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Boaventura Santos traça perfil da hegemonia

quinta-feira 28 de janeiro de 2010, por Sucena Shkrada Resk,

O doutor em Sociologia, o português Boaventura de Sousa Santos, traçou hoje os caminhos da hegemonia, em uma exposição ovacionada, durante o painel Como Construir Hegemonia Política, que integra o Seminário Dez Anos Depois: Desafios e Propostas Para um Outro Mundo Possível, durante o Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre. O intelectual trouxe, no bojo de seu discurso, o respeito aos povos tradicionais. E finalizou sua apresentação, com a seguinte provocação - "Nós queremos criar rebeldes competentes, e não ser conhecidos como somentes inconformistas".

Segundo Santos, hegemonia é um consenso, pelo o qual, pode se juntar grupos sociais distintos para compartilhar determinadas ideias. "Estamos agora na corrente contrária e o neoliberalismo não foi derrotado. Está mais difícil de se estabelecer os consensos, de que falava Gramsci (pensador italiano referência do pensamento de Esquerda).

O intelectual, que é professor professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, contesta as bases do pensamento neoliberal. "O movimento capitalista é insustentável. Pertencemos à pequena porcentagem do mundo que se beneficia dessa injustiça. Estamos todos envolvidos nessa injustiça e na insustentabilidade ambiental, que vai afetar tanto Bangladesh como a Holanda", afirma.

Em sua avaliação, ao final de 10 anos, o FSM tem de mudar o ciclo. "É necessário que se criem sujeitos de direitos humanos (DH). Alterar o que fundamentalmente são os dh hoje. Com isso, o FSM tem de ser apropriado pelas classes populares", defende.

Até hoje, segundo ele, na América Latina, há a criminalização dos movimentos sociais e um controle repressivo e autoritário. "A democracia deve ser entendida como estratégia revolucionária, com uma prática cotidiana", considera.

Neste momento, ele anunciou que denunciaria ao Ministério Público (MP), o desmantelamento das escolas do Movimento Sem-Terra (MST), e que pediria o arquivamento as ações civis públicas contra o movimento. O que fez pouco tempo depois, retornando posteriormente ao evento.

Santos defende que a compreensão do mundo é muito mais ampla que a concepção ocidental do mundo. "Temos ideias novas de pensamento ocidental em outros continentes. Os povos indígenas falam de dignidade e respeito e, não do socialismo. Isso significa que podemos ter diferentes linguagens do Socialismo. E a hegemonia deve juntar todas essas ideias", afirma.

A conjuntura do FSM, em sua opinião, tem de assumir o papel protagônico, em que figurem menos diferenças de propósitos entre os movimentos. "O sentimento de urgência é prioritário para nós, é de mudança civilizacional".

"Nesta década, lançamos a ideia de que cada movimento isolado não consegue atingir agenda. Temos de consolidar esta ação. O FSM deve ser espaço de espaços, para que em outros lugares do mundo leve o selo do fórum. É o fórum social em movimento".

Em sua exposição, o doutor em Sociologia também se aprofundou na metalinguagem, com frases, como - "Ao lado de cada esperança há um caixão". Referiu-se ao que chama de necessidade de desmercantilização. "É preciso tirar do capital, os bens públicos, a soberania alimentar.... O economista e sociólogo defende a economia solidária e a luta contra o colonialismo dos quilombolas e dos povos indígenas. "Descolonizar é vencer os preconceitos raciais e sexistas", considera.

Boaventura de Sousa Santos ainda critica o prêmio nobel da Paz. "Temos de denunciar o comitê do Nobel da Paz, que se tornou um comitê de guerra. Não dá para dizer que não temos a ver com isso", diz.
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Fonte: Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk - www.twitter.com/SucenaSResk


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