Página inicial > FSM > Apropriação tecnológica em debate no III Fórum de Mídia Livre

Apropriação tecnológica em debate no III Fórum de Mídia Livre

sábado 28 de janeiro de 2012, por Rachel Bragatto, Rachel Bragatto

Todas as versões desta matéria: [Español] [Português do Brasil]

Imagem: Stella Oliveira

Como utilizar o potencial tecnológico para a criação de novas linguagens, disseminação de conteúdo e articulação de ações militantes? Essa foi a questão guia da quarta mesa de debates do III Fórum de Mídia Livre que aconteceu nessa sexta-feira (27), na Casa Mario Quintana, em Porto Alegre. Parte das atividades do Fórum Social Temático, o debate contou com os desconferencistas Vitor Guerra, do Fora do Eixo, Thiago Skarnio, do Pontão de Cultura Digital Ganesha, José Sóter, representante da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias e Javier Torret, articulador do movimento M-15 da Espanha.

A partir da experiência espanhola durante a ocupação das praças, Toret pontuou a necessidade de aproveitar a potência da internet para levar as pessoas as ruas, apropriando-se das tecnologias para construir um plano efetivo de ação. Conforme ele, foram utilizados todos os canais de comunicação disponíveis de modo que o movimento resultasse em uma composição diversa, com gente da universidade, movimentos, sindicatos e aqueles que não estavam engajados em nenhuma organização. “É um movimento apartidário e asindical (sic) – ainda que não se oponha aos partidos e sindicatos. Um espaço de autonomia em que as entidades e organizações ficam por trás das questões comuns”, reiterou.

O exemplo da Marcha da Liberdade no Brasil foi outro que apareceu durante a discussão. O processo iniciou-se por conta da repressão policial à Marcha da Maconha em São Paulo. A partir da indignação com a violência e censura ao movimento, foi convocada pela internet uma marcha a acontecer simultaneamente em diversas cidades e que trouxesse como principal bandeira a defesa da liberdade de expressão, conectando, assim, muitas pautas. Para Guerra, do Coletivo Fora do Eixo, esse seria outro bom exemplo de como utilizar o online para ganhar corpo e tomar as ruas. “O resultado foi bastante diverso. Em Cuiabá, a Marcha deu destaque à luta pela moradia. Em São Paulo, esteve mais relacionada com a questão da maconha. O processo propiciou a conexão do online com o offline. A cobertura foi acessada por 90 mil IPs diferentes”, afirmou.

Durante as discussões, a preocupação com a articulação entre o uso das novas tecnologias e as velhas mídias também apareceu, sendo que a concentração existente hoje na radiodifusão tenderia a se repetir na audiência dos portais no ciberespaço. Da mesma forma, questões relativas ao acesso à banda larga assim como a mecanismos de produção foram citadas. Sóter destacou ainda a importância da formação e capacitação para o uso das tecnologias, de modo que o exercício do direito à comunicação seja garantido a setores amplos da sociedade brasileira.

Além da apropriação tecnológica, a inovação por meio de softwares livres foi debatida como uma questão central. “Embora existam muitas tecnologias livres para a produção, faltam plataformas de integração que permitam, por exemplo, criar um banco da cultura digital” afirmou Lucas Alberto, da Associação de Software Livre. Para ele, definir prioridades conjuntas e realizar a integração seria prioridade.

O Fórum deMídia Livre segue nesse sábado (28), na Casa Mario Quintana, em Porto Alegre. Em debate, as políticas públicas de comunicação e a realização do II Fórum Mundial de Mídia Livre que acontece no Rio de Janeiro em junho, durante a Cúpula dos Povos, atividade transversal à Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20. Além disso, pela tarde, ocorre a plenária final do evento, que deve encaminhar um documento com a sistematização dos debates.