegre

Anexo:

Publicações e redes participantes ou indicadas nas inscrições de partcipantes da V Ciranda

Planeta Porto Alegre - coordenação da iniciativa Ciranda
African Flamme - rede de cobertura compartilhada da África (Zambia, Senegal)
ALAI/Minga - Projeto de cobertura compartilhada iniciado no Fórum Social da Equador
Vive TV - responsavel pelo projeto de cobertura Ciranda TV, integrado ao Fórum de TV
Catarse - cooperativa de comunicação de Porto Alegre
Cris Brasil e Internacional/Rets
Jornal Terra Viva/ IPS
Carta, Itália
Lês Penélopes - Digital Future - projeto de cobertura compartilhada por jornalistas da Europa/Leste Europeu e América Latina
Rede MMM Marcha Mundial das Mulheres/ SOF - Comunicação feminista no V FSM
Rede AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras - Comunicação feminista no V FSM
Revista Viração - Projeto de Cobertura Jovem
Comédia - Sindicato das mídias da Suíça - rede de apoio
Radio Mundo Real - coordenação operacional da iniciativa Fórum de Radio / fará oficinas/pautas conjuntas com a Ciranda
Agência Pulsar - Projeto de cobertura compartilhada das redes AMARC, ALER, redes de radio da África e Itália/fará reuniões de pauta conjunta

Solidarity Netword - rede de tradutores voluntários

Comunidade Twiki Br - rede brasileira responsável pelo desenvolvimento do Twiki site da Ciranda e pelas oficinas sobre publicação de conteúdos.

Casa Macunaíma

Instituto Paulo Freire

Ibase

Jornal Brasil de Fato

Panos de Africa

Agencia Simbani (Africa/Pulsar).
Amisnet.org (Italia/Pulsar).
Our media/Nostros Meios
Isiswomen
Abong
Polemika e Plural Filmes
Boletim ABDL
Consciencia.net
Jornal Fala Brasil!
Sarcastico
Observatório da Educação - Ação Educativa (website)
Jornal Brasil de Fato
Jornal Laboratório Fato & Versão (Curso de Jornalismo da Unisul - SC)
Jornal da Cidadania
Boletim do Sindicato dos Petroleiros do RS
National Radio Project/Making Contact and Free Speech Radio News
Revista eletrônica Comciencia
Porantim, publicação que trata da questão indígena
Coletivo Media Sana
US Community Radio/AMarc
Contraponto - RJ
Projeto Rede Jovem de Cidadania
Rádio Universidade FM, de Londrina / PR
Global Action Project, "youth media"
Red de radios y telecentros comunitarios Wayra de La Paz, Bolivia.
Fundación Apachita, Bolívia
Rádio Livre - Butantã - SP
Sete Pontos
WORT-FM Madison, WI, and IMC-Madison, WI USA
Revista digital "Saráo - Memória e Vida Cultural de Campinas
Revista Fórum
Jornal da Confederação Nacional dos Químicos,
Jornal dos Papeleiros da CUT
Bafafa
Adista
Beminformado.com
Revista Mercado Negro
Portal de Informação Socioambientais Rios Vivos
Liberazione
Qual?
Sindicato dos Trabalhadores em Atividades de Pesquisa em Ciência e
Tecnologia do Estado de São Paulo, SinTPq.
jornal "Questão"
Jornal Sem Terra
Alandar (España)
Pacific News Service
Projeto Cala-boca já morreu
Sozialistische Zeitung (Socialist Paper/Monthly) / Alemanha
Zine Político e cultural BICHIGA TABOCA
Flash - jornal da UCG
Curso de Jornalismo do Centro Universitário Feevale, de Novo Hamburgo, e Laborat. de Rádio da Feevale
Le Monde diplomatique Colombia
Festival de cine de Derechos Humanos de Argentina
EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais
Inforum Patagonia y el medio Séptimo Mandamiento
Diálogo Jovem
Yes Magazine
Petitdecatre.blogspot
Raices Radio Comunitaria, Uruguay
Espacio Virtual Foro Social Argentino
Carrefour mondial de l’Internet citoyen
Projeto Software Livre Brasil
Fazendo Media
CRIA - Centro de Referência Integral de Adolescentes
MICC - Movimento Integração Campo-Cidade
Organization Uneted People- Dinamarca
Agência Mandalla DHSA
CO-FMESP Socializando a informação
Solto Cultura Radical
Fundação Abrinq * Organization URL: http://www.fundabrinq.org.br
GTNA - Grupo de Assessoria em Agroecologia na Amazônia
Caminhos - Desenvolvimento e Sustentabilidade
Cyberfam
Jornal Cenário Escolar
Revista Saráo
Enecos
Diretriz,Jornal Laboratório da Universidade Mackenzie
Aver
Correio da Cidadania
Jornal Correio do sul
Radiobrás
AgenciaVirajovem
Amorales.pop
Surf reporter
Instituto Observatório Social
Informativo DRT/RS
Fato&Versão
Sineta/Impressa/CPERS Sindicato
Unión de Mujeres Panameñas(UNAMUP) y Observatorio y Monitoreo -IDEN
Oeil de Lynx, France
projet Genève, Swtzerland
Elo Virtual/internet/AFS Intercultura Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens
Diario RosarioNet
Cooper Point Journal
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Milenia radio, Perú
Agência Coomunica
Revista Trilha
Sustainable Resource Foundation (SuRF), Pakistan
FUNDAÇÃO MOVIMENTO DIREITO E CIDADANIA
Ficas
Barracão para mamulengo
Periodismo social
TV FURG
Sintrajufe
Repórter Brasil
Attac Filandia -
Jornal de Estudos FACOM-UFJF
Comitê Estadual Fórum Social Alagoano
Revista Novae Digital
Catarse - Coletivo de Comunicação
APCNews/APCNoticias
Aliança Social Continental
Instituto de Estudos Socioeconômicos - Inesc
Jornal do Centro
Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
Foro Social de la Triple Frontera
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Bertholdo Weber (Cedeca/Proame)
Taz, die tageszeitung
Rede Jovem no Forum
TVSet
Coletivo Intervozes
Welfarecremona, Italia
Revista Fórum
Alter Mundo
Sindieletro
Autoeducacion, Peru
Site portal Setor 3
Movimento Humanista
ANSindical
Centro Social Padre Cícero Romão Batista
14bis, France
Ul.Waszyngtona 16 m 8
Forumekonomiczne.evot
TerritorioDigital.com, Argentina
Radio Livre Alternativa do CAASO
Alia - Agencia Latina de Información Alternativa
Pasa la Voz
America Latina en Movimiento - Alainet
Rets,
Resistir, Portugal, Info
Habitants, Italy

Destes, 287 inscritos estão relacionados aos sites mencionados acima e 230 se inscreveram individualmente (sem indicação de publicação ou organização)
Efetivamente, 150 pessoas produziram 220 textos para a V Ciranda Internacional da Informação Independente. Outros 80 textos foram remetidos/reproduzidos de projetos de cobertura compartilhados participantes.
Participações feitas exclusivamente por email durante os dias do V FSM não puderam ser relacionadas na lista de inscrições.