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Fórum copyleft

terça-feira 25 de janeiro de 2005, por Rita Freire,

Programas conjuntos de rádio e TV, Memória Instantânea, Laboratório de Conhecimentos Livres, Casa Macunaíma e Ciranda acolherão as midias alternativas interessadas em compartilhar sua cobertura do V FSM

Quem vai ao V Fórum Social Mundial para atuar como midia alternativa ou quer participar dos projetos colaborativos do seu Centro de Imprensa pode se orientar pela altíssima chaminé ao lado do Rio Guaíba, em Porto Alegre. A velha coluna de 107 metros que visitantes tomam por referência quando querem fazer um passeio de barco pelo rio ou assistir, das margens, ao famoso por do sol no Guaíba, será, em janeiro de 2005, um marco da comunicação do V Fórum Social Mundial. É seguir para lá!.

A chaminé faz parte da velha e desativada termo-elétrica que até hoje mantém o nome de Usina do Gasômetro e que será o centro de um formigueiro de comunicadores e midias ocupadas com o FSM. Ao redor dela se espalharão as tendas de agências de notícias que levarão suas equipes e equipamentos para a cobertura jornalística do Fórum. Independentes ou comerciais, todos os estandes de imprensa ficarão nessa área.

Dentro do Gasômetro, haverá um Centro de Imprensa que, à primeira vista, é semelhante ao de qualquer grande evento internacional, muito melhor equipado que a maioria. Mas as diferenças que explicitam o forte compromisso do próximo FSM com o fortalecimento das midias alternativas estão em quem vai usar e como serão usados esses equipamentos.

Não haverá distinção entre jornalistas de grandes agências corporativas e comunicadores de pequenas publicações comunitárias no acesso a uma parte importante do centro de imprensa. São os computadores conectados à internet para redação de artigos e remessa de textos e imagens para as redações, redes e sites externos. Os critérios de credenciamento para empresas jornalísticas e free-lancers (condição de muitos “alternativos”) estão no site institucional do FSM (www.forumsocialmundial.org.br).

Outra parte do centro, formada por estúdios de radio e TV, ilhas de edição, uma sala de operações e outra de encontros de pauta, terá uso exclusivo pelos projetos coletivos das mídias alternativas. A utilização será organizada pelas próprias redes independentes, com formas de gestão colaborativas, como as que estão sendo construídas pelos Fóruns de radio e de TV, ou pelo projeto Memória Instantânea, que é um dos projetos guarda-chuva do Grupo de Trababalho de Cultura do FSM dedicado à produção de audio- visuais durante o grande evento. Através desses projetos, a Usina do Gasômetro será o coração da cobertura compartilhada do V FSM.

Os projetos de acolhida

A partir de dezembro, com o desenho final do projeto de comunicação do FSM – ainda em construção dentro do Grupo de Trabalho da Comunicação e suas interfaces com o GT de Cultura, o Acampamento Internacional da Juventude e o Comitê Organizador Brasileiro – comunicadores e mídias alternativas que preparam sua ida a Porto Alegre começarão a conhecer detalhes dos projetos coletivos que estão sendo montados para acolhê-los.

Todos se baseiam no princípio do copyleft: produzindo conteúdos e ferramentas que as mídias não comerciais que chegam ao Fórum poderão reproduzir, utilizar, recriar – e disponibilizar também para outras publicações.

Entre esses projetos, a Ciranda Internacional da Informação Independente é uma espécie de veterana. Nascida durante o I FSM, em 2001, e com uma grande rodada a cada nova edição do fórum, a iniciativa acolhe jornalistas, comunicadores e publicações não corporativas que desejam participar de um trabalho conjunto de cobertura e divulgação do encontro.

Na sala da Ciranda, tradicionalmente, formam-se equipes de edição em seis línguas (português, espanhol, inglês, francês, italiano e alemão), além de edição de imagens e conteúdos de mídias diferentes. São equipes formadas por diferentes publicações, de diferentes países. Inclui também redes de publicações que se organizam para cobrir o Fórum em temas específicos, como já vem se repetindo nos últimos anos com o projeto de cobertura feminista organizado pelo site francês Les Pénèlopes e publicações da Europa e do Leste Europeu – que tanto alimentam a Ciranda como aproveitam matérias da produção coletiva em seus sites.

