Prisões na Europa revelam que a diplomacia curda incomoda mais que as guerrilhas

Assassinatos e prisões de interlocutores do povo curdo tem sido respostas ostensivas à tentativa de negociar saídas pacíficas para os conflitos na Turquia. O último preso, Ylmaz Orkan, é membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, impedido de chegar ao encontro mundial na Tunísia.

Em junho de 2012, Ylmaz Orkan e Rojbin (apelido da ativista Fidan Dogan) estiveram no Brasil em intenso convívio com as organizações sociais que movimentaram a Cúpula dos Povos para a Rio + 20. Participaram da Marcha por Justiça Social e Ambiental (foto) no centro do Rio de Janeiro, integraram mesa do II Fórum Mundial de Mídia Livre, na Universidade Federal, interviram na Assembleia dos Bens Comuns e, finalmente, participaram de uma reunião do Conselho Internacional do FSM para tratar da solidariedade ao povo curdo.

Ambos vinham atuando junto à comunidade internacional para fortalecer as saídas pacíficas em negociação na Turquia. Rojbin dirigia o Centro de Informação do Curdistão, em Paris. Yilmaz é membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM) e integra a rede Kurdish Network, além de ser vice-presidente da Kon-Kurd - rede de associações e federações que representam o povo curdo na Europa.

Em 10 de dezembro de 2012, Rojbin (foto ao centro) foi assassinada em pleno centro de Paris, junto com uma importante e histórica liderança feminista, Sakine Canziz (à esquerda), e uma jovem militante, Leyla Söylemez (à direita), dentro do Centro de Informação que Rojbin dirigia.

Em 24 de março último, Yilmaz foi detido no aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, quando embarcava para a Tunísia, impedido assim de participar do Fórum Social Mundial 2013. Agredido fisicamente no aeroporto, ele foi levado a uma prisão na Bélgica, sem notícias desde então.

A prisão foi solicitada pelo governo espanhol, na esteira de várias prisões realizadas na Europa. O argumento é uma suposta ação de Yilmaz para gerar recursos ao Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), listado como organização terrorista pela Europol. As prisões são consideradas pelas organizações curdas uma forma de intimidação para impedir que avancem as negociações de paz que podem tornar irreversível o reconhecimento político do Curdistão. Ou acordos que, minimamente, levem ao fim da repressão sobre os curdos na Turquia e ao cessar-fogo das guerrilhas que fazem resistência armada nas fronteiras.

Surpresas com a notícia, organizações do Conselho Internacional divulgaram nota pública pedindo a soltura de Ylmaz.

Entrave às negociações de paz

De acordo com a Kon-Kurd, as prisões e mortes coincidem com o período mais promissor das conversações iniciadas em 2009 e retomadas nos últimos meses com o governo turco. Os alvos têm sido os interlocutores e divulgadores da causa. Um deles, o diplomata Adem Uzun, que foi negociador direto dos curdos em Oslo, de 2009 a 2011, acabou preso em outubro de 2012. Um mês e pouco depois, no dia 3 de dezembro, nomes como Desmond Tutu, representante do Dalai Lama e o ex-presidente Jimmy Carter defenderam a retomada de uma proposta de paz.

Desmond Tutu chegou a gravar um video dizendo que sua mensagem aos turcos e curdos era uma só: "A paz é melhor do que a guerra. É melhor pra os seus irmãos e irmãs, para vocês e seus filhos, para seu país e sua região, e para o mundo que compartilhamos." Mas o terror veio mais depressa. Apenas sete dias depois da iniciativa internacional, Sakine, Fidan e a jovem Leyla foram executadas por assassinos profissionais no prédio da turística Rua Lafayette.

Difundir a história, a primeira difícil tarefa

No espaço do FSM, Ylmaz e Fidan buscavam dialogar com a diversidade de movimentos e organizações que trocam experiências e reforçam articulações na esfera da sociedade civil. Apesar de sua importância histórica, como um dos mais antigos povos hindu-europeus, pouca informação é divulgada sobre a luta do povo curdo contra sua fragmentação cultural e política, uma luta que não chega a reivindicar a separação ou independência dos países que integram, mas sim reconhecimento político, tema da longa marcha realizada em fevereiro de 2012, entre Genebra e Strausburgo, no frio de 3 a 12 graus negativos (foto).

Os curdos são distribuídos principalmente entre quatro países, e enfrentam dificuldades em todos eles, não importa a posição dos segmentos curdos em cada um.

Parte vive no Iraque, onde sofreu a repressão do regime de Sadan Hussein e enfrenta ainda hoje as hostilidades dos apoiadores do antigo governo. Ao Norte do Iraque, região fronteira com a Turquia, são mantidas bases de resistência curda, as chamadas guerrilhas taxadas de terroristas pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Outra parte vive no Iran, onde também é vista com reservas pelo governo. Na Síria, os curdos chegam a governar áreas autônomas e abandonadas pelo governo, mas também são alvo das forças antagônicas em disputa pela derrocada ou sustentação do governo de Bassar Al Assad.

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Finalmente, na Turquia, onde vive a maioria do povo curdo, suas lideranças são consideradas vozes da esquerda do Curdistão. O líder Abdullah Öcalan, do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). foi preso há mais de 14 anos no Quênia (foto) e condenado a pena de morte. A sentença só não foi cumprida porque a Turquia almeja ser parte da União Europeia e a pena de morte não é admitida no bloco.

Mesmo da prisão, em março de 2013, Abdullah Öcalan deu início a novas propostas de paz que representam alguma esperança para os curdos, mas incomodam todos os países que temem a força política que pode advir de uma identidade comum, histórica, e ainda por cima liderada pela esquerda curda na Turquia.

O diálogo é politicamente irrecusável, já que passa por um cessar fogo entre a Turquia e as guerrilhas curdas nas fronteiras e chegou a receber um sinal positivo do governo turco. O ministro da Justiça turca, Sadullah Ergin, declarou à mídia o pleno interesse no acordo, que poderia ser implementado até o final de 2013.

