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Três grandes experiências

sexta-feira 25 de julho de 2008, por Inmidia GT-FSM/WSF-WF, Rita Freire,

O projeto de comunicação das mídias alternativas pra o FSM será baseado nos projetos compartilhados de 2005 em diante, nas redes do Dia de Ação Global 2008 e dos encontros sem fronteiras na Pan-Amazônia

Durante uma semana movimentos de comunicação e iniciativas de
alternativa estiveram em diálogo, na cidade de Belém, com o Conselho
Internacional do Fórum Social Mundial para construir a proposta de
comunicação da próxima edição desse grande encontro que será realizado
de 27 de janeiro a 1 de fevereiro do próximo ano, também na capital
paraense.

O diálogo foi feito com a Comissão de Comunicação do FSM, convidada a
relatar as experiências das edições anteriores e a escutar as
propostas e preocupações que já se identificam nos preparativos
amazônicos para a construção de um grande projeto comum, que tenha
elementos de referência para que a comunicação do FSM comece a ser
construída desde agora, em qualquer lugar onde a participação em Belém
seja planejada.

O destaque em todos os debates foi a prioridade que o FSM dará para a
acolhida das mídias alternativas, um universo bastante amplo que vai
desde as mídias preocupadas/ocupadas com os temas de interesse dos
movimentos sociais até os setores de comunicação dos movimentos
sociais que se preocupam com a democratização das mídias. O conceito
histórico que mais uma vez se confirma na comunicação FSM é o da
comunicação compartilhada, observado desde 2001, com a primeira edição
da Ciranda e posteriormente com as primeiras experiências
colaborativas de radios e tvs comunitárias.


O encontro de três experiências em construção

A proposta central definida em Belém tem muita similaridade com a
logística criada em Porto Alegre, no FSM 2005 (para um Fórum de
formato centralizado) e com as interconexões criadas para a edição
descentralizada de 2008, com o chamado que o FSM fez para um Dia de
Ação e Mobilização Global. A novidade está na combinação das duas com
as propostas que vierem das regiões pan-amazônicas em 2009.

1ª - Projetos compartilhados

As práticas de comunicação contra-hegêmonica de 2005 se deram através da construção, pelas mídias e movimentos midiáticos, de quatro projeto compartilhados que fizeram coberturas colaborativas: um pelas redes de rádios comunitárias, livres e populares (Fórum de Rádios), outro pelos vídeo-ativistas em parceria com algumas emissoras de caráter público (Fórum de TVs), outro de articulação entre diferentes projetos de cobertura ? texto e
foto para internet, boletins e mídias impressas, marcando também a
quinta edição da Ciranda, e um laboratório de conhecimentos livres,
reunindo tecnologias e saberes livres e caracterizado fortemente pelo
conceito de auto-gestão. Participaram projetos representativos de
experiências do Fórum Social das Américas, como a Minga dos Movimentos
Sociais, e do FSM em construção na África, como a produção do jornal
impresso diário Flamme d’Afrique. As experiências de 2005 ofereceram o
formato para atividades em Caracas-2006 e para uma cobertura
compartilhada em Nairobi-2007.

2ª - FSM como ação global

Ao decidir que o FSM em 2008 não seria um evento, mas um chamado para ações e mobilizações pelo mundo todo, o Conselho Internacional do FSM transportou o encontro naquele ano para o território da comunicação. Foi preciso que atividades em diferentes lugares do planeta estabelecessem conexões e comunicassem agendas e
perfomances, recursos e dificuldades, lutas e contextos políticos, entre si. A comunicação descentralizada contou com novas ferramentas e estratégicas, como a organização simultânea de entrevistas de lançamento do Dia de Ação Global, site multilinguistico para troca informações sobre atividades, um site de troca pública de vídeos e uma articulação de coberturas alternativas de radio (fórum de rádios) e de
textos e fotos na 8 edição cirandeira.

3ª - Articulações da floresta

Os encontros Pan-Amazônico e das duas Comissões do Conselho Internacional em Belém, na última semana, foram decisivos para a estratégia de garantir que os povos da floresta sejam portadores de seus próprios conceitos, linguagens e formas para o processo de comunicação do fórum. Os GTs de Comunicação e de Cultura, integrados por organizações da floresta, trabalharão em conjunto com as entidades mobilizadoras dos Encontros Sem Fronteiras, para que as ações de expressão desses povos sejam priorizadas desde os encontros que ocorrerão antes do FSM nas regiões de Macapá, Alto Solimões, Alto Rio Negro, Região do Rio Madeira e Madre de Dios, áreas
de divisa com as Guianas, Suriname, Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia e com os Estados do Acre, Amapá, Roraima, Rondônia e Amazonas. Representantes desses encontros também participarão da construção dos projetos compartilhados, especialmente de radio, pela maior presença na floresta.