Página inicial > BRASIL > O incrivel processo de incineração de livros pelas bibliotecas públicas de São (...)

O incrivel processo de incineração de livros pelas bibliotecas públicas de São Paulo

segunda-feira 27 de março de 2017, por Celio Turino,

O caso exige apuração urgente. E que todos se unam na defesa do sistema tão bem planejado e inicialmente executado por Mario de Andrade.

Foi uma ativista dos movimentos culturais de São Paulo quem chamou minha atenção ao problema. Ela fez um comentário breve, compartilhando outro comentário de alguém protestando sobre a incineração de livros pela Biblioteca Municipal de Pinheiros. Os números eram um pouco exagerados (2/3 do acervo) e logo desmentidos, mas fui verificar mais a fundo.

A situação é grave, há sim um processo de incineração de livros por parte das Bibliotecas Públicas de São Paulo e ele não se restringe somente à Biblioteca de Pinheiros. Vou preservar as fontes, mas segue o relato o que apurei:

a) Primeiro retiraram livros da rubrica de Investimento/Material Permanente e os transferiram para a Rubrica de Custeio (a mesma de material de escritório, papel higiênico, etc), tornando livro um produto de uso rápido e sem a necessidade de incorporação ao patrimônio público. Como consequência, a facilitação nos processos de descarte. O argumento para tal medida: processos de restauro e conservação de livros estavam ficando custosos e não havia pessoal;

b) Esta medida vem de alguns anos (ainda não consegui confirmar em qual ano) e vem sendo acelerada nos últimos meses, como preparação para o processo de transferência das Bibliotecas Públicas para gestão privada, via Organizações Sociais;
c) há muitos anos a prefeitura de São Paulo não realiza concurso público para bibliotecários, o quadro está envelhecido e atualmente não alcança a média de 2 bibliotecários por biblioteca pública;

Isto é muito grave!
E revela um completo descaso com um dos alicerces de qualquer política cultural. Bibliotecas Públicas estão entre as primeiras Instituições Públicas da Humanidade (vide a biblioteca de Alexandria) e foi a partir da transferência da Biblioteca Real Portuguesa (com 8 milhões de volumes) que o Brasil ganhou sua primeira Instituição Cultural. Bibliotecas devem ser perenes, sólidas, e se constituem em nossa ponte de diálogo com as gerações futuras. Desmantela-las é o mesmo que abandonar, ao mesmo tempo, o nosso passado, presente e futuro.

O caso da incineração dos livros das Bibliotecas em São Paulo exige apuração urgente. Como primeira medida, solicitar informações precisas sobre o que está ocorrendo (via vereador ou lei de acesso à informação). Na sequência, que todos se unam na defesa do Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas, tão bem planejado e inicialmente executado por Mario de Andrade, quando diretor de Cultura do município (isto, há 80 anos). Independente de questões partidárias ou qualquer interesse menor, precisamos esclarecer e resolver de pronto esta questão. Quem vem junto?