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Inclusão... Por que e pra quê?

segunda-feira 12 de março de 2007, por Cinthia Gonzaga,

Refletir sobre as questões de uma escola de qualidade para todos, sem distinção, incluindo alunos e professores, através da perspectiva sócio-cultural, significa que nós temos de considerar, dentre outros fatores, a visão ideológica de realidade construída sócio e culturalmente por aqueles que são responsáveis pela educação.

Julgamentos de “problema mental”, ”deficiência”, “privação”, “retardamento” e “desajuste social ou familiar” são todos construções culturais elaborados por uma sociedade de educadores que privilegia uma só “fôrma” para todos os tipos de “bolos”. E geralmente a forma da “fôrma” de bolo é determinada pelo grupo social em que a criança se encontra. Se é pobre, é porque não tem acesso a livros e outros bens culturais, se é rica, é hiperativa, TDAH, inúmeros déficits, distúrbios e outras nomeações que essas crianças que não “cabem” na “fôrma” construída pelo ideal de escola esperado pelos educadores e administradores recebem.

Estereótipos como estes são resultados da falta de informação e conhecimento que educadores e administradores têm a respeito da realidade social e cultural, como também do processo de desenvolvimento cognitivo e afetivo das crianças atendidas pelas escolas.

A prática de classificar e categorizar crianças baseado no que essas crianças não sabem ou não podem fazer, somente reforça o fracasso e perpetua a visão de que o problema está no indivíduo, e não em fatores de metodologias educacionais, currículos e organização escolar.

Aceitar a diversidade do ser humano, seus variados estilos de aprender, de habilidades, é o primeiro passo para a criação de uma escola de qualidade para todos.

Todas as crianças têm o direito a uma educação de qualidade onde suas necessidades individuais possam ser atendidas e aonde elas possam desenvolver-se em um ambiente enriquecedor e estimulante para seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Belos discursos... estamos cheios deles....

Embalagens com escolas perfeitas? Estamos saturados disso!
Ilustríssimos colegas “diretores”, “coordenadores”, professores, a inclusão deve começar pelo próprio coração. De que adianta ser portador de grandes idéias, grandes estruturas, grandes “blá-blá, blá” se o que nossas crianças precisam é na verdade, de profissionais que as aceitem com suas habilidades e dificuldades.

Dar aulas para excelentes alunos, é fácil... Difícil mesmo , é trazer aquele aluno ao mundo do conhecimento que , por dificuldade, não consegue aprender no tempo ‘pré-determinado’ estipulado pelas escolas e sociedade.

O momento é este!

Chega de vendar os olhos, temos muito trabalho pela frente.
Vamos tentar com o coração aberto?

Cinthia Gonzaga Aguillera-Professora, Psicopedagoga em Londrina