Imagens da abertura do FSM na Tunísia

escrito por Bárbara Ablas

Milhares de manifestantes ocuparam as ruas do centro de Túnis,dia 26, durante a marcha que abriu o Fórum Social Mundial 2013

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Vozes ainda presentes

escrito por Bárbara Ablas

Começou nesta segunda-feira, 25, na Vila das Mídias Livres, no Campus da Universidade El Manar, Tunísia, uma exposição em tributo a midiaativistas que deixaram um legado de luta pelo direito à comunicação. Produzido pela Ciranda em parceria com as organizações Ejoussour e Ritimo, o memorial é fruto de uma ação coletiva de ativistas que se juntaram para organizar textos - nos idiomas português, inglês e francês - além de fotos e ilustrações que contam a trajetória desses militantes.

A maioria dos homenageados perdeu a vida porque ousou denunciar diversas situações de violação de direitos humanos em seus países e no mundo. É o caso de Stephen Nyash, morto a tiros no Quênia. Participante dos fóruns sociais em Nairóbi (2011) e Dakar (2007) , Nyash atuava na Rádio Koch, a primeira comunitária do País. Ou Fidan Dogan, assassinada em Paris, onde trabalhava no Centro de Informação do Curdistão. Ela também esteve presente nas edições do 2º Fórum Mundial de Mídia Livre, no Rio de Janeiro, e na Cúpula dos Povos paralela à Rio + 20, em 2012. Outros, tiveram a vida inesperadamente interrompida como aconteceu com Gabriel Pillar, que morreu aos 22 anos em um acidente de carro. O jovem foi um ativista da mídia digital e pioneiro no mundo dos blogs.

O memorial ficará exposto até dia 31 de março de 2013, no Campus da Universidade El Manar.

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Além da imaginação

escrito por Bárbara Ablas

Rede nº62 setembro de 2010 - Juntar arte e tecnologia dá samba. Ou techno music. E um grupo que está em sintonia total com essa composição tão criativa é o coletivo independente denominado Multimídias, Sistemas & Arte, mais conhecido como MuSA. No plano conceitual, a proposta é estimular a criação, a reflexão e a troca de conhecimentos entre arte e tecnologia. Na prática, a galera fabrica interfaces tecnológicas alternativas de baixo custo. Com sucata de computadores e tecnologias livres, desenvolvem pesquisas e projetos experimentais em áreas como música, games, organismos cibernéticos, tecnologia “vestível”, entre outras interfaces interativas. “Começamos em 2008, como um núcleo de pesquisa que utilizava computação gráfica, sensores e atuadores retirados da sucata para dialogar com ambientes externos”, diz Vilson Vieira, integrante do MuSA e professor do curso de Ciências da Computação da Universidade de Santa Catarina (Udesc).

O coletivo, composto por outros quatro acadêmicos da Udesc, aposta na democratização do conhecimento técnico para mostrar que todos podem aprender a construir seus próprios projetos e artefatos. “Queremos desmistificar a ideia de que a tecnologia é uma caixa preta que poucos podem explorar”, ressalta Vilson. Por isso, o MuSA tenta aproximar as pessoas do “como se faz” ensinando conceitos básicos das áreas de computação, eletrônica, softwares e hardware livres e relacionado-os a reciclagem de material tecnológico.

Foi o que aconteceu no Ateliê Livre, atividade realizada durante o 11º Fórum Internacional de Software Livre (FSL), em julho, em Porto Alegre (Rio Grande do Sul). Organizado pelo MuSA, em parceria com o Centro Marista de Inclusão Digital (CMID), de Santa Maria (RS), o Ateliê funcionou como um laboratório coletivo de experimentação em arte e tecnologia. O público conheceu, por exemplo, a interface DJ, feita com um HD (disco rígido) tirado do lixo. É possível manipular o CD do HD como fazem o DJs em suas mesas de som.

Outra criação que fez bastante sucesso entre crianças e adultos foi um controlador para jogar Super Mario Bros usando apenas as pernas apoiadas sobre uma plataforma de papelão. “No pedaço de papelão ligamos sensores de pressão chamados piezoelétricos. Conforme as pessoas pisavam nos sensores, o personagem acompanhava os movimentos do corpo”, explica Oriel Frigo, do MuSA. Esse projeto deve ser mostrado também na 9ª edição do SBgames (Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital), que acontecerá em Santa Catarina, em novembro.