No dia 23 de março último os curdos comemoraram seu Ano Novo com a promessa de que uma declaração de Öcalan formalizaria a posição curda, ajudando a por fim às matanças de comunidades inteiras no interior da Turquia. A notícia foi divulgada pelo The Guardian, como um dos mais importantes passos para a paz. No dia seguinte, como um novo balde de água fria, Yilmaz Orcan foi encarcerado.

A relação com a mídia livre

Não é fácil ter notícia do povo curdo, que não seja pelas mídias alternativas e progressistas. Eventualmente, chegam notícias de verdadeiros massacres - como a descarga de arma química sobre habitantes da fronteira entre a Turquia e a Síria, denunciada no caso da aldeia de Roboski, relatadoa com imagens por Yilmaz, em 28 de dezembro de 2011, porém tratada sem maior destaque pela grande mídia.

As condições da comunicação do povo curdo foi o tema de Ylmaz no II FMML, no Rio de Janeiro. Os números apresentados na ocasião eram bem impressionantes, com cerca de 60 jornalistas curdos assassinados e a condenação do diretor de um jornal, o Livre e Atual, a mais de 140 anos de prisão. Ele relatou a experiência dos curdos de abrirem uma rede de tevê na Dinamarca, como alternativa à falta de espaço na mídia europeia. No entanto a resistência do governo turco foi ostensiva, tendo conseguido através da Otan cortar a recepção dos sinais do canal no país.

Para as mídias livres, o direito à comunicação, ao conhecimento, à memória e à identidade são bens comuns e casos de povos sem estado, como o Curdistão, o Saara Ocidental e a Palestina, que recebem tratamento desigual pela grande mídia, tem sido tratados nesses encontros, com trocas de depoimentos sobre experiẽncias voltadas a quebrar o cerco midiático.

Um encontro que fez falta para os curdos

Em 2011, o Conselho Internacional do FSM chegou a emitir sinais de atenção ao drama curdo, realizando uma reunião reduzida na cidade de Diyarbakir, no Curdistão turco, e a criar expectativas de que um próximo encontro internacional do Conselho seria realizado naquela cidade

A candidatura permaneceu aberta após em um novo encontro do Conselho em Bangladesh, em novembro de 2011, embora as dificuldades materiais e financeiras para realizar encontros em lugares diferentes, em curto espaço de tempo, já estivessem colocadas na mesa.

O CI chega a fazer duas reuniões internacionais por ano, com viagens pagas pelas próprias organizações participantes e um fundo solidário coletivo para a inclusão de outras, ficando para a cidade sede a responsabilidade pela logística de acolhida, hospedagem, etc. Os curdos asseguraram sua parte, preparando as coisas para um encontro que coincidisse com a celebração do Ano-Novo curdo em 2012.

No entanto, a decisão de concentrar energias nos processos organizativos do FSM 2013 levou o CI do FSM a evitar uma nova reunião ampliada fora do país sede da edição, dando lugar a uma série de reuniões locais na Tunísia - promovidas pelos organizadores do FSM, com algumas participações internacionais. Com isso, a proposta Diyarbakir foi prejudicada.

Para muitas organizações e movimentos sociais, a presença do Conselho Internacional em determinado contexto político ajuda a reforçar a solidariedade e a preocupação com os processos locais, e por consequência a visibilizá-los e protegê-los da repressão.

Yilmaz e Rogbin estiveram no Rio para saber do Conselho Internacional as razões da não realização da reunião internacional em Diyarbakir, e ouviram de Chico Whitaker, em nome do Conselho, um pedido de desculpas pela impossibilidade da viabilização do encontro.

Entre as últimas imagens de Fidan, uma registra sua presença no stand da TV Brasil, para entrevista à documentarista paraense, Célia Maracajá (foto), após da reunião do CI.

Depois disso, a notícia que chegou aos brasileiros foi a mesma divulgada na França: o assassinato de Rojbin e suas companheiras. Ela foi homenageada em Memorial do III Fórum Mundial de Mídia Livre, na Tunísia, onde seria esperada pelo seu trabalho no Centro de Informação do Curdistão em Paris, caso estivesse viva.

A segunda notícia chegou já no FSM de Tunes: a prisão de Yilmaz Orcan, esperado para os diálogos com a sociedade civil internacional. Mais de quinze dias depois, outras notícias ainda são aguardadas.

Confira a nota das organizações do CI.

P.S.

Fotos: acervo Ciranda, Pontão Eco, Yilmaz Orkan e Bia Barbosa

O FSM respira os ares revolucionários no mundo árabe

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Apesar de conflituosas, as muitas expressões das lutas no mundo árabe, que se confrontam pelo destino político de seus países, marcharam na mesma avenida, no dia 30 de março, pela libertação da Palestina. Saara e Curdistão também mobilizaram as atenções do FSM

Quando o Fórum Social Mundial nasceu em 2001, na cidade gaúcha de Porto Alegre, ao sul do Brasil, era difícil imaginar encontro igual acontecendo na Tunísia. O FSM propunha outro mundo possível engendrado pela sociedade civil em uma época em que a ditadura de Ben Ali mandava para as prisões qualquer voz dissonante dos seus interesses. Antes de pensar em sociedade civil naquele país, seria preciso derrubar o regime pela vontade das ruas, algo que nem os participantes tunisianos daquele evento de 2001 conseguiam antever.

Doze anos depois, na segunda quinzena de março, jovens ativistas de diferentes países começaram a chegar à capital Tunes, buscando o escritório temporário do FSM nos arredores da Avenida Bourguiba, para ajudar na tarefas finais de construção do território de utopias e estratégias que reuniu, entre 26 e 29 de março, cerca de 50 mil pessoas na Universidade d’El Manar. Junto com eles, ativistas da comunicação, de hackers internacionais a comunicadores das rádios comunitárias sem licença na África, começaram já no dia 24 de março, seu III Fórum Mundial de Mídia Livre. Esse formigueiro de voluntários, jornalistas e mídia-ativistas que precede os encontros do FSM já é a certificação do próprio FSM em movimento. Em Tunes, como em Porto Alegre.