No projeto Ciranda, as pessoas participantes escrevem suas matérias no Centro de Imprensa do Fórum e podem inserí-las diretamente no site, através de ferramentas hoje bastante simplicadas da internet. As equipes de edição fazem um trabalho de finalização de títulos, chamadas, seleção de imagens e mantêm o site renovado constantemente durante o FSM. O envolvimento das pequenas mídias alternativas, além de algumas grandes e fortes divulgadoras do Fórum (como Terra Viva, da IPS, que também participa regularmente) na cobertura conjunta faz o contraponto criativo e colaborativo ao trabalho da imprensa tradicional. Na Ciranda, é possível construir pautas conjuntas (temas e atividades a serem cobertas com determinado interesse ou abordagem), mas ninguém é pautado pela Ciranda, a não ser por sua publicação ou critério pessoal.

Uma sala de operações

Em 2005, a Ciranda se constituirá em uma plataforma de divulgação das midias alternativas que produzem textos, fotos, audio e vídeo, acolhendo ou linkando conteúdos de outras plataformas coletivas. Mas a velha sala de edição de textos e fotos da Ciranda no FSM ficou pequena demais para este ano Nasceram e cresceram com ela projetos compartilhados para mídias específicas, como radios comunitárias e TVs. Outros projetos coletivos inspirados no mesmo conceito de copyleft e gestão colaborativa despontaram, precisando de espaço para concretizar-se e acolher participantes, a exemplo da Minga, uma espécie de Ciranda promovida por movimentos sociais do Equador para cobrir o Fórum Social das Américas em Quito. Para apoiar o compartilhamento de experiências, o centro de midia do V FSM terá uma de sala de operações da mídia alternativa onde as equipes responsáveis pela edição e atualização dos projetos multi-mídia coletivos poderão trabalhar captando os materiais trazidos pelo conjunto de comunicadores espalhados pelo FSM.

Já está entre os grupos de acolhida a iniciativa Fórum de Radios, que deverá fazer a gestão do uso coletivo de dois estúdios, transmitir boletins conjuntos para o território do Forum Social Mundial, através de uma antena instalada especialmente para isso, além de programas criativos. “Nossa idéia é fazer divulgação da campanhas radiofônicas produzidas pelas redes que chegam ao Fórum, como alguma campanha do comércio justo, ou do Grenpeace, naquele intervalo entre as notícias que as emissoras comerciais utilizam para fazer publicidade”, explica Maurício do Los Santos, da Radio Mundo Real e do Núcleo Gestor do Forum de Radios. É esperada a participação das Redes Abraço, do Brasil, AMARC e ALER, internacionais, além de radios independentes.

Da mesma forma, iniciativas como o Ciranda TV, que soma emissoras não corporativas da Venezuela, Brasil e Cuba, o Memória Instantânea e as TVs comunitárias brasileiras devem participar de um núcleo gestor dos recursos para audio- visual, compartilhando estúdios de TV, programas, imagens, documentários. “A Vive TV deverá dedicar três horas diárias de sua programação para divulgar coberturas do FSM”, explica a jornalista brasileira que hoje reside na Venezuela, Cláudia Jardim, reponsável pela articulação Ciranda TV.

Para além do Gasômetro

Conviver e compartilhar experiências de mídia são propósitos de dois outros projetos vinculados ao Grupo de Trabalho de Comunicação do COB/FSM, mas de livre gestão. O Laboratório de Conhecimentos Livres deve ser realizado pelo Acampamento Internacional da Juventude e coletivos de mídia e arte que construirão ou acolherão oficinas e atividades envolvendo novas e velhas midias e apropriações tecnológicas.

Com oficinas de radio, fotografia, internet e jornal impresso a Casa Macunaíma – projeto já realizado no I Forum Social Brasileiro, em Belo Horizonte, e no III Fórum Mundial da Educação, em São Paulo – terá uma versão adpatada para o Fórum Social Mundial. Promovida pela rede Abraço de radios comunitárias, a Casa funcionará em uma escola pública, como das outras vezes, mas possivelmente não oferecerá hospedagem aos comunicadores que chegam para as atividades. O formato da Casa também está em definição.

Nas próximas semanas, até o V Fórum Social Mundial, Planeta Porto Alegre trará matérias especiais sobre as várias iniciativas de comunicação compartilhada no FSM

Informações/participação na Ciranda: ciranda@ciranda.net


Ver online : Planeta Porto Alegre - em Imaginar