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Salvador prepara acolhida ao Fórum Social Mundial 2018

quinta-feira 25 de maio de 2017, por Rita Freire,

Seminário é a etapa decisiva para o lançamento de uma convocatória mundial pelo Conselho Internacional do FSM

A sociedade civil de Salvador, capital da Bahia, em conjunto com organizações e movimentos baianos, nordestinos e brasileiros, se mobiliza para receber o próximo Fórum Social Mundial, em 2018. Às vésperas de um seminário considerado decisivo para a convocatória do evento mundial, integrantes do Coletivo Baiano já apostam que, na primeira quinzena de março, lideranças e ativistas do mundo todo estarão em Salvador para tratar dos dilemas, desafios e alternativas que sinalizem saídas para as crises generalizadas pelo mundo.

“Precisamos de uma decisão política do conjunto dos movimentos sociais brasileiros, condições operacionais adequadas e de uma reflexão profunda sobre a necessidade de renovação politica e metodológica do FSM, onde os povos e territórios em luta atuem como protagonistas do processo”, diz Damian Hazard, da organização Vida Brasil e Abong, ao explicar os desafios do seminário e do próprio FSM. Ele atua nos processos local, nacional e internacional do fórum, contribuindo para as pontes entre a aspiração baiana e as decisões do Conselho Internacional do FSM.

O envolvimento baiano com o processo FSM já acumula experiências como a realização do 1o Fórum Social Baiano em 2004, do 2o Fórum Social Nordestino em 2007 e de um Fórum Mundial Temático em 2010. Formado por 30 organizações, movimentos e redes da sociedade civil, o Coletivo Baiano do FSM participou de forma ativa das edições mundiais do FSM 2013 e 2015 em Túnis (Tunísia) e no FSM 2016 em Montreal (Montreal) e dos Fóruns temáticos de Porto Alegre. “Há quatro anos o coletivo atua com os mais diversos movimentos que estão construindo alternativas para um outro projeto de sociedade”, conta Damien. Nessa trajetória, o conjunto de entidades iniciou sua campanha para sediar uma edição em Salvador, passando dos encontros regionais de convergência à realização de seminários com participação internacional, onde o futuro do FSM é debatido.

Porque na Bahia

Para Flora Briioschi, dirigente da CTB-Bahia e integrante dos Coletivos Baiano e Brasileiro Pró-FSM, , o fato de Salvador reunir a maior população negra fora da África e travar uma grande luta contra a desigualdade, contribuirá para enfatizar no Fórum a dimensão de um encontro voltado a enfrentar violências estruturais da humanidade como o racismo, a xenofobia, as discriminações. “O FSM conseguiu se afirmar como um espaço de valorização da diversidade. Salvador contribui nessa direção”, diz a sindicalista. “O povo baiano já é o resultado de uma confluência dos povos do mundo” - observa Damian.

Flora vê com otimismo a oportunidade para os movimentos da sociedades civil planetária terem contato com as questões culturais e identitárias de Salvador.. "E no Brasil, - ela acrescenta - a realização do FSM na Bahia vai ajudar a fortalecer as lutas contra o genocídio da população negra, e também as lutas nos quilombos e no campo, pela terra".

Para Damian, o estado da Bahia é atualmente um palco de resistência. O atual contexto brasileiro e a latinoamericano de retrocessos democráticos impõem a necessidade de convergência e os movimentos sociais baianos, que já estão nesse esforço, podem contribuir significativamente.

Esses argumentos foram levados ao Conselho Internacional (CI) do FSM reunido em janeiro último, em Porto Alegre. Participantes internacionais se mostraram impressionados com a capacidade das organizações brasileiras de apostar, em plena crise política aprofundada com o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na realização de um fórum social mundial - que sempre precisou de muita energia da sociedade civil e de suporte das instituições e governos locais.

Inicialmente, o CI deu aval para o Coletivo Baiano prosseguir nos contatos, com a perspectiva de realizar um encontro de caráter mundial, que poderia converter-se em um verdadeiro FSM, evento que mobiliza forças sociais nos vários continentes. Desde então, uma série de encontros e seminários marcaram o processo. O Coletivo Brasileiro de organizações que integram o Conselho Internacional somou-se à campanha dos movimentos baianos e constituiu um Comitê Brasileiro Pró-FSM em Salvador, já bastante ampliado.

Nos dias 26 e 27 próximos, um seminário nacional em Salvador deve fazer um balanço dos apoios - tanto material quanto de forças políticas e sociais - para a realização do sonhado FSM na Bahia. Já está certo, por exemplo, que a Universidade Federal da Bahia acolherá o FSM durante o período de férias da comunidade universitária. Encontros com autoridades baianas estão agendados para o mesmo período. A partir de então, a decisão do CI de convocar o FSM em Salvador deve ser formalizada.