O ambiente geopolítico das transformações sociais se transferiu, em uma década, da América Latina – onde vários governos autoritários foram trocados por alternativas mais populares – para o Norte da África. Dois anos depois que a Tunísia deflagrou os levantes conhecidos como a Primavera Árabe, que tiraram Ben Ali do poder, derrubaram Hosni Mubarak no Egito, impulsionaram revoltas em toda região do Magreb Mashreq e inspiraram movimentos como os Occupy Wall Street e Indignados de Espanha, o Fórum Social Mundial chegou a Tunes como processo solidário e integrado às revoluções em curso.

Che, Chávez e Chokri, lembrados

Embora o FSM procure jogar todas as suas luzes para os movimentos sociais que pressionam, mas não participam de partidos ou governos, dois acontecimentos na esfera da representação política institucional contribuíram para uma ligação simbólica entre as resistências na América Latina e no mundo árabe, durante o evento de Tunes.

A edição 2013 teve início ainda sob a comoção com o assassinato, dia 6 de fevereiro, de Chokri Belaid, líder de uma frente de partidos de oposição democrática ao novo governo conservador da Tunísia, cuja morte levou milhares de pessoas às ruas. O crime poderia ter provocado um recuo na participação no FSM, mas gerou o efeito contrário. Produziu uma demonstração imediata de apoio da sociedade civil mundial ao povo da Tunísia, contra as saídas violentas.

Já os latino-americanos chegaram a Tunes ainda sob o impacto da morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dia 5 de março, e que levou consigo uma referência dos processos de enfrentamento à dominação externa do continente. O encontro dos sentimentos foi celebrado em shows auto-organizados na Avenida Bourgiba e em atos e homenagens criativas como as inscrições em camisetas que brincavam com as iniciais de “Che, Chávez e Chokri”.

Denominador comum: Palestina

Os dois últimos anos não trouxeram apenas ventos revolucionários à região do mundo árabe. Trouxeram também reações violentas dos regimes ameaçados, intervenções externas indesejadas, como no Mali, confrontos entre diferentes movimentos de “libertação” nacionais, disputas entre partidos laicos e islâmicos, entre islâmicos moderados e conservadores, e também acusações recíprocas entre militantes de esquerda pelo mundo. Na Líbia, onde Muammar Gadaf foi assassinado em 20 de outubro de 2011,como na Síria, onde Bashar Al-Assad é ameaçado, rebeldes acusam apoiadores desses regimes de traidores da Primavera Árabe, e os defensores dos governos acusam os rebeldes de mercenarismo a serviço do ocidente.

Um fenômeno impossível em outro processo das esquerdas mundiais aconteceu nesta edição do FSM. Apesar de uma série de conflitos e hostilidades quase inevitáveis, as muitas expressões das lutas no mundo árabe marcharam na mesma avenida, no dia 30 de março, pela libertação da Palestina. O compromisso de por fim à ocupação israelense, na esteira de um massacre infanticida na Faixa de Gaza, em novembro de 2012, mostrou-se um denominador comum a todos os movimentos e organizações sociais presentes.

Futuro do FSM em debate

O FSM também contribuiu para elevar o tom do povo saaraui que, por duas vezes, nas edições do FSM de Dacar, no Senegal, e agora na Tunísia, sofreu hostilidades de ativistas marroquinos, contrários à independência do Saara do Oeste do Estado colonial do Marrocos. As agressões acabaram contribuindo para minar as chances do Marrocos de hospedar uma próxima edição do evento, um sonho das organizações democráticas marroquinas.

Além da Palestina e do Saara, outro povo sem estado foi motivo de preocupação no FSM. O representante do Curdistão no Conselho Internacional do FSM, Yilmaz Orkan, que vinha dialogando com a sociedade civil internacional em busca de apoio para as negociações de paz em curso na Turquia, onde a população curda vive sob repressão, foi preso no aeroporto de Bruxelas, quando embarcava para Tunes. Uma série não explicada de prisões e assassinados de curdos nos países europeus nos últimos meses vem tirando de cena as expressões mais diplomáticas do povo que se divide entre a Turquia, o Iran, o Iraque e a Síria, e busca reconhecimento político.

Todos estes acontecimentos, carregados de tensão revolucionária, compuseram o ambiente para o FSM refletir sobre seu próprio papel. É possível que um próximo encontro do Conselho Internacional ocorra na mesma região, dentro de seis meses, após um processo de consultas aos movimentos e organizações sociais sobre o seu futuro. Como tornar mais ágil e democrático o funcionamento dessa instância, as articulações em seu interior mais estratégicas e suas ações de solidariedade com os povos em luta mais eficazes? Estes são alguns dos desafios que a experiência no mundo árabe deixou no centro dos debates sobre o próprio FSM.

Foto: Deborah Moreira/Ciranda

FSM se mobiliza em solidariedade à Tunísia

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Assassinato de lider oposicionista provoca reações de organizaçõess integrantes do Conselho Internacional do FSM, que reforçam mobilização para edição mundial em março na Tunísia como um momento de apoio à luta pela democratização do país

A noticia chegou à lista do Conselho Internacional do FSM assim que o assassinato de Chokri Belaid foi transmitido pela Rede Al Jazeera, na quarta-feira. Morto com dois tiros, caiu na Tunísia uma das mais ativas vozes no país contra a influência religiosa sobre o Estado, e em defesa dos direitos civis e humanos no país

Lider dos Patriotas Democráticos e integrante da Frente Popular dos partidos de esquerda, Belaid vinha acusando os islamistas radicais pelos recentes ataques contra a oposição. No sábado anterior ao assassinato, uma reunião do PPD foi alvo de apedrejamento.

Em um pronunciamento à TV, no dia de sua morte, Belaid alertou que : "a violência é uma linha vermelha que ninguém deve passar. Claro que é possível desencadeá-la, mas depois não será possível controlá-la", disse.

Afirmar a solidariedade

A menos de dois meses para a realização de seu encontro internacional em Tunis, para onde se mobilizam caravanas regionais e delegações de diversos países do mundo, os membros do Conselho Internacional do FSM começaram e enviar mensagens de solidariedade e a demonstrar uma opinião que já ganhou consenso na instância política. A edição 2013 do FSM deve ser reafirmada no país, e as mobilizações rumo à Tunisia reforçadas, para expressar solidariedade ao processo de democratização desencadeado pela Primavera Árabe. O crime é tido como uma tentativa de amedrontar a população, e o FSM pode ajudar a fortalecer a resistência.

