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FSM 2009 - A arte no Congo como manifestação política

sábado 21 de fevereiro de 2009, por Gastão Guedes,

Estava para dar início mais um o debate no Fórum Social Mundial, na tarde do dia 31 de janeiro de 2009, dessa vez sobre a ilegalidade da dívida externa dos países do sul. Além de Camille Chalmers, integrante da Campanha Jubileu Sul e relator da Assembléia sobre a Auditoria da Dívida Externa na assembléia geral do Fórum Social Mundial, estava presente Victor Nzuzi-Mbembe, coordenador do GRAPR (Groupe de reflexion et d’appui pour la promotion rurale), congolês e porta-voz das idéias anti-capitalistas manifestadas em seu país de origem.
Victor parecia em paz, feliz por participar do Fórum em Belém, num país culturalmente próximo ao seu mas fisicamente separado por um oceano!

A tentativa da conversa foi frustrada... Entre mim e Victor nada era entendido, já que ele não falava português, tampouco inglês ou espanhol das quais línguas que eu ainda poderia sub-dominar. Ele apenas falava seu dialeto e o francês! Entendi, nos gestos apenas, seu desejo de ser fotografado, o que rapidamente me prontifiquei a fazer.

Victor falou, falou... e eu resolvi pedir a intervenção de uma moça recém chegada à tenda de debates, natural de Belém, que falava francês e estava ali para participar e reportar aquele encontro. Enquanto falava, Victor montava sua pequena exposição de imagens em cima de cadeiras, improvisadamente, na medida em que ia explicando à tradutora a situação do Congo, a extração dos seus minérios, do petróleo, da madeira... Um dos problemas mais graves é que, por precisarem do minério, eles têm de recomprar o que é explorado pelas corporações multinacionais que, sob a guarda política de ditaduras, permanecem com o direito de se apoderarem das riquezas naturais do país, obtendo lucros no mercado globalizado!

A rápida conversa poderia se estender mais, mas ao fotografar as imagens expostas de Victor percebi que elas davam bem mais significado aos problemas do Congo do que aquele discorrido francês, enxutamente traduzido pela tradutora e que, por essa razão, muitas vezes colocou em dificuldade o pleno entendimento do pensamento do congolês. A arte iconograficamente direta, quase infantil, sem a psicologia poética dos artistas profissionais, impressiona pela força política dos conteúdos imagéticos traçados sobre o papel.

Nota: a arte não é executada por Victor, mas por um amigo do Congo que desenha e colore suas idéias... Seu nome é Cheri Benga.

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