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Uma paquistanesa e um indiano num propósito em comum: o direito à infância digna

terça-feira 14 de outubro de 2014, por Sucena Shkrada Resk,

O universo geopolítico é marcado por cisões de décadas que comprometem a qualidade de vida de suas populações, mas dois cidadãos conseguiram unir dois países separados, desde 1947, pelo menos, neste momento, por causa de suas iniciativas individuais voluntárias e propósitos em comum na defesa da infância e da adolescência com dignidade. Talvez nunca tenha se falado tanto sobre estes ativistas, como nesta última semana, quando foram anunciados como os vencedores do Nobel da Paz deste ano. Assim foi possível dar visibilidade mais ampla às causas que a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, 17 anos, e o engenheiro indiano Kailash Satyarthi, 60 anos, defendem. Projetou-se uma luz a alguns abismos a serem superados.

A história de Malala revela, apesar da pouca idade, um ser humano resiliente, que quase morreu, por defender o direito das meninas estudarem em seu país (veja aqui no blog, o artigo que escrevi a respeito, no ano passado – “Educação: o exemplo de Malala”. A sua causa extrapolou sua nação e hoje ela, que ainda é uma estudante (na Inglaterra), afirma ter um olhar voltado a todas as pequenas e jovens cidadãs, que são impedidas de ter acesso ao ensino e a decidir seus destinos em outros lugares no planeta.

"...Vejo esse prêmio como uma mensagem para as pessoas de amor entre o Paquistão e a Índia e entre as diferentes religiões. E nós dois apoiamos uns aos outros. Não importa a cor de sua pele, que língua você fala e qual religião você acredita...Todos nós devemos lutar por nossos direitos, pelos direitos das mulheres, pelos direitos das crianças e de todo ser humano”. A adolescente lembra que cerca de 57 milhões de crianças não têm acesso à educação e essa é uma causa que se envolverá ainda mais e que precisa de apoio e sensibilização em todas as partes do mundo.

Satyarthi milita no combate à exploração de crianças para ganho financeiro e sua mobilização tem contribuído na criação de tratados internacionais sobre o tema. Ele é presidente da Marcha Global contra o Trabalho Infantil e membro da Organização Não Governamental (ONG) norte-americana Centro de Vítimas de Tortura. Ele chegou a liderar um movimento pacífico, em 1998, que levou mais de 7 mi pessoas às ruas. Estima-se que hoje haja cerca de 170 milhões de crianças em situação de exploração no planeta.

Passado, presente e futuro. Os dois ativistas, de certa forma, propõem uma releitura cultural e que está na base dos princípios dos direitos humanos. No sentido mais profundo da expressão, dão voz àqueles que não encontram eco nas instâncias que decidem, e revelam o quanto o extremismo e a negligência de conduções políticas podem ser fatores desconstrutivos não só a uma nação, mas globalmente.

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk


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