Um proposta de mensagem simples e direta, manifestando a tristeza com o crime e determinação quanto ao evento global rapidamente ganhou adesões e, em menos de um dia, já reunia quase uma centena de assinaturas - cada uma manifestando a voz de uma organização, rede ou movimento integrante do CI.

A mensagem, que segue ganhando adesões e chegará à família e companheiros de Chokri, assim como ao Comitê Organizador local do FSM, denuncia a intenção dos criminosos de acuar a resistência na Tunísia, "silenciar aqueles e aquelas que lutam pela justiça, liberdade, dignidade social", e pedem a rigorosa investigação, esclarecimento do crime e punição dos responsáveis.

Conheça o teor da nota:

Nós, as organizações signatárias, envolvidas nos preparativos para o Fórum Social Mundial, a ser realizado em março de 2013, em Tunis, estamos chocadas e indignadas com o assassinato de Chokri Belaid, um líder político que dedicou sua vida à luta pela liberdade, democracia e justiça social.

Expressamos nossas condolências à família do falecido, seus companheiros, aos democratas tunisianos, aos seus amigos e ao povo tunisiano pela perda de um homem que não cansou em defende-los

Este crime hediondo acontece após dois anos do início das revoluções na Tunísia e na região e menos de dois meses da realização do FSM 2013, em Túnis.

Este assassinato visa silenciar aqueles e aquelas que lutam pela justiça, liberdade, dignidade social, criar um clima de medo e ódio e abalar a Tunísia por meio à violência.

Tal ato não pode parar ou reverter o processo iniciado pelos democratas da Tunísia com quem estamos unidos e unidas. Nós acreditamos que as forças democráticas da Tunísia manterão forte e inabalável a convicção quanto à solução pacífica de conflitos para completar seu processo democrático.

Apelamos às autoridades tunisinas para que acelerem uma investigação urgente e imparcial que aponte os autores deste assassinato e para que façam todos os esforços para garantir que este ato não fique impune e que esse tipo de crime não se repita.

Estamos mais do que nunca convencidos e convencidas da necessidade de uma mobilização internacional para o sucesso do FSM 2013, para torná-lo um momento forte de apoio ao processo democrático na Tunísia.

Reunião na Tunisia sobre o FSM

O Comitê Organizador e representantes do Conselho Internacional farão uma reunião dias 15, 16 e 17 para avançar nos preparativos do FSM, marcado para o período de 26 a 30 de março e que será seguido de uma nova reunião do Conselho, dia 31 de março e 1 de Abril.

A reunião convocada para definir a programação do fórum também tratará da conjuntura tunisiana, e o significado do FSM e a presença internacional para os movimentos e organizações da sociedade civil tunisiana.

Alguns integrantes do Conselho Internacional do FSM no Brasil estarão presentes no encontro de fevereiro, levando solidariedade brasileria e contribuindo para difundir as informações do processo FSM na região da Primavera Árabe.

ABC EDITIONS

ABONG (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ONGS)

ACDA (AGIR POUR LE CHANGEMENT ET LA DEMOCRATIE EN ALGERIE)

ACME-MAROC (ASSOCIATION POUR UN CONTRAT MONDIAL DE L’EAU).

ACTION CONTRE LA VIOLENCE FAITE AUX FEMMES- ACVIF

ACTION JEUNES DES ASSOCIATIONS DES QUARTIERS DE CASABLANCA

ACTION JEUNESSE (FMAS)

AFAPREDESA

AFICOPARANT

AIDDA

AJAK ASSOCIATION DES JEUNES AVOCATS DE KHEMISSET MAROC

ALBA - SOGGETTO POLITICO NUOVO

ALIANZA SOCIAL CONTINENTAL (ASC) DE LAS ÁMERICAS

ALLIANCE INTERNATIONALE DES HABITANTS

ALLIENCE CREATION COMMUNICATION INT

ALTERNATIVE INFORMATION CENTER- PALESTINE

ALTERNATIVES (CANADA)

ALTERNATIVES INTERNATIONAL

AMIN CIVIC DEMOCRATIC ALLIANCE - EGYPTE

AMSITS – MAROC

APCV - AGENCE DE PROMOTION DES CULTURES ET DU VOYAGE

ARCI ITALIE

ARTICULACION FEMINISTA MARCOSURLATIN AMERICA

ASDHOM - FRANCE

ASOCIACION SAHARAUI DE VICTIMAS DE MINAS

ASSEMBLEE CITOYENNE DES ORIGINAIRES DE TURQUIE - ACORT

ASSEMBLY TO END POVERTY – US

ASSOCIATIOBN RACHDA ALGERIE (RASSEMBLEMENT CONTRE LA HOGRA ET POUR LES DROITS DES ALGERIENNES).

ASSOCIATION ADRAR POUR LE DEVELOPPEMENT MAROC

ASSOCAITION "ARTMIGRANT" NAPOLI - ITALIE

ASSOCIATION BENI ZNASSEN POUR LA CULTURE, LE DEVELOPPEMENT ET LA SOLIDARITE

ASSOCIATION CITOYENNE POUR LA DÉMOCRATIE PARTICIPATIVE

ASSOCIATION CITOYENNETE & CULTURE NUMERIQUE- ACCUN - TUNISIE

ASSOCIATION DE LUTTE CONTRE LE SIDA (ALCS) MAROC

ASSOCIATION DEMOCRATIQUE DE TUNISIENS EN FRANCE - ADTF

ASSOCIATION DEMOCRATIQUE DES FEMMES DU MAROC (ADFM)

ASSOCIATION DES AMIS DE LA DEMOCRATIE ET DE LA LIBERTE D’EXPRESSION ADLE –

ASSOCIATION DES CADRES TUNISIENS IMMIGRES EN FRANCE ACTIF

ASSOCIATION DES FEMMES POUR L’EGALITE ET LA DEMOCRATIE

ASSOCIATION DES MAROCAINS EN FRANCE AMF

ASSOCIATION DES TUNISIENS EN FRANCE - A T F

ASSOCIATION DROITS ICI ET LA-BAS (DIEL)