Um joystick transformado em instrumento musical e em controle para movimentar um robô é mais um exemplo de como é possível atribuir diversos significados para uma mesma peça reciclada. “Ao invés do teclado conectado ao computador, usamos o joystick para produzir música eletrônica. Depois, modificamos a peça para controlar um robô construído pelo CMID”, conta Vilson.

Sem limites

Além de muita criatividade e sucata eletrônica, o que está por trás dessas invenções são tecnologias livres que facilitam a vida de experts e amadores. O MuSA desenvolve projetos com o Arduino, uma plataforma de hardware e software de código aberto e documentação Criative Comons, baseada em microcontroladores eletrônicos, que permite o controle de redes, tomadas, leds, motores e sensores. O Arduino pode ser usado para desenvolver objetos autônomos e interativos como robôs e obras de arte eletrônica. Como o programa é livre, desenvolvedores, arteiros e entusiastas da tecnologia podem reescrever o código e dar asas à imaginação. “O Arduino é bem amigável e até quem não sabe nada sobre programação ou eletrônica pode construir uma placa”, afirma Vilson. Quem não quiser fazer a sua, pode comprar a um preço acessível, de cerca de 30 dólares. O MuSA também ministra oficinas de hardware livre tanto para pessoas ligadas a computação e artes, quanto para leigos. “E todos conseguem aprender”, garante Vilson.

Gabriela Thumé, integrante do coletivo, está utilizando o Arduino em um projeto de game baseado em tecnologia “vestível”. Ela está confeccionando uma camiseta que funcionará como interface para simular o Genius, um antigo jogo de memória visual e sonora. “A camiseta tem LEDs de alto brilho e cores diferentes, que lixei para aumentar a dispersão da luminosidade” conta. Ao todo, são seis botões, cada um com um led no centro e programados com o Arduino. “Quer mais interatividade do que vestir o jogo?”, brinca a criadora da peça. Apesar do Arduino não ser novidade no mundo da tecnologia, ainda é um recurso tecnológico desconhecido do público. “O interessante é que o Arduino tem formado uma grande comunidade de pessoas para estudá-lo e aperfeiçoá-lo”, diz Alan Fachini, outro componente do MuSA.

Dois projetos experimentais do grupo também apresentados no Ateliê Livre do FISL 11 também estão abertos à construção colaborativa. Um é o protótipo de uma mesa multitoque, que pode ser utilizada para aplicações em atividades educacionais, performances musicais, criações visuais e games. “A mesa multitoque é um computador com uma tela sensível ao toque, que dispensa o mouse ou teclado para interagir com o conteúdo”, enfatiza Alan, esclarecendo que existem muitos equipamentos desse tipo no mercado, dos mais simples aos mais avançados. A grande questão, ressalta ele, é democratizar o conhecimento e contribuir para o avanço das tecnologias livres. Por isso, o coletivo documentou toda a pesquisa na web, incluindo um passo a passo em textos e imagens para quem quiser construir uma mesa dessas. Outro é o Arduinome, um controlador usado geralmente para a produção musical baseado no Monome, também considerados hardware livre, explica Vilson. O Monome é uma caixa com botões que, ao serem pressionados, acendem LEDs e emitem sons. Com o equipamento, músicos e curiosos podem se deliciar criando e mixando sons.

Planta inteligente

O MuSA também atua com profissionais das artes, sempre na mesma linha de promover imersões e intercâmbio de conhecimento. Entre abril e maio, o coletivo ministrou o curso de extensão Oficina de Arte e Tecnologia, em Joinville e Florianópolis, em parceria com o curso de Artes Visuais do Centro de Artes (Ceart) da Udesc. Os participantes foram capacitados para a criação de instalações multimídia com tecnologias de código aberto. O resultado do encontro entre a arte e as ciências da computação foi apresentado na exposição Mimesis Mülleriana – uma Plagiocombinação, realizada em Joinville, em julho, na Galeria Municipal Victor Kursancew. O nome da exposição foi inspirado no conceito de Mimetismo Circular, atribuído à descoberta do naturalista alemão Fritz Muller que, observando a flora e a fauna, percebeu que em alguns casos espécies diferentes se imitam reciprocamente por questões de sobrevivência. Para Gabriela, o MuSA vai “contra a corrente” ao realizar parcerias desse tipo: “A maioria das pessoas que estão na área de arte e tecnologia são do curso de Artes e resolveram se aventurar pelo mundo da programação. O contrário é difícil acontecer”.

