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Uma tarde de prosa com ’dona’ Narzira, de Superagui (PR).

domingo 11 de maio de 2014, por Sucena Shkrada Resk,

Um quadro se desenha com a narrativa que começa de forma tímida, numa tarde de sábado. Nas primeiras horas da manhã, em alguns dias da semana, ‘dona’ Narzira Ignácia das Neves Santos, 75 anos, conta que sai em seu pequeno barco a remo com sua colega e vai pescar o alimento de seu dia a dia, nas águas do mar paranaense. Em outros dias, segue para o mangue, e pega caranguejos, mariscos e ostras. Essa incansável senhora ainda encontra tempo para dedicar outra parte de seu tempo ao artesanato com conchas, escamas de peixe e a prática do tear. A palavra cansaço não faz parte do vocabulário dessa moradora da vila de pescadores artesanais da Ilha de Superagui (PR).

É na sua pequena lojinha, em uma casa modesta em frente à praia, presenteada por um de seus filhos, que revela seu talento manual, que aprendeu com seus pais. São chapéus, bolsas com fibras de bananeira, junco e cipó, além de enfeites com conchas que viram diferentes animais, personagens... Com seu jeito simples, ela narra um pouco de sua encantadora história de vida, que é uma marca dos povos tradicionais. E completa - “Não posso ficar parada, senão fico doente”.

Nascida em Matosinhos (PR), a aposentada conta que vive há 36 anos, na Ilha, onde fica o Parque Nacional de Superagui. “Adoro pescar e saio mais ou menos às 7h e tem vez que só chego no final da tarde. Vou remando e a gente pesca badejo, garoupa e robalo. Teve uma vez que até consegui pescar uma pescada grande. ”, se orgulha. Para ajudar na renda, ela faz o artesanato, que aperfeiçou depois de participar de um curso há alguns anos no município de Guaragueçaba. “O que sei também já tive oportunidade de ensinar muita gente”, diz. Quando opera com desenvoltura o tear, aí revela duas décadas de experiência nesta tradição, que aos poucos vai se perdendo no Brasil.

Apesar das dificuldades, ‘dona Narzira’, se mostra uma pessoa resiliente. Por três anos, teve erisipela, que deixou suas marcas presentes em suas pernas. Mesmo assim, caminha pelas praias para catar conchinhas, sem reclamar, ... “Gastei muito dinheiro, nessa época, e até hoje estou pagando empréstimos, mas estou feliz porque tenho saúde e posso trabalhar”, fala. A sua felicidade se completa ao ver duas de suas filhas que são professoras na própria comunidade, além dos outros filhos que se emanciparam. São conquistas, que deixam essa senhora paranaense, com sorriso largo estampado no rosto.

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk
Crédito da foto: Sucena Shkrada Resk


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