ASSOCIATION EL GHORBA - FRANCE

ASSOCIATION ESMAANI

ASSOCIATION FEMMES ET PATRIE - TUNISIE

ASSOCIATION FEMMES PLURIELLES

ASSOCIATION INTERNATIONALE DE LA COMMUNICATION PARATGÉE - COMPAS

ASSOCIATION MAROCAINE DE SOLIDARITE ET DE DEVELOPPEMENT (AMSED)

ASSOCIATION MEMOIRE DES LUTTES - FRANCE

ASSOCIATION MIEPNA DEVELOPPEMENT HOLISTIQUE

ASSOCIACIÓN MUNDIAL DE RADIOS COMUNITARIAS - AMARC

ASSOCIATION POUR LA DIGNITE ET LA LIBERTE "ADLT"

ASSOCIATION RELAIS PRISON – SOCIETE

ASSOCIATION RENFORT DES ASSOCIATIONS- ARA DA3M TUNISIE

ASSOCIATION RESEAU EURO-MAGHREBIN CITOYENNETE ET CULTURE - REMCC

ASSOCIATION SAHRAOUIE POUR LE DEVELOPPEMENT, LA DEMOCRATIE ET LES DROITS

ASSOCIATION THARWA N’FADHMA N’SOUMEUR ALGERIE

ASSOCIATION TOUENSA

ASSOCIATION TUNISIENNE DES FEMMES DEMOCRATES - ATFD

ASSOCIATION TUNISIENNE POUR L’INTEGRITE ET LA DEMOCRATIE DES ELECTIONS

ASSOCIAYION ADALA (JUSTICE) - MAROC

ASSOCIATION VOIX D’ENFANT RURAL - TUNISIE

ASSOCIAZIONE MEDITERRANEA E SENZACONFINE

ASUD - ECOLOGIA E COOPERAZIONE ONLUS ROMA, ITALIE

ATMF - FRANCE

ATPNE KORBA

Attac-genre

ATTAC FRANCE

ATTAC ITALIE

BABELS

BONNE GOUVERNANCE & ÉRADICATION DE LA PAUVRETE & DEVELOPPEMENT DURABLE -

BRAZILIAN NETWORK OF ARTEDUCATORS (ABRA)

CAMPOBASSO - ITALY

CARREFOUR ASSOCIATIF- MAROC

CEDETIM

CENTER FOR ENCOUNTER AND ACTIVE NON-VIOLENCE AUSTRIA

CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES DO BRASIL CUT

CENTRE D’ACTION LAÏQUE - BELGIQUE

CENTRO DE INVESTIGACION LABORAL Y ASESORIA SINDICAL (CILAS)

CETRI - CENTRE TRICONTINENTAL

CIRANDA

CLA – ALGERIE

COBAS - ITALY

COLLECTIF 3C

COLLECTIF DEMOCRATIE ET MODERNITE

COLLECTIF DES COMMUNAUTES SUB-SAHARIENNES AU MAROC ( MAGHREB) CCSM

COLLECTIF DES FEMMES TUNISIENNES - FRANCE

COLLECTIF DES TUNISIENS AMIENS

COLLECTIF NATIONAL DES DROITS DES FEMMES

COLLECTIF NATIONAL POUR LES LIBERTES CITOYENNES (CNLC)A

COMIPSO

COMITE DE VIGILANCE POUR LA DEMOCRATIE EN TUNISIE CVDTUNISIE

COMITE POUR LE RESPECT DES LIBERTES ET DES DROITS DE L’HOMME EN TUNISIE - CRLDHT

COMITE NATIONAL POUR LA DEFENSE DES TRAVAILLEURS LICENCIES ABUSIVEMENT «CNDTLA»

COMMISSION BRESILIENNE JUSTICE ET PAIX

CONFEDERATION DEMOCRATIQUE DU TRAVAIL (CDT)

COORDINATION MAGHREBINE DES DROITS HUMAINS (CMODH)

COSPE - COOPERAZIONE PER LO SVILUPPO DEI PAESI EMERGENTI

CRI

CRID - FRANCE

CSP75 - COLLECTIF SANS PAPIERS PARIS

DEMOCRAZIAKMZERO.ORG

EDGE FUNDERS ALLIANCE

E-JOUSSOUR – PORTAIL MAGHREB-MACHREK

EMCEMO PAYS BAS

EMMAÜS INTERNATIONAL

ENDA TIERS MONDE

ESK PAIS BASQUE

EURALAT

EURO-MEDITERRANEAN HUMAN RIGHTS NETWORK

FADOC MAROC

FAE

FAIRWATCH – ITALIE

FAHAMU NETWORK FOR SOCIAL JUSTICE

FAMES SENEGAL

FASTI

FCMA - FRANCE

FDIM FEDERAÇÃO DEMOCRÁTICA INTERNACIONAL DE MULHERES

FDT (FEDERATION DEMOCRATIQUE DU TRAVAIL)

FEDERATION DE TUNISIENS CITOYENS DES DEUX RIVES - FTCR

FEDERATION HUMANISTE EUROPEENNE

FEDERATION NATIONALE DES ENSEIGNANTS ET ENSEIGNANTES DU QUEBEC

FEDERATION SUD EDUCATION (FRANCE)

FEMINSTES POUR UNE AUTRE EUROPE

FEMMES MIGRANTES DEBOUT - France

FEMMES ALTERNATIVES (FMAS)

FIM-CISL (FEDERATION ITALIENNE DES OUVRIERS METALLURGISTES)

FIOM CGIL (ITALIA)

FIOM RWANDA REPRESENTATIVE

FNDP DE CÓTE D’IVOIRE

FOBDEC MAROC

FOCUS ON THE GLOBAL SOUTH

FONDATION FRANTZ FANON

FORO SOCIAL MEXICANO

FORSEM LYON

FORUM AFRICAIN DES ALTERNATIVES

Forum femmes méditerranée

FORUM DE FEMMES AU RIF. MAROC

FORUM DES ALTERNATIVES MAROC (FMAS)

FORUM DES DROITS DE L’HOMME AU NORD DU MAROC ET EUROPE.

