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Contra o monopólio da mídia: escrachos, paródias e indignação

segunda-feira 2 de setembro de 2013, por Deborah Moreira,

Pela democratização da mídia, cerca de 600 pessoas marcharam em protesto em direção à Rede Globo, no Itaim Bibi, São Paulo (SP), na noite de sexta-feira (30). Neste que foi o Segundo Ato Contra o Monopólio da Mídia, houve escracho na porta da emissora , colagem de lambe-lambes, pichações e indignação. Também houve protestos em Belém, João Pessoa, Rio de Janeiro e Santa Maria (RS).

Na capital paulista, pela segunda vez o nome da ponte estaiada de Octávio Frias de Oliveira foi mudado para Jornalista Vladimir Herzog, torturado até a morte durante a ditadura. A ação é para lembrar a ligação da grande imprensa com o regime militar e chamar a atenção para a concentração de poder dos monopólios.

Como no primeiro ato, em 11 de julho, o início da manifestação foi na Praça General Gentil Falcão, a cerca de um quilômetro da Globo. Por volta das 20h passou em frente à sede da TV e depois retornou ao local da concentração às 22 horas. Tendo em vista a presença ostensiva da Polícia em algumas manifestações, até mesmo no primeiro grande ato, estranhamente dessa vez alguns poucos homens permaneceram distantes da aglomeração, o que nos leva a crer que provavelmente foram orientados para evitar confronto com os manifestantes e assim não chamar a atenção.

Com uma grande faixa que dizia “Democratizar a Mídia, #mídiasemcatraca” o grupo avançou pela Avenida Luís Carlos Berrini ao som de uma banda que tocava paródias que ironizavam as emissoras de TV como “Vai cair, vai cair, a Rede Globo vai cair”. Houve até quem levou uma TV para lembrar a dominação da emissora, que possui dezenas e rádios, jornais e TVs afiliadas em todas as regiões do país.

Os presentes também cobraram o cumprimento da Constituição que proíbe concessões a políticos e a apuração da denuncia de sonegação de impostos da emissora que desviou mais de R$ 600 milhões para fora do país. Em tempos de Criança Esperança, outro fato que veio à tona nesta semana foi a denúncia do site WikiLeaks de que a Globo repassou para a Unesco apenas 10% do total arrecadado pela campanha. Um telegrama enviado em 2006 do escritório da Unesco em Paris, na França, para Washington, capital dos EUA, relata que a Criança Esperança já teria levantado US$ 40 milhões (cerca de R$ 94,8 milhões) desde 1986. O documento não faz referência sobre o destino dos 90% do montante arrecadado, mas diz que um terço do orçamento dos fundos extraorçamentários da Unesco (cerca de US$ 124 milhões, ou R$ 291,4 milhões) tem origem do escritório de campo do Brasil. A Rede Globo afirma que “todo o dinheiro arrecadado pela campanha é depositado diretamente na conta da Unesco”.

Escracho

O escracho foi um dos pontos altos da manifestação, quando dezenas de jovens do Levante Popular da Juventude jogaram merda de cavalo na fachada da empresa. Alguns integrantes do Black Bloc presentes destruíram o letreiro com o nome da emissora. Pelo menos 30 deles estavam no ato levando seus ideais anarquistas contra o sistema. Em pelo menos um momento demonstraram disciplina e coerência quando alguns decidiram investir contra uma agência bancária, na volta para a praça. “Só defesa”, exclamavam alguns. Após um tempo de discussão entre eles, o grupo dispersou e seguiu o trajeto de volta. Um dos integrantes ao ser perguntado sobre o porquê da decisão de não destruir a agência bancária, respondeu: “Vai sair do foco, estamos aqui contra a Globo, contra a mídia”.

A manifestações em São Paulo também foi organizada pela Marcha Mundial das Mulheres, Coletivo Intervozes e Centro de Estudos Barão de Itararé.

No Rio de Janeiro e em Santa Maria grupos de manifestantes do Levante jogaram lixo na porta da emissora sob o argumento: "O lixo que a gente vê, a gente devolve pra você".

"O objetivo foi denunciar o monopólio dos meios de comunicação no controle de poucas famílias, e a qualidade do conteúdo veiculo em rede nacional", diz o grupo do Rio.