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Dirigentes do PT reforçam luta contra a direita sionista

quarta-feira 28 de novembro de 2012, por ,

Entre os dias 29 de novembro a 1º de dezembro de 2012, a cidade de Porto Alegre (RS) sedia o Fórum Social Mundial Palestina Livre, que contará com a presença de 207 organizações de movimentos sociais, 36 países e entre 6 e 7 mil participantes. Para falar sobre o assunto, dois dirigentes do Partido dos Trabalhadores: Valter Pomar, que também é secretário executivo do Foro de São Paulo, e Ary Vanazzi, também prefeito de São Leopoldo e presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). Entre os temas da entrevista destacam-se integração regional, imperialismo, centralidade do Fórum Palestina Livre e a importância da luta pela causa Palestina.

Página 13: Vanazzi, o FSM mundial nasceu em Porto Alegre. Agora, Porto Alegre recebe esta edição dedicada aos palestinos. Nos diga, o que é que os gaúchos têm?

Ary Vanazzi: O Rio Grande do Sul é um estado muito politizado. Isto vem de antes da ditadura militar, vem de antes da República até. Olívio Dutra foi eleito prefeito de Porto Alegre em 1988 e governador em 1998. Muitas políticas publicas consagradas, como orçamento participativo, tiveram origem aqui. Tanto a prefeitura, quanto o governo estadual compreenderam a importância de sediar um evento como o Fórum Social Mundial, numa época em que muita gente ainda preferia ir a Davos, participar do Fórum Econômico Mundial. Com altos e baixos, esta tradição democrática, popular, internacionalista, segue viva. E apesar das pressões do atual governo de Israel e de seus aliados, os gaúchos decidiram ser anfitriões deste grande evento de solidariedade a este povo cheio de esperança que são os palestinos.

Página 13: Pomar, à esquerda latinoamericana e o PT em particular são muito apreciados noutras partes do mundo. Por quais motivos isto ocorre?

Valter Pomar: Tanto a direita quanto a esquerda olham com atenção para nós. Até Obama chamou Lula de o cara mais popular do mundo… O fato histórico è que quando existe crise nas metrópoles, abre-se uma janela de oportunidades para nossa região. Na época da revolução francesa e das guerras napoleônicas, aproveitamos para fazer nossa independência. Na crise dos 30, vários países deflagraram sua industrialização. Nos anos 70, ocorreu o contrario, com ditaduras abrindo caminho para o neoliberalismo. Na crise atual, estamos tendo um ciclo de governos progressistas e de esquerda, indicando uma possibilidade, a de que nossa região seja um dos pólos do poder mundial.

Página 13: Vanazzi e Pomar, a crise mundial do capitalismo tem impactado fortemente diversos países da Europa. Qual é a situação da América Latina e do Brasil em particular?

Ary Vanazzi: Na primeira onda da crise, em 2007, o Brasil reagiu muito bem. Não aceitamos fazer política de ajuste, não aceitamos reduzir o crescimento, não aceitamos produzir desemprego. Resultado, o Brasil cresceu e muito. Agora, quando a crise se prolonga, a coisa esta mais complicada.

Valter Pomar: O que ocorre è que o prolongamento da crise nos afeta, assim como os remédios adotados pelos governos de direita. A recessão na Europa e a impressão de dólares nos Estados Unidos afetam nossa economia. Por isto estamos crescendo menos. O grande desafio do governo Dilma é proteger a economia nacional e voltar a crescer muito, pois sem crescimento, não tem desenvolvimento.

Página 13: Pomar, dia 1 de janeiro de 2013 está aí. Serão 10 anos da primeira posse de Lula. Como você avalia este período de presidência petista, especialmente no tocante a política externa?

Valter Pomar: A política externa do governo Lula foi extremamente positiva, baseada na integração regional, nas relações sul sul, na prioridade para a África, na busca de uma nova ordem internacional, multipolar. Já a política interna teve duas fases, ate 2005 predominou a herança maldita do governo FHC, a partir de 2006 fizemos uma inflexão desenvolvimentista. Mas o principal do caminho ainda precisa ser trilhado.

Página 13: Vanazzi, você tem experiência como dirigente partidário, deputado, secretário de Estado e prefeito. Como você avalia a política de relações internacionais da esquerda brasileira, especialmente a do PT?

Ary Vanazzi: O PT é internacionalista desde que foi criado. Apoiamos a revolução sandinista, lutamos contra o apartheid, criticamos o que ocorria nos países do Leste Europeu, apoiamos nossos vizinhos que ainda viviam sob ditadura. A partir dos anos 1990, ajudamos a construir o Foro de SP. E uma década depois ajudamos a sustentar o Fórum Social Mundial. O desafio agora è fazer mais e melhor, pois do mesmo jeito que o Brasil e a América Latina, o PT è acompanhado com muita atenção e interesse pela esquerda mundial.

Página 13: Pomar e Vanazzi, e a Palestina?

Valter Pomar: O povo palestino tem direito a seu território, a sua nação, a seu Estado. E tem o direito de viver em paz, sem ocupação, sem guerra, sem a repressão cotidiana a que os palestinos são submetidos pelo governo de Israel e pelos seus aliados, em especial os Estados Unidos.

Ary Vanazzi. O PT apóia a convivência pacifica e democrática entre os dois Estados, Israel e Palestina. Mas o governo de Israel faz de tudo para inviabilizar o Estado palestino. Ocupa ilegalmente territórios palestinos, impede a Autoridade Palestina de funcionar, impede o reconhecimento da Palestina pela ONU.

Página 13: Vanazzi e Pomar. Ceticismo ou esperança?

Valter Pomar: Esperança, sempre. Mas para ter esperança, é preciso lutar. Lutar contra o governo de Israel, a direita sionista, os Estados Unidos, as monarquias árabes, a direita européia e mesmo contra uma esquerda entre aspas que existe em todo o mundo, uma esquerda que esquece que na luta do opressor contra o oprimido, a gente sempre tem lado. Podemos vencer, se houver muita solidariedade internacional.

Ary Vanazzi: Também sou da turma da esperança. Agora, sou daqueles esperançosos céticos. A luta contra a ocupação israelense, pelo direito dos palestinos a terem sua própria terra, è uma luta que já durou e ainda vai durar muitas décadas. Mas de uma coisa tenho certeza, só vamos vencer se o povo palestino estiver unificado. Se houver unidade entre os palestinos, a vitória virá.

Fonte: Página 13