Um dos xodós do coletivo é a Phytonetiké, uma planta cibernética exposta na Mimesis Mülleriana. O nome é a combinação das palavras gregas phytos (planta) e kibernetiké (cibernética). A Phytonetiké é um organismo autônomo equipado com sensores de luminosidade, umidade e temperatura. Com um sistema de locomoção acoplado e uma rede de neurônios artificiais conectada, a planta se movimenta sozinha em busca do que precisa para sobreviver. Segundo Vilson, o objetivo é discutir os limites entre orgânico e inorgânico, natural e artificial e o desenvolvimento de organismos ciborgues.

www.musa.cc

LED
Do inglês Light Emitting Diode, é um diodo emissor de luz. Como o dos relógios digitais.

Vira, vira, vira mídia!

escrito por Bárbara Ablas

ARede nº61, agosto 2010 - Com mais de dez premiações nacionais e internacionais no currículo, a ONG Viração, baseada em São Paulo, acaba de conquistar mais um troféu para a sua coleção: em junho, recebeu o Prêmio Internacional de Educomunicação da União Internacional de Imprensa Católica, com sede em Genebra, na Suíça. Em sete anos de existência, a Viração ganhou quase um prêmio por ano, entre eles o Ponto de Mídia Livre, do Ministério da Cultura (MinC); o Don Mario Pasini Comunicatore, da instituição de caridade italiana Cuore Amico; o prêmio do Programa de Ação Cultural (PAC) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em 2007; e o Prêmio Cidadania Mundial, concedido pela Comunidade Bahá’í do Brasil.

Todo esse reconhecimento se deve à abrangência do projeto, que já capacitou centenas de jovens e adolescentes em cursos e oficinas de comunicação popular para produzir conteúdos audiovisuais, jornais, revistas e sites de internet. Por meio da Viração, que desde 2003 utiliza as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) para educar e mobilizar a juventude, os jovens participam da construção de um modelo de comunicação independente e democrático, que busca legitimar e fortalecer a representatividade da juventude. “Quando oferecemos ao jovem os mecanismos de participação nos meios de comunicação, efetivamos um direito humano”, enfatiza Paulo Lima, jornalista e coordenador geral do projeto. A Viração tem o apoio institucional do Fundo Nacional das Nações Unidas (Unicef), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), da Universidade de São Paulo (USP) e da ONG Ashoka Empreendedores Sociais.

O projeto nasceu em março de 2003, quando jornalistas independentes criaram a Revista Viração para ser um projeto social impresso. O objetivo foi unir jovens e adolescentes do Brasil em torno de princípios como a defesa dos direitos humanos, a educação para a paz, a solidariedade entre os povos e a pluralidade étnica e racial. A revista é mensal, está na 65º edição, tem tiragem de 10 mil exemplares e tem um portal na internet. “A ideia foi preencher uma lacuna no mercado editorial infanto-juvenil”, explica Lima. “Por exemplo: as escolas utilizam em sala de aula revistas com linguagem adulta e visão distorcida da realidade brasileira”, diz. Segundo ele, havia uma demanda da juventude por informação de qualidade produzida por jovens, para eles e que levasse em conta a diversidade social e cultural.

Para atender a esses objetivos e alcançar a juventude em escala nacional, a Revista Viração apostou em um modelo de trabalho colaborativo e participativo: o conteúdo é produzido a partir de conselhos editoriais compostos apenas por jovens – ou virajovens – em 22 estados. Os conselhos têm em média 15 a 20 integrantes, vindos de centros culturais, escolas públicas e particulares, movimentos sociais e ONGs. O acolhimento dos conselhos em cada estado é feito por instituições parceiras, que cedem espaço para atividades e oferecem um “mobilizador de virajovens”, geralmente um educador ou um estudante de Comunicação. Capacitados em oficinas de texto, de inclusão digital e de formação em comunicação, os virajovens realizam coberturas jornalísticas sobre temas da atualidade, da região onde moram e principalmente da juventude.

