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Mulheres Negras do Brasil

terça-feira 13 de março de 2007, por ,

Sem a pretensão de esgotar o assunto, Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil lançam Mulheres Negras do Brasil, uma co-edição Redeh - Rede de Desenvolvimento Humano e Senac Editoras.

O livro ajuda a construir um novo olhar sobre o passado e a superar a invisibilidade das mulheres negras, levando ao reconhecimento de suas contribuições na formação de nossa identidade. De acordo com os autores, com exceção dos escritos sobre o sistema escravocrata e algumas alusões ao mito Chica da Silva, não se encontram referências e informações detalhadas sobre as mulheres negras em nossos currículos escolares, museus, livros didáticos e narrativas oficiais.

Foram três anos de pesquisa em todas as regiões do país, especialmente nos estados do Maranhão, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A idéia do livro surgiu a partir do lançamento do Dicionário mulheres do Brasil, em 2000, quando Schuma e Érico, também autores da referida obra, perceberam que muitas lacunas sobre a contribuição dos negros e negras na construção do país ainda precisavam ser preenchidas. Além das entrevistas e dos depoimentos colhidos, eles recorreram a diferentes acervos e documentos históricos, para escrever esse título, que representa uma nova etapa do projeto “Mulher, 500 anos atrás dos panos”, quem vem sendo desenvolvido pela Redeh.

A obra, que contou com o apoio da Petrobras e do Banco do Brasil, apresenta referências, estudos e raridades iconográficas desde antes da chegada dos europeus às terras brasileiras até a atualidade. Os autores relatam o pioneirismo e a garra de diversas mulheres negras, seja nas artes, na política, nos esportes ou nas diferentes atividades profissionais. O leitor poderá, ainda, se inteirar sobre as mais de cem sacerdotisas afro-brasileiras retratadas no livro, assim como outras curiosidades sobre as atividades das negras brasileiras em áreas como comércio ambulante e educação ou no engajamento em movimentos sociais e em práticas ancestrais das benzedeiras e parteiras. O título conta também com cerca de 950 imagens que ilustram o dia-a-dia dessas mulheres.

A noite de autógrafos de Mulheres Negras do Brasil está marcada para o próximo dia 5 de março (segunda-feira), no Senac Bistrô - Rua Marquês de Abrantes, 99 - Flamengo, Rio de Janeiro. O evento vai apresentar, também, uma exposição que retrata, através de textos e imagens, um breve resumo visual da obra e contará com a presença de diversas mulheres negras que ajudam a construir a contemporaneidade.

SOBRE OS AUTORES

Schuma Schumaher - Pedagoga, especialista em Orientação Educacional e Administração Escolar. Integra o Movimento Feminista desde 1978. Foi Secretária Executiva e Diretora de Articulação Política do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (1985-88). Fez parte da Comissão Coordenadora que mobilizou a participação das mulheres, em 1995, da IV Conferência Mundial sobre a Mulher. Atualmente é Coordenadora Executiva da Organização Não-Governamental Feminista Redeh - Rede de Desenvolvimento Humano; na qual é co-responsável pelos Projetos “Por uma educação não discriminatória” e “Mulher, 500 anos atrás dos panos”. É co-autora do Dicionário mulheres do Brasil, Abrealas, Um rio de mulheres e Gogó de emas. Representa no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), a Articulação de Mulheres Brasileiras da qual faz parte desde a fundação. Foi integrante da Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, do governo federal, em 2004; ano em que recebeu o prêmio de Mulher do Ano (Diploma Bertha Lutz) concedido pelo Senado Federal. Foi, em 2005, uma das 52 brasileiras indicadas ao Prêmio Nobel da Paz.

Érico Vital Brazil - Após uma formação multidisciplinar com estudos específicos nas áreas de simbolismo e religiões comparadas, se dedica às iniciativas socioculturais. Ocupa a direção de projetos da Casa de Vital Brazil e esteve durante 12 anos à frente da instituição de ensino Astroscientia. Desde 1997, é um dos coordenadores do projeto “Mulher 500 anos atrás dos panos”, que tem como objetivo resgatar e dar visibilidade à participação das mulheres na formação e no desenvolvimento do Brasil. Foi co-organizador do Dicionário mulheres do Brasil (Editora Jorge Zahar, 2000), e co-autor de Um rio de mulheres (Redeh, 2003).

Sobre os editores

A Redeh - Rede de Desenvolvimento Humano, é uma organização não-governamental, criada em 1988, com a missão de fortalecer conceitual e praticamente a cidadania feminina, por meio de pesquisas, diagnósticos, informações e educação nas áreas de direitos das mulheres, direitos humanos, superação do racismo, saúde, meio ambiente e comunicação.

As Editoras Senac editam obras de conteúdo técnico e profissionalizante, que abordam os temas das doze áreas nas quais o Senac atua no Brasil ­- comunicação, artes, design, desenvolvimento empresarial, moda, beleza, saúde, turismo, educação ambiental, hotelaria e gastronomia, informática e administração. Os livros enfocam sempre a responsabilidade social e ambiental, disseminando a missão de toda a instituição: proporcionar o desenvolvimento de pessoas e organizações para a sociedade do conhecimento. Contudo, o acervo editorial ultrapassa o escopo de atuação do Senac, incluindo também assuntos de importância nacional como política, diplomacia, as várias manifestações culturais, esporte e comportamento.


Ver online : Redeh - Rede de Desenvolvimento Humano e Senac Editoras