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A resistência democrática não dá trégua aos golpistas

segunda-feira 11 de julho de 2016, por Jeferson Miola,

A resistência democrática sai pelos poros; está se entranhando na vida das pessoas. É, por isso, mais potente, mais intensa, mais profunda e mais contundente.

Mudou a qualidade da resistência democrática. Nas últimas semanas, diminuiu a freqüência das manifestações de massas contra o golpe no Brasil. Elas passaram a acontecer em intervalos maiores de tempo e, muitas vezes, aglutinando segmentos específicos da sociedade.

Essa realidade, entretanto, ao contrário do que avaliam alguns, de maneira alguma significa o arrefecimento ou o declínio da luta contra o golpe e em defesa da democracia.

A resistência democrática não se manifesta somente em eventos multitudinários. Já está incorporada à cotidianidade e à rotina militante não só das novas vanguardas, das novas lideranças e dos novos coletivos que emergiram neste processo – está presente, também, no senso comum.

A resistência democrática sai pelos poros; está se entranhando na vida das pessoas. É, por isso, mais potente, mais intensa, mais profunda e mais contundente. A denúncia do golpe é implacável; mobiliza a consciência democrática nacional e consegue sensibilizar o mundo civilizado.

Esse é o fator inesperado que surpreendeu o planejamento golpista. Os golpistas se iludiram com a crença de que no golpe de 2016 a Globo conseguiria entorpecer as consciências como no golpe de 1964. Equivocaram-se ao menosprezar a força desta insurgência que reage com radicalidade à ruptura da Constituição e da democracia.

A crítica política está disseminada nas redes sociais, nas ruas, nos lares, nas fábricas, nas escolas, nas universidades, nas repartições públicas, nas esquinas, nos bares, nos aeroportos, nas praias, nos poemas; enfim, no cotidiano.

A denúncia do golpe e dos golpistas é onipresente: aparece no protesto de cineastas em Cannes, está no humor ácido nas redes sociais, no escracho, no constrangimento, na exposição ao ridículo, no xingamento, na ocupação de escolas, na música, nas artes, na proclamação de liberdades, no boicote de governos estrangeiros ao governo usurpador, na entrevista desastrosa de FHC à TV Al Jazeera etc.

A vitalidade democrática corrói a legitimidade e a aceitação do governo usurpador mas, sobretudo, torna hegemônica a narrativa histórica sobre o caráter golpista do impeachment fraudulento da Presidente Dilma: nos próximos 100, 200 anos, a história reportará os acontecimentos de 2016 como de fato são: um golpe da plutocracia contra os pobres.

A vida não está nada fácil para os golpistas. Até mesmo aqueles financiados pela FIESP para comparecer na Avenida Paulista hoje estão escondidos, envergonhados com a corrupção estrutural da turba golpista.

Há uma politização intensa do debate público, e esse fenômeno os golpistas não conseguem conter. O golpe liberou uma impressionante energia rebelde, que se radicaliza e se espraia. Ninguém conseguirá deter essa insurgência libertária; nem a repressão brutal conseguirá derrotar, dominar ou enquadrar esta rebeldia.

O governo usurpador enfrenta dificuldades crescentes para impor a agenda que faz o Brasil regredir ao século 18; ao tempo da escravidão, da oligarquia e do obscurantismo.

Com a impossibilidade de abafarem a Lava Jato, e com o agravamento dos efeitos do caos econômico que eles próprios provocaram para desestabilizar e derrubar Dilma, a imagem do governo usurpador e do golpe é cada vez mais associada à corrupção, ao desemprego, à supressão dos direitos e das conquistas populares e à entrega do país aos bancos e aos governos estrangeiros.
A resistência democrática aprofunda a deslegitimação do governo usurpador, que já está irremediavelmente condenado perante a História