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Por que o PL do FUST é um desastre

Está em vias de aprovação na Câmara dos Deputados um projeto de lei (PL 1481/2007) que modifica a lei do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (lei 9998/2000). Sob o véu de agenda positiva, esconde-se um texto desastroso e anacrônico.

Estado Laico
EBC suspenderá programas religiosos

Os realizadores terão seis meses para retirar a programação do ar.



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Escravidão Moderna

segunda-feira 30 de abril de 2007, por Jéssica Balbino

Hoje não existe mais escravidão. Será que não mesmo? Acredito naquilo que chamamos de ‘escravidão moderna’. Ela atinge todas as raças, negros, brancos, índios ou amarelos. A escravidão foi substituída pelo salário, que nunca dá para o que precisamos. Se chegamos atrasados no serviço, o patrão olha torto. Com endereço da favela ou da periferia, ninguém consegue emprego. Se o pé estiver sujo de barro da enchente da noite anterior então...esquece !

As universidade formam milhares de analfabetos todos os anos e a mídia continua afirmando que ‘sobram vagas no mercado de trabalho, o que falta é qualificação profissional’.
Como é que é mesmo?

Um círculo vicioso. Se o nego está desempregado, não consegue pagar para se ‘qualificar’ e conseqüentemente, está cada dia mais, fora do mercado.

Grande mercado, que quando emprega, escraviza. Tem gente que trabalha 10, 12 horas por dia, sem falar do horário em que levanta, para pegar as conduções e chegar cedo no trabalho, antes que o patrão olhe feio.

Na capa da revista Carta Capital, que pouca gente lê, porque é cara, linguagem culta, não fala para o povão...(As revistas de fofoca são mais interessantes, nos tiram da rotina maçante.)
Pois é, a capa deste mês traz os jovens diplomados que não conseguem emprego. Em determinado trecho da reportagem, alguns jovens da classe média, atualmente em crise, dizem que não farão estágio, tampouco vão trabalhar por um salário de R$ 1 mil. “Isso seria o mesmo que prostituir a minha profissão”. É o que dizem, porque pensar ninguém pensa mesmo.

Já na capa da Caros Amigos, que menos pessoas lêem, traz a reportagem “Como é a cabeça dos estudantes de jornalismo”. A resposta está dentro da reportagem. É uma cabeça vazia, alienada e na maioria das vezes, elitista.

Agora eu pergunto, como é a junção da cabeça de um estudante de jornalismo, com os baixos salários que pagam aos recém formados, somada a uma jornada de no mínimo 10 horas de trabalho diários (isso inclui finais de semana), que mora na periferia???

É, sobreviver ao sistema é difícil. Sou jornalista, recém-formada, ganho muito aquém do que eu paguei, com muito esforço, por mês na faculdade, trabalho em média 10 horas por dia (sem horário de almoço), paro no máximo 20 minutos para comer a marmita esquentada, que eu carreguei dentro da mochila, toda amassada, no busão lotado. Fico com medo do patrão chegar e brigar porque esquentar a comida deixa todo o prédio do jornal cheirando. Não tenho a menor condição de fazer um curso de aperfeiçoamento da profissão. Preciso trabalhar, me manter. Se for na área, pagam menos, mas eu gosto do que eu faço, preciso adquirir experiência no campo prático. Queria me qualificar. Paguei um curso que eu poderia fazer, quatro sábados à tarde. Mas eu trabalho no sábado à tarde. Talvez se eu ficasse 12 horas por dia durante a semana, adiantando as minhas matérias e mais umas 4 horas no sábado, eu conseguiria ir para o curso sem que meu patrão percebesse ou me xingasse. Arrisquei. Paguei o curso, relativamente caro, perto do que eu ganho. Me animei em conhecer um pouco mais sobre um determinado assunto. É na área que eu pretendo mestrado. Fodeu. Meu patrão está descontente. Quer um jornal feito só para ele. Estrutura? A gente tem que se virar, no final do dia ele quer matéria polêmica.
Sábado à tarde...fiquei sem o curso, sem a grana e frustrada. Na cabeça dos estudantes de jornalismo não passa muita coisa. Na minha, que já me formei, milhões de questionamentos, dúvidas, incertezas e uma imensa tristeza, por não conseguir sair do lugar, dentro do nosso sistema.
Se eu estiver animada, à noite eu vou num evento de hip hop, buscar na minha cultura, marginal, algo que ainda me faça sonhar...e se eu estiver animada, escrevo uma matéria.

