Página inicial > BRASIL > Ciranda Afro > Pretos novos: a dolorosa chegada

Pretos novos: a dolorosa chegada

sexta-feira 22 de junho de 2012, por Gal Souza, Nelsinho Pombo, Simone Ricco,

Durante as atividades da Cúpula dos Povos na Rio + 20 a Ciranda Afro fez uma roda de conversa com a Merceds, responsável pelo Instituto Pretos Novos, um espaço cultural que abriga o Sítio Histórico e Arqueológico Cemitério dos Pretos Novos, localizado na região portuária da cidade do Rio de Janeiro, no bairro da Gamboa.

O Cemitério dos Pretos Novos é um triste testemunho de um dos capítulos mais marcante da história da escravidão no Brasil. As pesquisas realizadas até o momento apontam que neste lugar foram depositados milhares de corpos de africanos que não sobreviviam à travessia transatlântica em navios negreiros ou morriam antes de serem comercializados, por este motivo utiliza-se a expressão “pretos novos”.

Este capítulo da história estava perdido debaixo da malha urbana da cidade até o ano de 1996, quando o casal Merceds e Petruccio decidiu reformar sua casa e achou, por acidente, fragmentos de ossos humanos enterrados no terreno. Analisado por especialistas, o material encontrado foi identificado como ossadas de escravos chegados ao Brasil entre final do século XVIII e meados do século XIX e enterrados neste local, que passou a ser um dos mais importante sítio histórico e arqueológico do período da escravidão africana nas Américas.

Merceds Guimarães relata que ao encontrar as ossadas imaginou tratar-se de uma chacina, porém após fazer várias conjecturas descobriu que eram ossos de africanos quando recém chegados no Rio de Janeiro e foi procurar as autoridades para saber o que fazer. À medida que buscava informações, soube que a academia já havia feito descobertas sobre o fato e que algumas pesquisas estavam em andamento, tudo isso confirmou que debaixo do chão de sua casa estava enterrado um capítulo da história da atrocidade colonial vivida em terras brasileiras.

A partir desta descoberta, Merceds teria um longo caminho a percorrer para que a memória desses africanos fosse respeitada. Ao descrever o percurso da descoberta à constituição do Instituto, ela conta que houve negligencia do poder público, talvez por não saber ao certo o que fazer com achados históricos e arqueológicos em local residencial, porém, reconhece que o trabalho está avançando. Com ajuda de pesquisadores e voluntários, o casal Merceds e Petruccio criou o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, apesar de diversos empecilhos, o espaço vai ganhando reconhecimento, foi integrado ao roteiro cultural de museus da cidade do Rio de Janeiro e ao Circuito Histórico e Arqueológico do Valongo e segue comprometido com pesquisas, ações sócio educativas e preservação da memória da maior diáspora da humanidade.

Merceds Guimarães

Descrição do Sítio Arqueológico


Ver online : http://www.pretosnovos.com.br/