Autonomia

Na revista, os virajovens têm carta branca para escolher os assuntos e o enfoque das matérias e produções audiovisuais. As pautas são discutidas por meio de um chat nacional que acontece uma vez por mês pela web. E às vezes são desenvolvidas por mais de um participante, de diferentes regiões do país. O resultado aparece na diversidade cultural e social da revista, muito diferente da maioria das publicações voltadas ao público infanto-juvenil, que privilegiam padrões de estética e comportamento. Rones Maciel, 25 anos, do Conselho Virajovem de Fortaleza, no Ceará, concorda: “Posso expressar meu ponto de vista de acordo com a realidade da qual faço parte. Aqui na minha região, ainda falta espaço para o jovem construir uma comunicação local”.

Os textos, fotos e vídeos produzidos pelos virajovens são editados por uma equipe fixa de redação em São Paulo, composta por jornalistas e estudantes de comunicação. Cada conselho contribui com a realização de uma reportagem ou seção da revista. O conteúdo, depois que é editado e diagramado em São Paulo, volta em arquivo PDF para os virajovens aprovarem. Até as capas das revistas são discutidas nacionalmente. A regra é não deixar ninguém de fora; por isso, a troca de informações dessa grande equipe de reportagem inclui todos os meios possíveis, do telefone ao Skype, do e-mail ao chat e às listas de discussão pela internet.

Formatar esse cruzamento de olhares diferentes em um produto final é um dos desafios de Ana Paula Marques, 29, responsável pela diagramação do portal e da revista. “No início me assustei com tantas pessoas opinando ao mesmo tempo sobre meu trabalho”, brinca. Ela revela que está preparando um novo projeto gráfico para o portal, previamente discutido com a turma, que deve sair do forno em setembro. A proposta é tornar o portal mais interativo, dar mais visibilidade às produções dos conselhos editoriais e integrar as redes sociais.

Os virajovens também participam de formações para aprofundar temas e organizar mobilizações. Um desses momentos foi a preparação de jovens para participar do processo da 1ª Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), realizada em Brasília no ano passado. A articulação foi promovida pela Rede de Jovens e Adolescentes Comunicadoras e Comunicadores, iniciativa que está sendo desenhada desde 2008 pela Viração. “Os conselhos não produzem apenas conteúdo mas também: mobilização social e política”, ressalta Vivian Ragazzi, jornalista da ONG. A também coordenadora do Movimento Virajovem, outra mobilização que está em construção, avisa que em outubro haverá um encontro nacional em Brasília, que decidirá novos passos e contornos para essa história.

Ações multiplicadas

A receita da Viração ainda rendeu muitos outros projetos de inclusão digital e social. Em 2009, por exemplo, a ONG capacitou 126 adolescentes da periferia de São Paulo para atuarem na Plataforma dos Centros Urbanos (PCU). O projeto, promovido pelo Unicef, utiliza ferramentas de educomunicação para melhorar a qualidade de vida e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes que vivem nas grandes cidades.
Em 2008, junto com o Unicef de Brasília e o de Nova York, a Viração lançou no Brasil o projeto Stop Exploitation, uma plataforma virtual que une jovens do mundo inteiro no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes (ver página 41). Com a TV USP, a Viração montou o programa de televisão Quarto Mundo, que vai ao ar pelo Canal Universitário e o IPTV USP. Na telinha e nos bastidores, jovens de 14 a 18 anos fazem a própria programação e aprendem, na prática, como se faz televisão. Eles passaram por oficinas de apresentação, áudio, iluminação, operação de câmeras, pesquisa, produção, reportagem e roteiro. A teoria também foi contemplada com palestras sobre a história da TV, o papel das TVs públicas e comerciais, e análise crítica de conteúdos das emissoras.