5 Mensagens

  • Escravidão Moderna 2 de maio de 2007 14:48, por Lucilia Lopes

    Interessane pensar, no entanto é mais importante reagir.
    Nós quem trabalhamos 10hs ou mais não podemos aceitar as conduções lotadas, não devemos intimidar por não termos uma moradia digna, ou ainda ficar com vergonha por levar marmita e ter que esquentar.
    A consciência que temos não pode morrer conosco, é necessário pensar, falar, fazer e agir com determinação.
    Concentre suas energias no sentido de realizar o que você deseja.
    Procure perceber suas capacidades e limitações que não são suas.
    Podemos trocar idéias, quando trabalhamos?!!!!!!

    Então uma das muitas idéias que tenho é, não pagarei o ônibus quando ele estiver lotado e eu ter que ser transportada como em uma lata de sardinha. Te garanto que se em uma semana outras pessoas se envolverem nessa idéia a empresa colocará mais ônibus na linha.
    É Isso colega, vamos multiplicar nossas idéias, não deixe que o sistema e meio de produção capitalista te esmague.

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    • Escravidão Moderna 15 de maio de 2007 16:18

      Depoimento da recem-formada jornalista demonstra como o assédio moral faz parte do cotidiano dos trabalhadores atualmente.
      Conheço bem essa realidade de estudar e não conseguir um trabalho dígno com salário suficiênte para as necessidades básicas... é real...escravidão, opressão, humilhação...
      Interessante a proposta do comentarista que propõe não pagar o ônibus se ele estiver lotadissimo...concordo, além do mais eu tive uma experiência em fazer isso de tão nervosa...
      Um dia peguei o ônibus em são Paulo, sentido ABCD, estava chovendo tive que abrir o guarda chuva dentro do onibus, eu e outras pessoas que estavam ali, achei um absurdo me recusei a pagar, o motorista ficou bravo, dizendo que eu deveria efetuar pagamento, eu disse não, não, não, foi uma confusão só...mas falei pra ele que quando o onibus estivesse nestas condições se recusasse a sair da garagem disse ainda que avizasse seu chefe ou prefeito da cidade que uma usuaria se recusou a pagar a passagem por ter ficado toda molhada dentro do onibus...
      Eu sei que a situação deste trabalhador também não e fácil, ele pode ser despedido se recusar a sair com o ônibus ...mas não posso fazer nada, apenas chama-lo a consciência, não existe parto sem dor...
      Acredito que só assim podemos ser ouvidos...

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  • Escravidão Moderna 31 de maio de 2007 09:59, por jmf

    Há um autor universitário que escreveu sobre essa funcção do capitalismo: criar uma escravatura invisível. Não me lembro do livro nem do autor. Foi publicado em 2004 ou 2005. Nunca encontrei o livro depois. Sabe o que é?

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  • admiravel mundo novo 10 de novembro de 2008 17:36, por Adriano

    bela materia minha cara amiga,
    sabe cada vez mais a globalização caminha
    para um novo paradgma de um romance
    bastante conhecido de "Huxley",
    a sociedade em si é alienada a não apenas
    a gostar de sua escravidão mas de lutar para
    conquista-la, consumismo, vicios, entreterimento
    sem valor intelectual, etc.....
    com certeza engenheiros emocionais por
    detras de outdoors estão felizes em manipular
    extruturas de uma nova era, o conceito de ter
    tomou lugar ao de ser...
    .........e é isso ahe escolas pagam pouco aos professores
    os alunos não tem uma boa educação em casa devido
    o pequeno tempo dos pais em educalos, governantes
    dilaceram a esperança de muitos e subvertendo valores
    a conquista de poder, mas não esquente a cabeça pois na novela das oito o bem sempre vence no final...........

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  • Escravidão Moderna 3 de janeiro de 2012 08:05, por joao

    Concordo com seu texto Jessica, um salário mínimo para um cidadão viver, pagar aluguel e se alimentar é sinônimo de escravidão , qual a diferença de fornecer um abrigo e um prato de comida em troca de trabalho??? não é violência física, é moral pois como sair dessa situação correr o risco de passar necessidades???

    Acredito que a unica solução para isso é a conscientização das pessoas, como já disseram, não se submeter a essas condições humilhantes , onibus lotado? 4 horas para se deslocar para o local de trabalho? 10 horas de trabalho, sem almoço? e ainda assédio moral?

    podem até fazer isso por um tempo, mais aposto eu, que se todos trabalhadores fossem cobrar seus direitos e PROCESSAR AS EMPRESAS isso acabaria ou pelo menos melhoraria ,chega a esse atentado as leis trabalhistas ... não aceitar condições deshumanas.... isso só acontece por que aceitamos.... uma fabrica nao funciona sem trabalhadores ...

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