FORUM DES ENFANTS DES REFUGIES PALESTINIENS

FORUM DES ORGANISATIONS NATIONALES DES DROITS HUMAINS EN MAURITANIE (FONADH)

FORUM ITALIANO DEI MOVIMENTI

FORUM MONDIAL DES ALTERNATIVES

FORUM PALESTINE CITOYENNETE – FRANCE

FORUM SOCIAL DES JEUNES EGYPTE

FORUM SOCIAL DES QUARTIERS DES QUARTIERS POPULAIRES - FSQP

FRANCE AMERIQUE LATINE

FRANCE LIBERTES – FONDATION DANIELLE MITTERRAND

FSU (FEDERATION SYNDICALE UNITAIRE)

GIORNALISTI CONTRO IL RAZZISMO - ITALIA

GLOBAL SOCIAL JUSTICE

GLOBAL PROGRESSIVE FORUM

GRASSROOTS GLOBAL JUSTICE ALLIANCE (UNITED STATES)

HABITAT INTERNATIONAL COALITION (HIC)

HEALTH WORK COMMITTEES - PALESTINE

HUMAINS(A.S.3D.H)

ICAE, INTERNACIONAL COUNCIL FOR ADULT EDUCATION

IDD (IMMIGRATION DEVELOPPEMENT DEMOCRATIE)

IDEEFAM ALGERIE

IFAD (INSTITUT DE FORMATION DES AGENTS DE DEVELOPPEMENT - MAROC

INTER-COLLECTIF DE SOLIDARITE AVEC LES LUTTES DES PEULES DU MONDE ARABE (INTER-CO)

INTERNATIONAL TRANSFORMANCE INSTITUTE OF CULTURE & EDUCATION (ITICE)

INTERNATIONALE DES SERVICES PUBLICS (ISP)

INTERSINDICAL ALTERNATIVA DE CATALUNYA (IAC)

INTERSINDICAL VALENCIANA

IPAM (INITIATIVES POUR UN AUTRE MONDE)

IRAQI SOCIAL FORUM

ITALIAN PEACE ASSOCIATION

ITINERARI PARALLELI

JEUNNES COMMUNISTES D’ITALIE

LA FEDERATION HUMANISTE EUROPEENNE.

LA FONDAZIONE GIOVANNI MICHELUCCI

LE CENTRE D’ACTION LAÏQUE (BELGIQUE)

LE FORUM MAGHREBIN POUR L’ENVIRONNEMENT ET LE DEVELOPPEMENT FMED

LE MANIFESTE DES LIBERTES FRANCE

LE MOUVEMENT CITOYEN DES TUNISIENS EN FRANCE (MCTF)

LEGAMBIENTE, ITALIE

LES ALTERNATIFS FRANCE

LIGUE ALGERIENNE DE DEFENSE DES DROITS DE L’HOMME (LADDH)

LIGUE TUNISIENNE DES DROITS DE L’HOMME

LIGUE DES UNIVERSITAIRES TUNISIENS - LUT

MALCOM X GRASSROOTS MOVEMENT

MARCHE MONDIALE DES FEMMES / WORLD MARCH OF WOMEN

MIGRATIONS SANTE - FRANCE

MOUVEMENT ALTERNATIVES CITOYENNE –ALCI / MAROC

MOUVEMENT BURKINABE DES DROITS DE L’HOMME ET DES PEUPLES - MBDHP-SF.

MOUVEMENT RIHANATE CITOYENNE MAROC

MST - LANDLESS RURAL WORKERS’ MOVEMENT OF BRAZIL

N’AOURA - BELGIQUE

NETWORK INSTITUTE FOR GLOBAL DEMOCRATIZATION - NIGD

OAEC "ORGANISATION APPOSITION ET ENGAGEMENT CIVIQUE"

OBSERVATOIRE MAROCAIN DES LIBERTES PUBLIQUES

OBSERVATORIO EUROLATINOAMERICANO DE DESARROLLO SOCIAL Y DEMOCRACIA

OCCUPIED ADVOCACY INITIATIVE - OPAGAI - PALESTINE

ODT (ORGANISATION DEMOCRATIQUE DU TRAVAIL)

ORGANISATION ALTERNATIVES POUR L’ENFANCE ET LA JEUNESSE MAROC

ORGANISATION APPOSITION ET ENGAGEMENT CIVIQUE (OAEC)

ORGANISATION TUNISENNE POUR LA CITOYENNETE - OTC

PARTENIA 2000

POOR PEOPLE’S ECONOMIC HUMAN RIGHTS CAMPAIGN (PPEHRC) - US

PRESIDIO EUROPA MOUVEMENT NO TAV

RASSEMBLEMENT ACTION JEUNESSE - RAJ – ALGERIE

RASSEMBLEMENT NATIONAL DEMOCRATIQUE (RND)

RAZDED MAROC

RED MEXICANA DE ACCION FRENTE AL LIBRE COMERCIO (RMALC), DE MEXICO

REPEM AMERICA LATINA Y EL CARIBE

RESEAU AMAZIGH POUR LA CITOYENNETE (AZETTA)

RESEAU DES ASSOCIATIONS DE LA COMMUNAUTE MAROCAINE EN ITALIE (RACMI)

RESEAU DES FEMMES DE GUELMIM SMARA

RESEAU FEMINISTE « RUPTURES »

RESEAU FOI ET JUSTICE

RESEAU INTERNATIONAL HELSINKI CITIZENS’ ASSEMBLY

RESEAU INTERNATIONAL NO VOX

RESEAU MAGHREBIN DE DEVELOPPEMENT LOCAL EN MILIEU RURAL -REMADEL

RESEAU MAROCAIN DU DEFENSE DU DROIT A LA SANTE

RESEAU MAROCAIN EUROMED DES ONGS

RETE ITALIANA FSM

RITIMO

SAHARAWI JOURNALISTS AND WRITERS UNION

SECRETARIA EJECUTIVA DEL CONSEJO INTERNACIONAL DEL FORO MUNDIAL DE LA EDUCACION (FME)

