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Rádios Favela do Brasil e do Quênia

sexta-feira 1º de janeiro de 2010, por ,

Inspirada na experiência de Belo Horizonte que virou filme e correu o mundo, jovens de Nairóbi criaram a Radio Koch, no coração de Korogocho. Agora as duas se encontrarão em Porto Alegre

Fotos de Ana Facundes/Ciranda

Como parte das celebrações dos 10 Anos de Comunicação Compartilhada no Fórum Social Mundial, Ciranda, Abraço e Amarc promoverão em Porto Alegre o encontro entre representantes da legendária Rádio Favela FM 106,7, de Belo Horizonte, uma das maiores conquistas mundiais na área da comunicação popular, e da Radio Koch, de Nairóbi, única rádio comunitária queniana.

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Antecedentes

Em 1981, foi fundada a legendária Rádio Favela FM 106,7, emissora que se tornou ícone na luta pela democratização da comunicação no Brasil. Surgiu no aglomerado da Serra composta por 11 vilas e com uma população de cerca de 100 mil habitantes, em Belo Horizonte e sua fama e reconhecimento continua crescendo mundo afora, principalmente após a exibição do filme "Uma onda no ar", do mineiro Helvécio Ratton, e hoje já pode ser ouvida em toda a Grande BH e também pela Internet nos cinco continentes.

Durante quase vinte anos, operou de forma irregular, pulando de barraco em barraco para fugir da polícia, que por cinco vezes chegou a fechar a emissora. Nesse mesmo período, foi condecorada duas vezes pela ONU por sua atuação no combate às drogas e à violência. Inspirou o longa-metragem “Uma Onda No Ar”, do cineasta Helvécio Ratton.

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Em 2001, ano do nascimento do FSM, a Radio Favela conquistou autorização para operar como educativa, com potência para ser sintonizada com boa qualidade para cerca de 4 milhões de moradores da região metropolitana de BH.

A história da Radio Favela e as contribuições das rádios comunitárias brasileiras continuaram inspirando comunidades no Brasil no mundo. Em 2006, jovens da Favela de orogosho, em Nairobi (Quênia), inspirados na trajetória da Rádio Favela de Belo Horizonte, fundam a Koch FM, em container forrado de embalagens de ovo, No coração de uma favela que reúne centenas de milhares de pessoas em condições de extrema carência (sem água encanada, energia elétrica ou saneamento básico), esse jovens realizam um trabalho corajoso e criativo que transformou a rádio em líder de audiência, com um público estimado de 500.000 pessoas.

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A Rádio Koch é a única rádio comunitária existente no Quênia.

Nesse mesmo ano, os integrantes da Rádio Koch FM tiveram um papel protagonista na difusão do FSM e estímulo à participação dos moradores de Korogocho. Eles participaram do processo do Fórum no Quênia desde seu início, colaborando com a criação do logotipo local. Durante o evento, realizaram várias atividades de intercâmbio, inclusive trazendo os participantes para uma tarde cultural em Korogocho, além de realizar a cobertura dos acontecimentos. Também fizeram jingles, canções, hip hop, painel e organizaram vídeos sobre o seu trabalho que foram entregues à Ciranda para difusão no universo do FSM.

A Rádio Favela e a Rádio Koch não são as únicas que resistiram. Ainda hoje, 15.000 rádios comunitárias no Brasil atuam com desobediência civil, mas de acordo com o Pacto de São José da Costa Rica e da Carta dos Direitos Humanos da ONU, das quais o Brasil é signatário. Por isso, na I Conferência Nacional de Comunicação realizada no Brasil em dezembro de 2009, representantes do governo, sociedade civil empresarial e de movimentos sociais concordaram que é hora para anistia e fim da criminalização das rádios comunitárias, o que foi considerada uma das mais importantes decisões da I Confecom.

Para Ciranda, Abraço e Amarc, a celebração dos 10 Anos de FSM em Porto Alegre será a oportunidade de reunir essas duas experiências tão ricas e convergentes, que poderão compartilhar seus processos e alavancar seus projetos. Através da participação na Roda Internacional sobre os 10 Anos de Comunicação Compartilhada no Fórum Social Mundial, pretendem refletir sobre a história e perspectivas da nova comunicação experimentada no FSM, reforçar as pontes internacionais, promovendo o debate entre produtores de mídia, redes de ação em comunicação e experiências de mídia contra-hegemônicas de todos os continentes com o objetivo de difundir seus conceitos e práticas e ampliar sua construção.

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A Rádio Favela e a Rádio Koch são exemplos de que uma outra comunicação já acontece e que é fundamental que sejam contadas publicamente as exitosas histórias da comunicação comunitária. Por isso, quando comunicadores/as do universo FSM estiverem reunidos para somar forças e discutir o que tem sido a criação de novas formas de comunicação, é fundamental que conheçam essas duas trajetórias

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