Página inicial > BRASIL > Ciranda Afro > No Maranhão, quilombolas escrevem a sua própria história nas mídias (...)

No Maranhão, quilombolas escrevem a sua própria história nas mídias comunitárias

segunda-feira 15 de junho de 2015, por Agência Pulsar,

Ao longo do mês de maio e junho, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC Brasil) tem realizado oficinas de capacitação em mídias comunitárias para os povos tradicionais da Amazônia Oriental e do Maranhão.

Ao longo do mês de maio e junho, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC Brasil) tem realizado oficinas de capacitação em mídias comunitárias para os povos tradicionais da Amazônia Oriental e do Maranhão.

Até o momentos três comunidades receberam o projeto: os indígenas Mundukurus de Itaituba, os ribeirinhas de Suruacá, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, ambas no Pará, e o Quilombo Frechal, no Maranhão.

Com o intuito de dar visibilidade ao material produzido pelos povos tradicionais e fomentar a pluralidade de vozes dentro da comunicação no país, a Pulsar Brasil irá reproduzir as notícias elaboradas pelos participantes ao longo do projeto.

A série começa com a notícia feita pelos participantes da oficina do Quilombo Frechal sobre a história de fundação da comunidade. Para saber mais sobre o projeto, acesse o site mídia dos povos.

A Comunidade de Frechal no município de Mirinzal, no estado do Maranhão, começou da implantação da fazenda da família portuguesa Coelho Souza no ano 1792.

Os primeiros trabalhadores e ancestrais dos atuais moradores foram trazidos da Costa de Mina, na África. Os africano foram escravizados para trabalhar na lavoura, engenho e construção da fazenda.

Muitos donos passaram pela terra, mas a comunidade não estava satisfeita com o tratamento e depois de muita luta os moradores se organizaram, a partir de 1985, para reivindicar o direito à terra própria.

A comunidade foi fundada por moradores que se organizaram e tomaram a iniciativa de procurar a Igreja Católica e o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. O então presidente Fernando Collor de Melo assinou o decreto presidencial número 536 que reconheceu a comunidade como Reserva Extrativista Quilombo Frechal, em 20 de maio de 1992.

A comunidade teve vários parceiros como Centro da Cultura Negra do Maranhão (Projeto Vida de Negro), Cáritas, Sociedade dos Direitos Humanos e outras Ongs.

Os frechalenses fundaram uma associação própria para desenvolver projetos que garantam a sua autonomia e melhore suas condições de vida.

A área da comunidade Quilombo Frechal possui 10 mil e 500 hectares e é composta por três comunidades: Frechal, Rumo e Deserto. Nestas terras ainda hoje se cultivam plantações como arroz, feijão, mandioca e milho.

Frechal é a primeira comunidade negra reconhecida como Reserva Extrativista de Quilombo do Brasil. (pulsar/ projeto mídia dos povos)