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Senado é "trending topic" em dia de eleição

quarta-feira 1º de fevereiro de 2017, por ,

Eleição da Mesa transmitida via Facebook foi assistida por mais de 140 mil pessoas, tendo alcançado 1 milhão. Foram mais de 11 mil comentários e 62 mil reações. E o termo Senado foi o mais usado no Twitter

A eleição da nova Presidência do Senado, ocorrida nesta quarta-feira (1º), em Brasília, e transmitida pela internet, revelou que a crise política brasileira pode estar aumentando o interesse ou a necessidade da população de acompanhar os acontecimentos no Parlamento.

De acordo com informação do setor de mídias sociais do Senado,a transmissão ao vivo da eleição da Mesa via Facebook foi assistida por mais de 140 mil pessoas, tendo alcançado 1 milhão. Foram mais de 11 mil comentários e 62 mil reações. Além disso, no Twitter, o termo “Senado” ficou no topo dos Trending Topics e a eleição foi destaque na seção Moments, que mostra os assuntos mais relevantes do momento.

O interesse denota maior preocupação com a política propriamente dita, fugindo à regra explicada pelo escritor Schmidt, no livro Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da República", Segundo ele, "não existe em todo o mundo uma população leitora com mais interesse em saber os detalhes de uma lei sancionada por um mandatário do que em saber se tal mandatário é epilético".

A eleição do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) para presidir o Senado até fevereiro de 2019 não trouxe surpresas, contabilizando 61 dos 81 votos. De mais incerto, até os últimos dias, estava a posição dos senadores do PT, cobrados pelas bases militantes a não votar em um senador do PMDB, partido de Temer. Mas foram liberados pelo partido a votar conforme o interesse da bancada na Mesa Diretora. O partido deve ficar com a Primeira Secretaria, com a indicação do senador José Pimentel, do Ceará, para conduzí-la.

Aliado ao governo Temer, Eunício Oliveira não deve romper com os rumos que o Poder Executivo vem imprimindo à cena política, e que tinham acolhida por parte de Renan Calheiros. Mas ele terá nas mãos a condução de votações de grande impacto para a sociedade. O Senado abre os trabalhos tendo na pauta a MP do Ensino Médio, que já foi aprovada na Câmara sob grandes protestos. Deverá votar também Reforma da Previdência (ainda em tramitação na Câmara), a Reforma Trabalhista e o desmonte da participação social na EBC, com a MP que extinguiu o seu Conselho Curador.

A tensão entre os Poderes que marcou o ano de 2016 também pode ter novos episódios, com a votação do projeto do senador Renan Calheiros, que penaliza abuso de autoridade, criticada por setores do Judiciário preocupados com eventuais manobras para barrar o andamento da Operação Lava Jato.

Eunício Oliveira sinalizou, em sua posse, que não aceitará intromissões. Ao se comprometer com o funcionamento independente e autônomo dos três Ṕoderes da República, avisou que será “firme e duro” se um deles “se levantar contra outro Poder”.

O novo presidente do Senado também tem o nome investigado, após ter sido acusado pelo delator Cláudio Melo Filho à Lava Jato de ter recebido R$ 2,1 milhões da Odebrecht em troca da aprovação de uma medida provisória - o que ele nega.

Tudo indica que o interesse em decifrar o jogo político, e perceber o quadro a ser enfrentado por movimentos partidários, sociais ou sindicais, que tentam barrar projetos que sacrificam a população, tenha aumentado a atenção ao momento da eleição no Senado. Mas também é importante notar a relação da juventude com a política, associada ao uso das redes sociais, como se viu a partir dos protestos de junho de 2013.

Em outubro do ano passado, uma pesquisa sobre O Jovem Brasileiro e o Futuro do País, realizada pelo Núcleo de Tendências e Pesquisa da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS (Famecos) com entrevistados de 18 a 34 anos, revelou que o interesse na política vem crescendo. Do total, 47,4% dizem buscar informação com interesse político, e que as suas fontes são redes sociais (84,5%), sites e blogs Informativos (82,8%). Mais de 60% dos pesquisados disse já ter se engajado em causas sociais.

Somados a crescente busca de informação e o fato de que o projeto que mais mobilizou estudantes a ocuparam escolas em 2016 (MP do Ensino Médio) espera agora pela volta dos senadores, não é sem propósito imaginar que a juventude tenha ajudado a ampliar o número de pessoas conectadas ao Senado no dia das suas eleições.