Página inicial > FSM/WSF 2015 - TUNIS > Fórum de Educação Popular convida redes para construir sua próxima edição (...)

Fórum de Educação Popular convida redes para construir sua próxima edição internacional

quarta-feira 22 de janeiro de 2014, por Michele Torinelli ,

Ciranda de Mobilização para o XI FREPOP –VIII Internacional aconteceu em Canoas (RS) durante o Fórum Mundial de Educação

Márcio Cruz convoca redes para colaborar na organização da XI edição do Fórum

Realizado em Lins (SP) em todas as suas edições anteriores, o FREPOP propõe-se a mudar de local e de dinâmica organizativa na sua XI edição. O Fórum sempre foi organizado por uma coordenação formal, juridicamente instituída, e a prefeitura de Lins fornecia estrutura para o encontro, que costumava contar com cerca de 400 participantes. Nos últimos fóruns surgiu uma vontade de torná-lo itinerante e mais participativo, desde sua concepção até sua realização. A nova proposta é realizá-lo em Lagarto, no interior de Sergipe, convidar diversas redes que atuam com educação popular para organizar o evento e, possivelmente, ampliar a quantidade de participantes. Para isso, definiu-se realizar rodas de conversa na cinco regiões do país.

A Ciranda de Mobilização da região Sul para a próxima edição do FREPOP ocorreu na terça (21) em Canoas (RS) durante o Fórum Mundial de Educação, que integra o Fórum Social Temático 2014. Participaram da atividade, além de redes que atuam especificamente com o tema, outras ligadas à saúde, agricultura familiar, integração latino-americana, movimentos sociais e cultura digital que têm a educação popular como tema transversal.

Diálogo e participação para uma educação emancipatória


Simone Leite, articuladora da próxima edição do FREPOP em Lagarto (SE), destacou a importância do diálogo com as culturas locais

O FREPOP se apresenta como um espaço onde se possa experimentar a humanidade, o cuidado com o outro, nossas crenças e nossa fé no gênero humano, nosso compromisso para oferecer à sociedade uma perspectiva distinta, onde um outro mundo seja possível.

A proposta é integrar redes de movimentos de diferentes áreas em prol da educação popular. “É pertinente que todas as redes populares organizem o Fórum?”, provocou Márcio Cruz, presidente da instituição que produziu o Fórum nas edições anteriores. Simone Leite, militante do Movimento Social de Saúde e da Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular (ANEPS) e articuladora do Fórum em Lagarto acredita que sim, é pertinente, e que é preciso envolver a juventude no processo. “É hora de aproveitar esse momento que vive o Brasil – desde junho com as manifestações, agora com os rolezinhos – e dialogar com o jovem, pensar outras dinâmicas e metodologias” defende.

Simone também destaca a questão da cultura local em Sergipe. “Como a gente pode dialogar com eles? Não pode ser animação, chamar um grupo cultural e pronto. É preciso debater com eles como a cultura pode contribuir com um outro mundo possível, e com uma outra educação possível. Vai ser um aprendizado muito rico de como a gente pode construir coletivamente”, acredita. Além do diálogo com a cultura popular e com a juventude, outra abordagem proposta foi a integração latino-americana. “O Brasil se exclui, é preciso buscar esse diálogo”, disse João Carlos Werlang, integrante da Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), que propõe que o Fórum seja um espaço permanente de construção coletiva e articulação.

Além das possibilidades de interfaces com outros temas, alguns pontos críticos foram levantados. Para Marcelo Farah, da Rede de Educação Cidadã (RECID), somente se pode falar de educação popular quando visa a mudança social, numa perspectiva anti-capitalista. Outra preocupação, indicada por Mônica de Ávila Todaro, organizadora do Frepop, é o desvelamento de iniciativas autoritárias travestidas de educação popular, que se dizem inspiradas na metodologia de Paulo Freire, mas que muitas vezes se adequam mais ao conceito de educação bancária denunciado pelo educador. “Pra gente dizer o que é educação popular, a gente precisa saber o que não é educação popular”, avalia. Mônica acredita que a educação popular ensina muito mais que a formal, por dialogar com o presente, com a realidade, e não estar sempre pensando num futuro abstrato e mercadológico – num diploma, numa carreira.

Perspectivas

Ao fim da atividade, optou-se por dar continuidade à organização do FREPOP por meio de cirandas de mobilização nas demais quatro regiões do país e aderir ao Delibera, uma ferramenta digital de deliberação desenvolvida em software livre para facilitar processos colaborativos. A organização do Fórum continua aberta: iniciativas que dialogam com a proposta são convidadas a se somar.

Acompanhe o processo organizativo do FREPOP.