Adolescentes e jovens vivendo com HIV é o tema de outra ação em parceria com o Unicef, que veio para derrubar preconceitos. O projeto Comunicação para a Vida, criado em 2007, originou a revista Escuta Soh!. A publicação, que também tem conteúdo web, é produzida anualmente por uma equipe de jovens todo o Brasil. Em 2009, a revista foi para a terceira edição com tiragem de 5 mil exemplares nos idiomas espanhol, inglês e português. “A ideia não é falar sobre HIV e Aids, mas mostrar que os jovens nessa situação podem levar uma vida comum”, aponta Rafael Stemberg, 23, jornalista da ONG e editor da Escuta Soh!.

Além disso, desde 2005, a ONG toca a Agência Jovem de Notícias, que funciona durante eventos específicos como o Fórum Social Mundial (FSM). O conteúdo (textos, rádio-web, vídeo, fotos) é publicado em tempo real em um site que se renova a cada evento. O veículo surgiu em meio à efervescência política e cultural do 5º FSM, realizado em 2005, em Porto Alegre. É que a revista, em parceria com o Projeto Agente Jovem, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), realizou a cobertura do FSM. “Até mesmo na mídia alternativa, a fala é só do adulto”, acredita Lima. “Faltava contar a história do fórum pela visão dos jovens.”

A partir daí, a agência passou a cobrir outros eventos, como a 1ª Conferência Nacional da Juventude de 2008, em Brasília, e os Jogos Pan-americanos de 2007, no Rio de Janeiro. Chamada de PapoPan, a cobertura reuniu jovens e adolescentes da Cidade de Deus e da Favela da Maré, bairros pobres do Rio, capacitados em oficinas de educomunicação. Moradores desses locais também participam do Conselho Virajovem do Rio. “Dialogamos com outras comunidades para incentivar a comunicação comunitária”, diz a virajovem Gizele Martins, que também edita o jornal O Cidadão, veículo comunitário da Maré.

Por meio do projeto Jornal Mural na Escola, a Viração capacitou, desde 2007, mais de 500 estudantes e professores de 170 escolas públicas estaduais da capital paulista que oferecem ensino médio. O intuito foi incentivar os alunos a criar seus próprios meios de comunicação para divulgar ações das comunidades onde vivem. Os murais têm periodicidade quinzenal e um público de aproximadamente 255 mil pessoas, segundo estimativas da ONG.

Para o futuro, o plano é dar caráter permanente à agência de notícias e incorporar a metodologia do modelo virajovem em todos os projetos, inclusive nas escolas, conta Lima: “A meta é implantar núcleos de virajovens nas escolas do ensino médio do país para que os estudantes produzam conteúdo para a agência de notícias”.

No momento, a Viração alça voos internacionais: está atuando na Itália, em parceria com a Associação Jangada, de Trento, que vai contribuir com a viabilização da Agência Jovem de Notícias em São Paulo. Além disso, a ONG iniciou atividades de formação e consultoria em educomunicação para educadores sociais e lideranças juvenis do Unicef Itália, e promove intercâmbio entre jovens da Itália e do Brasil que têm objetivos em comum com os projetos da Viração.

www.revistaviracao.org.br
www.revistaviracao.org.br/agencia
http://viracao.org/escutasoh
http://movimentovirajovem.blogspot.com
http://quartomundotvusp.blogspot.com

Plataforma vira comunidade

Em 2008, durante o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, realizado no Rio de Janeiro, a Viração criou, juntamente com o Unicef de Brasília e o de Nova York, uma plataforma virtual que, desde então, serve como ponto de encontro preparatório de jovens do mundo inteiro que participaram do evento. Na ocasião, a ONG brasileira organizou oficinas de educomunicação para os participantes do congresso que, junto com os virajovens, produziram conteúdos em tempo real.
Um exemplo foi a entrevista com Marie Pierre Poirier, do Unicef no Brasil: o áudio é em paortuguês e, ao lado, um breve texto em inglês, também produzido por jovens participantes, descreve o conteúdo do vídeo. Outro exemplo é o artigo sobre segurança na internet, escrito pela própria coordenadora do Movimento Virajovem, Vivian Ragazzi, e traduzido para o inglês no site do StopX. Mais um exemplo: uma deliciosa reflexão de um virajovem, que se assina apenas Massao e descreve a cena comovente de uma participante do evento que viu o mar pela primeira vez.

