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Eu Maior provoca reflexões sobre nossa relação conosco e com o mundo

domingo 24 de novembro de 2013, por Sucena Shkrada Resk,

Tratar da razão de nossa existência neste Planeta está longe de ser um assunto trivial e enfadonho. De certa forma, infere nossa relação conosco, com os outros seres vivos, com o mundo e com os cosmos. Remexe, provoca e traz muitos questionamentos que não têm respostas fáceis, mas que são essenciais para continuarmos nossa trajetória, gerando novas perguntas e procuras. Todas essas reflexões foram suscitadas ontem ao assistir o documentário Eu Maior, dirigido por Fernando e por Paulo Schultz, com acesso gratuito no site www.eumaior.com.br. Essa produção estreou no último dia 21 e pode ser vista também no Youtube e no cinema. A iniciativa foi possível com a arrecadação por meio de crowdfunding proveniente de 600 patrocinadores (pessoas físicas).

Em praticamente uma hora e meia, vários personagens dos cenários educacional, das letras, das artes, da psicologia, da filosofia, das religiões e do esporte expressam de forma coloquial suas leituras sobre a suas existências e o que entendem por felicidade. O roteiro, por não apelar ao elitismo em sua forma de abordagem, consegue pela espontaneidade das falas atingir o público. Pode-se dizer que favorece uma comunicação sem ruídos.

Não é difícil encontrar sintonia com alguns pensamentos, possibilitando releituras do que é exposto. Em alguns momentos, chega a emocionar pela profundidade, como nos depoimentos do teólogo Leonardo Boff, do escritor Rubem Alves, do músico Marcelo Yuka, do fotógrafo Araquém Alcântara e do educador indígena Kaká Werá.

Alguns depoimentos são carregados de uma estreita relação com o meio ambiente.“A minha matriz criativa e compreensão do mundo surgiram andando pelo agreste, no Cerrado, na Caatinga, na floresta. O que (para mim) é básico é expandir belezas, ...provocar, refletir...”, fala em dado momento, Alcântara. Para Werá na natureza é onde encontra o pulsar da energia. “Não exige dinheiro, status, nem oferendas, e nenhuma formação..., só a sintonia...”.

Com a exposição pausada, como é uma característica de Leonardo Boff, ele diz – “O ser humano é um projeto infinito, é um nó de relações...A crise purifica...A dor está a serviço de um complexo mais vasto...”. Em poucas palavras, ele permite que pensemos que viver é um palco de possibilidades que não se esgotam.

E uma lição de vida é dada em uma das frases do músico Marcelo Yuka, que ficou paraplégico em 2000, vítima da violência urbana – “...Ser feliz é não abrir mão do caminho da felicidade...”.

E com seu jeito brejeiro, Alves – “um menino de 80 anos” - deixa claro que para ele sua vida é uma sequência de tentativas o que no fundo traduz o sentido da proposta do documentário. “Cheguei onde cheguei onde tudo que planejei deu errado. Sou escritor por acidente (ri)...Fui pastor, professor de Filosofia...agora sou velho”. E se desdobra em sorrisos, quando fala da motivação que provoca se relacionar com as novas gerações de seus netos.

Enfim, aí segue uma dica que fez valer ficar na Internet em casa em uma tarde chuvosa do sábado e me provocou mais questionamentos sobre o sentido da existência, que será um assunto para futuros posts...

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk


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