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Comunicação Compartilhada não existe sem nova cultura

segunda-feira 25 de janeiro de 2010, por Rita Freire,

Cerca de 30 representantes de coletivos e iniciativas de mídia estiveram participando na tarde de domingo da primeira roda de comunicação compartilhada promovida no processo FSM 2010. As questões propostas foram de avaliação de experiências envolvendo coberturas de rádio, video, fotos e jornalismo escrito, e também de perspectivas e propostas para o futuro.

Mudanças tecnológicas ao longo da década estimularam o surgimento de novas práticas e o acesso a ferramentas colaborativas. Mas até que pondo esse potencial comunicativo é empregado para fazer frente ao recrudescimento do controle hegemônico sobre os meios de comunicação? Apesar do surgimento de uma cultura digital, de mais facil apropriação, em que medida o uso que é feito dela consegue deixar de reproduzir o tipo de enfoque e linguagem da grande mídia corporativa?

Uma das questões de fundo para as redes de comunicação compartilhada é a necessidade de fazer do FSM um espaço de debate profundo da comunicação com todos os movimentos e redes com agendas específicas de transformação social. Na opinião geral, o FSM ainda deixa a comunicação para os/as comunicadores/as e perde a perspectiva de que se trata de um elemento determinante para aproximar ou afastar o imaginário coletivo de utopias libertadoras.

Esse debate não será feito, do ponto de vista de participantes da Roda, sem entender que comunicação e cultura são as duas dimensões de todas as relaçoes e ações humanas, porém completamente marginalizadas. Para 2010, o conceito utilizado pelas redes no FSM deve se expandir para o de comunicação e cultura compartilhada, o que deve se transformar em proposta de mudanças inclusive para os grupos de trabalho do Conselho Internacional do FSM, que devem, no entender da Roda, incorporar as duas dimensões.


Novas construções

Prosseguir com as coberturas coletivas e compartilhadas no universo do FSM e também de forma permanente entre os eventos foi orientação defendida por participantes por significar as práticas de outra comunicação possĩvel, portanto com importância política maior do que de serviço de divulgação do FSM.

As perpectivas de organização da rede também foram debatidas, com diversas constribuições para a enfatizar as demandas por infraestrutura, formação em conceitos, práticas, tecnologias e em cultura digital, alternativas de sustentabilidade das mídias, radios e tvs comunitárias.

São demandas e práticas que precisarão de trocas constantes entre participantes, o que levou a defesa de esforços coletivos pela construção de uma Rede Mundial de Comunicação e Cultura Compartilhada e a vontade de que a proposta seja debatida nos próximos eventos do FSM 2010, pelos grupos locais de gestão da cobertura pelas mídias alternativas.

A potencialização de iniciativas já existentes, como o Fórum de Mídia Livre no Brasil, foi sugerida com a ressalva de que, para uma Rede como a proposta na Roda, essas iniciativas deveriam incorporar uma perspectiva internacional.

Outra preopucação dos debatedores é a de não reproduzir, na conformação dessa rede, a mesma geografia dos grandes meios de comunicação, que informam a partir da ótica dos grandes centros ou do interesse do poder econômico que privilegiam esses lugares e populações. Exemplos como a região amazônica, a Palestina, o Haiti, por diferentes motivos prejudicados na capacidade de transmitir as vozes de seus povos, foram lembrados.

Dentro da proposta de FSM Expandido, houve participação remota de Jamal Juma, liderança de Stop the Wall que deveria estar presente para os debates de Porto Alegre mas que foi preso em dezembro pelas autoridades israelenses e liberdado quase um mês depois.

Mudar as leis

A defesa de mudanças nos arcabouços legais poderão ser parte da ação de uma Rede Comunicação e Cultura compartilhada nos países onde puder contribuir, e como exemplo foram lembradas as propostas contempladas pela 1 Conferencia Nacional de Comunicação no Brasil.

Uma conquista que resultou da construção feita no FSM foi a aprovação, na Confecom, de proposta para que a comunicação compartilhada seja considerada vertente de mídia pública, e que as mídias e ações midiáticas feitas de forma colaborativa e de interesse do movimento social sejam amparadas por um sistema público de comunicação.

Participaram: Ciranda, Abraço, Pulsar, Amarc, Intervozes, Rádio Favela-BH, Rádio Koch de Nairobi, Rede por ti América,, Flamme d’Afrique - Moçambique, Música para Baixar, Movimento Software Livre, Felco, Imersão Latina, Lab Panamazônico, Todos pela Palestina, Stop the Wall (participação Remota), Alternative Media Center Jerusalém-Beit Hanun (participação Remota)

O debate foi inteiramente transmitido pela Rede Abraço