Página inicial > FSM/WSF 2015 - TUNIS > Tudo igual, só muda o endereço

Tudo igual, só muda o endereço

quarta-feira 5 de agosto de 2015, por Creuza Gravina,

Em um breve percurso por alguns países é possível perceber que valores, inquietações, reivindicações e problemas não são muito diferentes dos que temos no Brasil.

Chego em Madri, na Espanha, e me deparo com um grupo de jovens acampados em plena Plaza del Sol (agora chamada Vodafone Sol, conquista da poderosa empresa de Telecomunicações). Cartazes, discussões pacíficas e olhares dos passantes, em nada diferem dos recentes “acampamentos” na Cinelândia (Rio de Janeiro) e em diversas cidades do Brasil e do mundo.

No país vizinho, em Porto, cidade de Portugal, de uma esquina surge uma passeata de mulheres com alguns poucos homens, intitulada, “Marcha das Galdérias”, protestando em prol de questões feministas, assim como a “Marcha das Vadias” que ocorreu no Rio de Janeiro e outras capitais.

Um pouquinho mais distante, na famosa praça Syntagma, em Athenas, capital da Grécia, no dia seguinte ao referendo - no qual o “Não” saiu vitorioso - com os habitantes não aceitando as exigências impostas pelos credores – vemos mais manifestações, pronunciamentos de líderes de entidades e uma grande passeata, que muito lembrava os primeiros protestos brasileiros populares de 2013, quando grande parte da população participava num clima de união e de forma pacífica, sem bombas nem sprays de pimenta. Dias antes da votação, o clima ficou tenso e a polícia teve que intervir com gás lacrimogêneo. Meses antes também alguns protestos mais violentos chegaram a ocorrer, como no mês de abril, quando manifestantes lutaram em solidariedade a presos políticos.

A Grécia enfrenta séria crise e os moradores se deparam com bloqueios econômicos semelhantes aos que os brasileiros sofreram na “Era Collor”, porém o povo em geral, embora contendo despesas, permanece com a mesma simpatia e serenidade de sempre, lutando por melhores condições de vida, mas sem grandes atos de revolta. Na passeata notava-se muitas famílias com crianças, jovens e idosos, alguns representantes de Ongs, associações e categorias trabalhistas, todos caminhando harmonicamente, defendendo diferentes questões. Como em qualquer outra aglomeração, não faltaram ambulantes, vendendo o tradicional “churrasquinho grego” acompanhado da cervejinha para tornar o clima mais leve. E como ninguém é de ferro, após cumprido o “dever político”, outros blocos de pessoas começaram a se formar, desta vez caminhando rumo à praça Exarchia, famosa pela boemia alternativa e conhecida como lugar de resistência e encontros de artistas, intelectuais e anarquistas. Lá, inúmeros jovens (de 16 aos 70 anos ou mais), curtiam a noite, seja bebendo no meio da praça latinhas ou long necks compradas nos depósitos ou sentados em um dos inúmeros bares das ruas transversais.

Creuza Gravina