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Costa Rica: exemplo de cultura de paz e socioambiental

terça-feira 19 de março de 2013, por Sucena Shkrada Resk

Geralmente o que nos atrai na hora da escolha de um roteiro turístico são as belezas naturais e as características culturais do destino. Mas o meu olhar para a América Central me leva a querer conhecer a Costa Rica, também por outra peculiaridade. O que chama a atenção nessa nação de 51.100 km2, localizada entre a Nicarágua, Panamá e os oceanos Pacífico e Atlântico, é o fato de que, desde 1948, não mantém forças armadas. Algo especial em um mundo com tantas zonas de conflito. Com isso, as possíveis despesas que teria com armamentos e pelotões seguem para programas socioambientais. Essa é uma característica destacada no Relatório de Desenvolvimento Sustentável Humano 2013 - Ascensão do Sul - Progresso Humano num mundo diversificado, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Ainda é prematuro afirmar, que a decisão costa riquenha, que vigora há quase 70 anos, torna esta nação um exemplo a ser seguido diante de um mundo predominante bélico, onde guerras civis e internacionais afloram em diferentes regiões (por diferentes contextos históricos). Entretanto, é indiscutível que sua iniciativa inspira a cultura de paz e merece mais estudos, relatos e escuta. Em 2011, diante da necessidade de preservar o território diante de zonas de conflito, o governo chegou a criar a polícia de fronteira, mas conserva sua política de segurança nacional.

Em 2012, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Costa Rica subiu para 0,773 contra 0,621. Analistas consideram que a prioridade de recursos do governo dirigida às áreas social (educação e saúde) são fatores importantes nesse novo cenário. No mundo atualmente, são cerca de 20 nações que seguem o exemplo costa riquenho de não manter forças armadas, mas muitos deles dependem de auxílio externo para a segurança nacional.

POLÍTICA SOCIOAMBIENTAL

O capital ambiental da Costa Rica e a condução das políticas locais a respeito também não passam despercebidos. O país mantém um Conselho Presidencial Ambiental (composto somente por representantes do Executivo), que apresenta na agenda quatro metas principais, que são o ordenamento territorial, proteção dos recursos hídricos, neutralização de carbono e impulso às energias renováveis. Como em outros países em desenvolvimento, há uma preocupação com o planejamento urbano principalmente da grande área metropolitana e da província de Guanacaste.

Um dos objetivos divulgado pelo governo federal é que até 2021 haja a neutralização das emissões (hoje é responsável por 0,02% das emissões globais). Para isso, algumas medidas em curso são a redução de 5% do uso de combustíveis fósseis na frota de veículos e de transporte público, como também a reorganização do sistema. E a maior conquista costa riquenha é chegar a 95% de predominância de energias renováveis na matriz energética.

O ecossistema e a biodiversidade do país são elementos que são considerados estratégicos nas políticas públicas. Um país com florestas tropicais úmidas, cordilheiras e planícies costeiras também exibe em sua rica geografia vulcões. E poucos sabem que o país concentra a maior quantidade de espécies de orquídeas do planeta (mais de 1 mil), além de uma fauna diversificada.

A evolução da recuperação da vegetação vem num quadro ascendente nas últimas duas décadas. Estima-se que hoje existam mais de 50% de matas contra 25% naquele período e a meta é que chegue a 65% por volta de 2021. Alguns dos dispositivos utilizados no país são o pagamento a proprietários de floresta que preservam as áreas, e a criação de um imposto sobre o consumo de petróleo. Em 2011, também criou a Área Marina de Manejo de Monte Submarino (no Pacífico), que é considerada a maior da região, depois de Galápagos.

Por esse conjunto de ações, a curiosidade aumenta e faz com que enxerguemos esse pequeno país em suas potencialidades.

*Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

Ver online : Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk

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