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O 15M na metrópole paulistana

sexta-feira 16 de maio de 2014, por Terezinha Vicente ,

Milhares de manifestantes em São Paulo foram surpreendidos pela repressão violenta e concentrada da Polícia Militar que dividiu o ato ao meio por meio de balas e bombas de gás lacrimogêneo.

COPA SEM POVO: TÔ NA RUA DE NOVO!
O ato tinha um manifesto, claro em relação às denúncias e também as reivindicações do movimento, que se articula em vários comitês por todas as regiões de São Paulo e outras cidades. O conteúdo do manifesto continua valendo, você pode lê-lo no final da matéria.

Deu muita raiva quando aqueles dois blocos de policiais militares postaram-se dos dois lados da passeata que naquele momento descia a Rua da Consolação. Milhares de jovens – em maioria - cantando belas palavras de ordem, acompanhando-as com as batucadas levadas por diversos movimentos populares, com projeção de informações na parede de um edifício, bandeiras, cartazes, um colorido e uma vitalidade bonitos de ver. Continuação das manifestações de junho passado que, pelo jeito, continuarão neste junho.

Eles lembravam dos trabalhadores mortos nas obras da Copa, os milhões investidos, a especulação imobiliária gerada, a situação da educação e da saúde, o direcionamento de políticas públicas para quem não precisa, a diferença dos direitos em favor de quem tem mais.

Isso terminando um dia que começou com manifestações por moradia e menos especulação imobiliária em diversas regiões da periferia, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST); continuou com marchas de metroviários, professores e outras categorias de trabalhadores em diferentes bairros. A participação das mulheres é algo a se destacar, na quantidade e no protagonismo na organização.

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O dia internacional de lutas contra a copa da FIFA era o ato para juntar todos os movimentos e estava muito grande em São Paulo. Convocado por uma frente de grupos e forças políticas, o Comitê Popular da Copa SP, o ato saiu da Praça do Ciclista (Av. Paulista) em direção ao estádio do Pacaembu. Não conseguiu passar da Consolação. A repressão vinha pela terra e pelo ar. Logo aqueles soldados militarizados começaram a ficar nervosos, porque eles não conseguiam fechar a passeata. Tentavam tomar a frente dela, os lados e a massa não permitia.

Deu muita raiva quando, do nada, as bombas de gás começaram a explodir colocando todo mundo pra correr... A polícia conseguiu dividir a passeata, segurando com suas bombas e balas a parte de trás e espalhando a parte da frente com o ataque mais direto e intenso. Tal qual naquele inesquecível dia de junho do ano passado, feridos e barricadas logo começaram a surgir... A repressão conseguiu espalhar a multidão para diversas ruas e saídas, tentando encurralar algumas delas. Vi pela mídia que até dentro do metrô eles perseguiram.

Mas, tal qual em junho passado, só se ouvia as pessoas dizerem que a próxima manifestação será maior. Se depender da raiva que a violência conseguiu colocar naqueles milhares de pessoas que exerciam seu único poder, a liberdade de expressão para gritar e cantar suas reivindicações, o próximo ato será bem maior.

Manifesto 15M

COPA SEM POVO, TÔ NA RUA DE NOVO!

Qual o legado da Copa de 2014?
- 8 mortes nas arenas da Copa e mais 3 em outras que seguem o mesmo modelo;
- 250 mil pessoas removidas à força de suas casas;
- trabalhadores ambulantes e artistas independentes impedidos de trabalhar;
- mulheres, criancas e adolescentes sofrendo com exploracao sexual;
- pessoas em situacao de rua sofrendo violência;
- empresas tomando conta de nossas ruas e espacos publicos;
- elitização dos estádios de futebol;
- bilhoes investidos em armamentos para a policia usar contra o povo;
- leis de excecao que criminalizam o direito de manifestar;
- e uma enorme e questionavel divida publica para a população pagar.

Responsabilizamos por isso as corporações patrocinadoras e construtoras da Copa, as máfias FIFA e CBF, os governos municipal, estadual e federal, os parlamentares e o poder judiciário!

O que queremos?
É verdade que a maior parte das violações para realizar a “Copa das Copas” já foi cometida, mas ainda existem possibilidades de revertermos o legado deste megaevento.
- moradia digna para todas as pessoas removidas! Chave a chave!
- fim da violência estatal e higienização das ruas do centro da cidade
- Revogação imediata das áreas exclusivas da FIFA previstas na Lei Geral da Copa e permissão ao trabalho ambulante
- Criação de campanhas de combate a exploração sexual e ao tráfico de pessoas
- Não instalação dos tribunais de exceção da FIFA
- Revogação da lei que concede isenção fiscal à FIFA e suas parceiras comerciais
- Arquivamento imediato dos PLs que tramitam no congresso, e normas infra-legais emitidas pelos governos, que tipificam o crime de terrorismo e avançam contra o direito à manifestação, criminalizando movimentos sociais e fortalecendo a violência contra a população pobre e a juventude do país.
- Desmilitarização da polícia e fim da repressão aos movimentos sociais

Exigimos nosso direito à cidade e nossa liberdade de manifestação!