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Um bilhão que se ergue

segunda-feira 18 de fevereiro de 2013, por Terezinha Vicente

Organizado pelas redes sociais, protesto global canta e dança pelo fim da violência contra a mulher e a criança. Em São Paulo, centenas realizaram ato no vão livre do Masp no último sábado.

"Uma em cada três mulheres no planeta vai ser estuprada, violentada ou
espancada em sua vida.
Um bilhão de mulheres violadas é uma atrocidade.
Um Bilhão de Mulheres dançando é uma revolução."
Assim estava no convite que pretendia a manifestação coletiva de “UM BILHÃO de mulheres e todos (as) aqueles (as) que as amam para sair, dançar, levantar-se e EXIGIR o fim dessa violência”.

Elas queriam que no dia 14 de fevereiro de 2013 – data em que se comemora o Dia dos namorados em vários países – um bilhão de pessoas se manifestassem ao redor do mundo contra a violência que atinge mulheres e crianças em todas as culturas deste planeta. Acho que não atingiram o número desejado, mas só os vídeos postados na internet mostram que milhares e milhares de pessoas foram levadas a refletir sobre os chocantes dados mundiais em relação ao feminicídio e à violência de gênero. “Um bilhão que se ergue” foi ação proposta pela dramaturga e ativista Eve Ensler, autora da famosa peça “Monólogos da Vagina” (The Vagina Monologues). Sua ideia é realizar, por meio de manifestações de dança, uma campanha global para acabar com a violência contra mulheres e meninas.

“Vamos parar com a violência exercida contra as mulheres!”,

escreveu Eve Ensler em artigo publicado no Le Monde, dia 14. A escritora diz que a “campanha se alimenta do desejo universal de dançar pela liberdade”. Cita diversos tipos de violência cometidos contra a mulher em qualquer lugar do mundo, desde o assédio até a mutilação genital feminina, passando pelo feticídio por ser menina, estupros coletivos, escravidão e tráfico sexual. Eve diz ainda ver uma “relação direta entre a forma com que é tratado o corpo feminino e a Terra”, tão maltratada quanto. “Impossível isolar os atos de violência exercidos contra as mulheres de outras formas de violência a que são submetidas”, cita Eve, “ injustiça económica, escravidão, desemprego, falta de respeito e desvalorização das tarefas exercidas pela maioria delas, imperialismo, militarização, comercialização e venda do corpo feminino”.

Parir e nascer sem violência

A primeira edição no Brasil aconteceu neste sábado, dia 16, dois dias depois da manifestação na Europa, África, Estados Unidos e Ásia, para facilitar a participação. Ninguém sabia bem quem eram as organizadoras, poucas feministas e lideranças do movimento de mulheres de São Paulo passaram por lá. “Eu fiquei sabendo pela internet”, contou-me Amelinha Teles, conhecida feminista brasileira, presente no vão livre do Masp. “Fui porque penso que a violência contra as mulheres é a expressão maior da ideologia patriarcal, que coisifica as mulheres e faz com que os homens se apropriem da vida e da morte delas É a expressão do dominio do corpo, da sexualidade, da liberdade, da opinião e da intimidade”.

Novas formas de organização, manifestação, protesto. Um vídeo convocatório que circulou pela internet foi o que chamou também a cientista social Sonia Hotimsky. “Fui ao Masp porque se tratava de uma manifestação mundial de oposição à violencia contra a mulher e a criança, o vídeo levanta claramente a problemática das relações de gênero”. Pesquisadora dos direitos reprodutivos da mulher e ativista pela humanização do parto, Sônia chamou a atenção para um dos cartazes erguidos “Parir e Nascer sem Violência”. Com apenas um megafone, as manifestações seguiram. A questão das doulas (que legisladores tentam impedir de participar do parto) foi tema de uma das falas que ouvi, assim como a questão do estupro, do assédio sexual violento no transporte público lotado, além do feminicídio e da violência doméstica.

Jovens em maioria, as participantes – alguns homens também falaram - foram mostrando um protagonismo de gente que não quer mais conviver com a violência que o patriarcado, ajudado pela mídia, continua propagandeando como natural. A maioria das falas colocava na mudança individual de comportamento a solução para essa histórica questão da violência, mas a indignação era comum. “Gostei bastante de participar”, opina Sonia, “acho pena que o movimento feminista organizado não tenha aderido com mais ímpeto à convocatória”. Também Amelinha diz que achou a iniciativa excelente, “mas faltou articulação com os movimentos que levam o enfrentamento da violência no dia a dia. Faltou levantar a denúncia de uma maneira mais contundente, mas valeu. Havia uma meninada que começa a despertar para uma questão tão grave como é a violência contra as mulheres”.

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