SEM (SINISTRA EUROMEDITERRANEA)

SNAPAP -ALGERIE

SOLIDARITE MAROC 05

SORTIR DU COLONIALISME.(FRANCE)

SOS MIGRANTS – BELGIQUE

SUBVERSIVE FORUM (CROATIE)

SYNDICAT DES PERSONNES DE 2M AFFILÉS A L’UNION MAROCAINE DU TRAVAIL(UMT)

TERRA NUOVA, CENTRO PER IL VOLONTARIATO - ITALIE

UBM-UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES

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UNION GENERALE DE TRABAJADORES DE SAGUIA EL HAMRA Y RIO DE ORO (UGTSARIO)

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UNION SYNDICALE SOLIDAIRES

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UNTM (UNION NATIONALE DES TRAVAILLEURS AU MAROC)

VÉRITÉ ET JUSTICE POUR FARHAT HACHED

VÉRITÉ ET JUSTICE POUR L’ALGÉRIE

VIA CAMPESINA

WORLD COUNCIL OF CHURCHES- ECONOMIC JUSTICE DEPARTMENT.

Mulheres mortas em Paris difundiam luta curda pelo mundo

Os assassinatos da três representantes curdas são golpe contra a articulação da solidariedade internacional e as negociações em favor dos presos políticos curdos na Turquia. Fidan Dogan esteve em junho no Brasil participando da Cúpula dos Povos, do Fórum Mundial de Mídia Livre e da reunião do Conselho Internacional do FSM

Nas fotos, Sakine Cansız, Fidan Dogan e Leyla Söylemez

Em junho de 2012, a ativista curda Fidan Dogan, conhecida como Rojbin, integrante do movimento das mulheres livres e membro do Congresso Nacional do Curdisão baseado na Bélgica, esteve no Rio de Janeiro para defender o direito à identidade curda como um bem comum inalienável de seu povo. E para divulgar a campanha pela libertação das lideranças presas na Turquia, entre elas Abdullah Öcalan, lider do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Ela integrou a comitiva que veio ao Brasil também para participar do II Fórum Mundial de Mídia Livre, onde seu companheiro de delegação, Yilmaz Orkan, relatou a dificuldade de divulgar na grande imprensa a luta e o sofrimento do povo curdo, um povo sem Estado, que se divide entre a Turquia, Siria, Iraque e Iran, e luta por reconhecimento político e preservação de sua história. As notícias dos frequentes ataques aos curdos na Turquia somente circulam pelas midias alternativas do mundo, inclusive no Brasil, afirmaram. Por isso o trabalho de ativistas como Fidan Dogan, a Rojbin, a partir de Paris e da Bélgica, era crucial para difundir a realidade curda e buscar solidariedade mundial.

Yilmaz e Rojbin, na mesma oportunidade, estiveram presentes à uma reunião de integrantes do Conselho Internacional do FSM, no Rio, dando continuidade a um processo iniciado com a presença do Conselho em Dyiarbakir, em 2011, com o objetivo de aproximar as lutas do povo curdo das agendas de solidariedade dos movimentos sociais pelo mundo.

Assassinos querem barrar negociações de paz

Em 10 de dezembro último, Fidan Dogan e duas companheiras da resistência do povo curdo foram executadas dentro do Centro de Informação Curda mantido em Paris. Ela era a dirigente do centro estratégico e uma representante diplomática do Curdistão na Europa. Com Rojbin estavam Leyla Söylemez, jovem militante política e Sakine Canziz, uma alta liderança do Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), do qual foi fundadora em 1978. Por sua militância, Sakine passou vários anos presa na Turquia. Era uma feminista altiva, que mesmo prisioneira chegou a cuspir no rosto do diretor do presídio. Ficou 11 anos encarcerada.

Muito pela influência de Sakine, o PKK apostou no poder das mulheres para organizar a resistência, liderar guerrilhas e ocupar postos chave na política curda.

"Foi com choque e pesar que recebemos a horrível notícia das mortes de nossas queridas amigas que foram massacradas em Paris de modo grotesco", diz um comunicado da EUTCC, Comissão Civil da Turquia na União Europeia. Rojbin vinha trabalhando com essa comissão há vários anos e "seu trabalho vinha sendo muito importante para nossa atividade internacional pelos curdos", explica a nota.

Para a comissão, o assassinato das três mulheres políticas de alta relevância foi um golpe contra as negociações que vinham sendo organizadas em Imrali entre o Estado da Turquia e o lider do PKK Abdullah Öcalan. "A tragédia de Paris mostra que há forças obscuras profundas, inimigas da paz, contra o novo processo político, a ponto de julgarem necessário assassinar três pólíticas curdas que estavam trabalhando por uma solução e pela paz"

Pelo modo como as mortes ocorreram (os corpos foram encontrados pela manhã, com tiros na cabeça), a Confederação do Povo Curdo avalia que os assassinos eram profissionais a serviço internacional, que o massacre foi organizado e implementado por quem não deseja o sucesso das negociações com Öcalan e quer manter o jugo colonial da Turquia sobre o Kurdistão.

Os curdos cobram das autoridades francesas providências imediatas para por fim à sua criminalização no país. "Os curdos na França e na Europa não constituem ameaças às autoridades nos países em que vivem. Pelo contrário, eles trabalham firmemente em busca de solução para os problemas na Turquia e deveriam ser premiados em vez de criminalizados, perseguidos, encarcerados como o diplomata curto Adem Uzun, ou mortos".

Rojbin vinha manifestando preocupação com a política francesa em relação aos curdos. Em entrevista ao "Avant Garde", em junho de 2012, ela alertou para a contradição de uma França que de se opos à entrada da Turquia na União Europeia, mas, a fim de preservar suas relações com a Turquia, fez acordos para prender curdos militante. "Desde 2007, tem havido várias prisões, buscas invasivas, e processos na França", denunciou.

