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MST quer união contra perseguições

sexta-feira 29 de janeiro de 2010, por Denise Gabriela,

Aos gritos de Pátria livre, venceremos! Coragem! O ato contra a criminalização dos movimentos sociais, puxado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, nesta quinta, 28, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, convocou a unidade entre todos os movimentos sociais contra a ofensiva da direita neoliberal brasileira e mundial, a justiça forasteira e a mídia de massa, que juntas formam o trio dos horrores que trabalham para vigiar, controlar e corrigir as ações do movimento social.

Na pequena sala, embolou-se mais de 200 pessoas, de pé, para ouvir denúncias contra o movimento social, no Brasil e no mundo. O presidente da Assembléia Legislativa do RS, Ivar Pavan, declarou compromisso com a luta dos movimentos sociais, que teem em suas bandeiras, a grande bandeira da população mundial.

Em seguida, o jurista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jacks Afonsinho, convocou a unidade dos movimentos sociais para reagir à medida que as classes privilegiadas e a política neoliberal estão criminalizando os movimentos sociais. “O tripé a ser combatido é o da vigilância, porque nunca houve ligação tão grande do aparelho policial ao poder, nos forçando um crime de desobediência, e na verdade o crime é o que eles cometem contra a liberdade de expressão, contra o direito a reivindicação. E essa reação da direita de vigilância, controle e correção dos nossos movimentos é que mostra a força que temos. Coragem gente!”, enfatizou Afonsinho.

O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, reforçou a importância da unidade nos movimentos sociais, porque segundo ele, a luta é de classes, e a classe trabalhadora e todos os movimentos sociais compõem uma classe, a que reivindica um mundo melhor, com modelo popular para enfrentar todos os instrumentos da burguesia. “A saída não é individual. Não é dos movimentos sindicais, mas uma saída coletiva. Que tenha unidade e capacidade de enfrentar esse modelo opressor dos trabalhadores e movimentos sociais”, disse o representante da CUT, que teve uma forte salva de palmas.

A Via Campesina Internacional, teve como representante Daniel Pasqual, da Guatemala que emocionado fez um recorte da memória de todos os militantes assassinados e torturados na América Central, pediu que todos ficassem de pé e aplaudisse por 30 segundos, os 250 mil mortos em 20 anos de luta. A denúncia de Pasqual foi contra a repressão neoliberal que está se institucionalizando e que usa da estrutura do estado para perseguir e oprimir as mobilizações. Pasqual ainda destaca a mídia massiva como o maior inimigo dos movimentos sociais. “Os meios de comunicação de massa são os nossos maiores inimigos, pois preparam a opinião pública contra nós, falando que matamos, sequestramos, torturamos, agarramos e quando nos mobilizamos, eles noticiam como querem, e a opinião pública não tem sensibilidade a causa, porque está treinada”, relatou Pasqual que terminou declarando apoio da Via Campesina Internacional, ao MST, que está sofrendo perseguição de deputados da direita.

A única mulher a mesa, Lorena Zelaia, da Frente Nacional de Lutas de Honduras, relatou a perseguição sofrida por militantes no país. “Aqueles que acreditaram num ideal de outro mundo possível em Honduras, sentenciaram-se, porque pensaram em resistir. Cada saída de casa, por pensar que pode haver outro mundo diferente, podemos não voltar para casa, para família”, narrou emocionada o protesto pacífico que foi recebido a bala em seu país. De acordo com Zelaia, os meios de comunicação são os primeiros a criminalizarem os protestos. Ela ainda questionou a servidão da lei, justiça e tribunal ao império. “Os golpistas são os imperialistas. Que nos acusem de terroristas”, finalizando com essa frase, Zelaia foi aplaudida de pé por todos na sala apertada.

O representante da Frente de Luta Paraguaia, Marco Ibanhes, foi convidado a dar uma palavra aos presentes e enfático disse que a voz dos paraguaios se une a do povo livre de todo o mundo, para declarar um basta ao imperialismo. “Paraguai não vai virar outra Honduras. Cada pôr-do-sol a nossa luta está mais forte”, disse Marco que pediu o apoio do MST para conquista da soberania nacional e latino-americana, e com sorriso estampado, disse que este é o aviso dos movimentos sociais aos parlamentares golpistas.

E o mais esperado da noite, integrante do MST, João Pedro Stédile, saudou os militantes do Fórum Social Mundial (FSM), os dez anos de caminhada em busca da criação de um modelo popular para o Brasil, ressaltou a mudança que o governo Lula causou á direita acostumada ao poder, e que a fase atual da direita, nessa nova correlação de forças é reprimir as ações dos movimentos sociais. Sem piscar, declarou que o atual porta-voz da direita é o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes. “Ele (Gilmar Mendes) que era o advogado de Fernando Henrique Cardoso foi indicado para o judiciário e hoje ele fala de tudo. Acho até que pode se candidatar a Papa! Papa tudo! Ele precisa ir a imprensa o tempo inteiro para falar e instruir os outros”, contou Stédile, que, como Afonsinho, aponta o judiciário, parlamentares de direita e imprensa como os criminalizadores do movimento social.

As denúncias que Stédile fez ao cartel dos sucos de laranja no Brasil, investigado pela Polícia Federal, e que envolve as empresas Centro Suco, Cutrale e Votorantim, não teve nem nota na Rede Globo. “Os 240 pés de laranja que nossos integrantes destruíram, na Globo virou 7000 pés de laranja, e o trator da imagem era o mais rápido de todos, nunca vi tranqueira como trator, mas o da Globo é acelerado porque destruir 7000 tão rapidamente não é fácil”, ilustrou o militante que anunciou ações para enfrentar este ano eleitoral, sendo elas: envio de operários para reconstrução do Haiti, que ficarão lá, por um ano; muitas mobilizações de massa, dentre elas uma marcha dia primeiro de junho, junto a CUT, que promete mais de 30 mil pessoas nas ruas reivindicando a redução da jornada de trabalho; plebiscito mundial em novembro para o povo decidir se aceita bases militares estrangeiras em qualquer país e muitas ações em todo o país no oito de março, com encontro em São Paulo para mais de três mil mulheres. E a ordem do líder do MST é um passo a frente com coragem.