Esses conteúdos ainda estão disponíveis online (links abaixo), mas o blog em português criado na época, contendo a cobertura do congresso pelos virajovens, já não está no ar. Hoje, o espaço criado pela Viração na época do congresso virou uma comunidade permanente, que continua sendo um ponto de encontro virtual dos jovens interessados no problema do abuso sexual de crianças e adolescentes. Mas está todo em inglês, como se o problema não existisse nos países que não falam inglês – como o Brasil. Uma pena, considerando a qualidade do material produzido originalmente em português e que ainda está lá, mas traduzido.
www.stopx.org/stopx-network/youth-articles/interview-with-marie-pierre-poirier-unicef-representative-brazil
www.stopx.org/stopx-network/youth-articles/web-of-people
www.stopx.org/stopx-network/youth-articles/i%e2%80%99m-going-to-record-the-sea-sound-for-my-father

Ver online : ARede

Internet para curar

escrito por Bárbara Ablas

O combate ao câncer infanto-juvenil agora conta com um poderoso aliado, capaz de ultrapassar fronteiras e integrar especialistas de todo o país: a internet. É o que mostra a experiência do Portal Oncopediatria. No ar desde de 2004, o portal funciona como um banco de dados sobre a doença no Brasil e oferece ferramentas para a comunicação remota entre médicos e outros profissionais da área de saúde.

O projeto foi desenvolvido pelo Núcleo de Saúde Digital do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (LSI / Poli / USP) em colaboração com a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope). A iniciativa recebeu financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Adilson Hira, coordenador técnico do projeto, explica que a ideia do portal é agilizar a divulgação de informações que auxiliem especialistas e o público leigo. O portal tem três canais com acesso distinto: um para oncologistas pediátricos; outro para pediatras e demais profissionais de saúde (enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e outros); e um terceiro para pais e pacientes.

Um sistema integrado no portal permite aos médicos registrar pacientes em escala nacional. “Com isso, é possível estabelecer o mapeamento da doença no Brasil em tempo real e contribuir para o levantamento de dados estatísticos e epidemiológicos que poderão ser utilizados pela gestão pública de saúde”, completa Hira. Atualmente, o portal tem mais de cinco mil pacientes com câncer infantil registrados e cerca de 300 médicos credenciados como usuários. Além disso, os médicos têm acesso pelo portal aos resumos de protocolos de tratamento desenvolvidos por grupos de pesquisa da Sobope. Os protocolos são fundamentais no tratamento do câncer porque definem os procedimentos que devem ser utilizados em cada caso, o que aumenta as chances de cura dos pacientes, segundo o coordenador executivo do Oncopediatria, Marcelo Zuffo. “A padronização do tratamento e a divulgação de informações podem ajudar a salvar muitas vidas em regiões onde falta medicina especializada, pois fornecem parâmetros de avaliação e procedimentos”, observa Zuffo. Isso favorece o atendimento de pacientes em suas cidades de origem, evitando o deslocamento para os centros urbanos.

O ambiente virtual permite aos médicos trocar experiências a distância, discutir casos e protocolos, e manipular exames por meio de videoconferência e fórum de discussão. O portal também tem uma agenda com eventos de oncologia pediátrica, mais de 50 teses e dissertações e centenas de publicações científicas. “Nossa intenção é formar um banco de dados brasileiro de qualidade”, explica Hira. O credenciamento dos médicos usuários e todo o conteúdo do portal passa por uma equipe editorial de médicos e tem o aval da Sobope.

O portal oferece um mapa com aproximadamente 50 hospitais de tratamento oncológico pediátrico e 12 casas de apoio em todo o Brasil. Entre os conteúdos oferecidos nesse canal estão dicas para o enfrentamento da doença, direitos dos pacientes, espaço para partilhar histórias pessoais e um livro para crianças, A batalha do bem contra o mal. A publicação, produzida pela Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC), está disponível para download.

Para saber mais:

www.oncopediatria.org.br

http://twitter.com/oncopediatria

http://bit.ly/a7LQ94

Publicado originalmente na revista ARede, edição nº 60, de junho www.arede.inf.br

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