A razão das mortes e das forças por trás delas ainda não foram esclarecidas - "mas serão", garante a comissão." Estas pessoas devem saber que tais assassinatos ou qualquer proovocação que possam fazer no futuro não vão interromper o processo de paz. .. Forças do mal em qualquer forma que tomem nunca derrotarão a vontade genuína do povo curdo por liberdade - elas apenas tornarão mais forte o trabalho para conquista-la. O trabalho incansável de Sakine Canziz, Fidan Dogan e Leyla Söylemez’s pelo povo curdo ficará para sempre como um monumento em suas memórias", diz o comunicado.

Ley de Medios: vitória argentina, inspiração para o Brasil

Justiça argentina declara que lei criada para democratizar a comunicação é constitucional. Com isso, cai a liminar que permitia ao grupo Clarin manter seu poderio. No Brasil, ativistas pedem "Coragem, Dilma" para enfrentar os conglomerados no país.

O juiz federal argentino, Horacio Alfonso declarou, nesta sexta-feira (14/12), que os artigos 45 e 161 da Ley de Medios (Lei de Serviços de Comunicação Áudio-Visual), são constitucionais. Questionados na justiça pelo Grupo Clarín, maior conglomerado de mídia da Argentina, os artigos foram objeto de liminar que impediram o cumprimento da Ley de Medios a partir de 7 de dezembro último, quando eram esperadas manifestações, inclusive no Brasil, em apoio às mudanças.

7 de Dezembro, data apelidada de 7D, foi o prazo dado pela Presidenta Cristina Kirchner para que os grupos apresentassem um plano de desconcentração próprio, para evitar que o processo fosse feito por ação compulsória do governo. A Ley de Medios, aprovada em 2009, determina que um grupo nacional não pode ter mais de dez licenças de rádio e televisão aberta, e 24 de televisão a cabo, e que nenhum canal de TV pode superar 35% do mercado midiático no país, batendo de frente com o poderio acumulado pelo grupo Clarin.

O 7D foi frustrado pela concessão da liminar de última hora, que retardou os efeitos da lei até uma nova decisão. Mas esse dia chegou. A resolução de sexta-feira, 14, derrubou a liminar que protegia o Clarin e pôs fim aos seus privilégios. O juiz Alfonso rejeitou a "ação declarativa de inconstitucionalidade promovida pelo Grupo Clarín S.A” e ordenou "a imediata suspensão de toda medida cautelar ditada no presente processo”.

O grupo que é hoje detentor de cerca de 240 licenças de TV a cabo, dez emissoras de rádio e quatro de televisão diz que vai recorrer. Mas a lei já está valendo, segundo o presidente da Autoridade Federal se Serviços de Comunicação Áudio-visual (Afsca), Martín Sabbatella, e o Clarín terá de transferir ou vender aproximadamente 90% das licenças a cabo e quatro sinais de rádio ou de TV aberta.

A Ley de Medios, a partir de agora, obriga o governo a taxar os bens do grupo e licitar as licenças excedentes. Essas licitações e outros mecanismos da lei que permitem o acesso a recursos da comunicação por mais e menores grupos, fortalece a imprensa comunitária, a diversidade de meios alternativos e a produção regional, são instrumentos decisivos para democratizar a midia argentina.

Coragem, Dilma

Organizações da sociedade civil brasileira aguardavam com expectativa a confirmação da Ley de Medios argentina, como estímulo para que o governo brasileiro também enfrente a concentração da mídia pelos poucos grupos que dominam a comunicação no país. Os instrumentos para uma legislação detalhada já estão à disposição do governo, demonstrando a crescente articulação do movimento social para subsidiar uma ação qualificada do Executivo e Legislativo numa área complexa, que é mantida desregrada justamente para dificultar qualquer desacomodação dos grupos monopolistas.

O movimento social pressiona para que a Presidenta Dilma envie ao Congresso as resoluções tiradas pela I Conferência Nacional de Comunicação (I Confecom), realizada em 2009, e resultantes da consulta pública que aponta uma plataforma para modernizar e democratizar o setor. "Coragem, Dilma!", pediam algumas faixas criadas para o 7D e as mobilizações que virão.

No caso brasileiro, grande parte dos abusos se da justamente pelo descumprimento de artigos constitucionais 220, 221 e 223, aprovados em 1988, mas que até hoje são mantidos sem a regulamentação legal necessária para for fim aos monopólios e oligopólios e assegurar a diversidade e a regionalização do setor.

A defesa de um novo marco regulatório é objeto de uma campanha Para Expressar a Liberdade, lançada em junho, durante a Cúpula dos Povos para a Rio + 20, reclamando Uma nova lei para um novo tempo , slogan da mobilização liderada pelo FNDC e entidades parceiras.

Um debate fora da grande mídia

Na mesma semana em que a justiça argentina decidiu por fim à liminar do Clarin, a Campanha Para Expressar a Liberdade recebeu no Brasil o relator da ONU para a liberdade de Expressão, Frank La Rue, com uma agenda de audiências em São Paulo e Brasilia, para ampliar um debate com o governo e a sociedade civil, para o qual a midia brasileira tem recusado espaço.

La Rue reiterou declarações anteriores, de que não há qualquer insconstitucionalidade na Ley de Medios argentina, enfatizou sua importância para uma comunicação democrática e mencionou o caso uruguaio, em que uma nova lei para o setor está sendo construida, cumprindo caminhos constitucionais.

O convidado ouviu também relatos sobre o comportamento da mídia brasileira, que atua como partido político, impôe posições à opinião pública, concentra os recursos publicitários do governo distribuídos ṕor critérios de audiência e náo da voz igualitária ao conjunto da sociedade, entre outras denúncias.

Os grupos brasileiros de telecomunicações tem feito campanha declarada contra a Ley de Medios argentina e outras mudanças nas leis de países como a Venezuela e Ecuador, propagando seu receio de que essa tendência se alastre pelo continente e atinja seus interesses corporativos. As leis são taxadas de antidemocráticas por uma imprensa que se recusa a cumprir seu papel de ouvir igualmente os defensores das medidas.

Para ativistas brasileiros, a multiplicação desses debates fora da mídia convencional é necessária para informar a sociedade por outros meios, pedir determinação ao governo e apoiar enfrentamentos que conduzam a um novo marco regulatório das comunicações.

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