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O modo de produção escravista ou escravocrata

sexta-feira 5 de outubro de 2007, por Bianca Wild

O modo de produção escravista ou escravocrata

A VOLTA DO TRABALHO FORÇADO

A utilização do trabalho escravo provém de muito antes do que podemos imaginar, existem indícios de que alguns grupos na pré-história se faziam valer do trabalho compulsório de outros grupos nômades que “invadiam” seu espaço,empreendiam uma luta e os vencedores apoderavam-se dos perdedores, e os utilizavam como ajudantes na caça e em outras funções. Já na antiguidade as grandes civilizações como a Grega ,a egípcia ,romana, Persa dentre outras utilizavam o trabalho de escravos, a diferença é que estes eram conseguidos de formas variadas, como por exemplo através de guerras por domínio territorial, como pagamento de dividas ou mesmo quando homens pobres se vendiam como escravos como forma de sobrevivência.

No Egito, por exemplo, eram na sua grande maioria, prisioneiros de guerra,e não constituíam um grupo numeroso,eram utilizados em trabalhos pesados como extração de enormes pedras e na construção de templos, palácios e pirâmides, comparados aos outros povos antigos,os egípcios eram bastante tolerantes com seus escravos, com exceção da forma como agiram com os hebreus. Dependendo dos costumes da civilização que os adquirisse eram submetidos a diversos tipos de trabalho,na maioria das vezes,desumanos, algumas porém os adquiriam apenas para utilização de seu trabalho na fabricação de determinados artefatos e em trabalhos mais leves, em geral no intento de diminuir seu esforço e aumentar a produção, mesmo ainda não existindo um comércio formal e intenso.Nem todos as antigas civilizações obrigavam seus escravos a abandonarem seus rituais religiosos, mas na grande maioria era o que ocorria, na Mesopotâmia, por exemplo, eram obrigados a raspar a cabeça, a falar a língua local dentre outras atrocidades,a Pérsia era onde eram encontrados escravos em maior número, adquiridos em sua maioria nas conquistas militares, como mencionado anteriormente, os hebreus sofreram bastante quando os egípcios retomaram seu território que se encontrava sob o domínio do hicsos, se tornaram escravos e foram de todas as formas possíveis depreciados.

Grécia e Roma foram civilizações que utilizaram os trabalho escravo em larga escala e chegaram inclusive a promover feiras de comercialização dos mesmos, os oferecendo para utilização em todos os fins possíveis, inclusive como é mostrado em muitos filmes, como gladiadores, os gregos e os romanos foram talvez os que mais se assemelharam aos ocidentais ao desumanizarem, depreciarem de todas as formas e comercializarem seres humanos. Contudo podemos afirmar que estas grandes civilizações não teriam tido tanto êxito em sua ascendência se não fosse a utilização do trabalho escravo,a grandeza delas esta diretamente ligada ao trabalho desses homens, mulheres e muitas vezes crianças,seres humanos desumanizados,dominados.

A decadência e o conseqüente desaparecimento do império romano extinguiu temporariamente este “tipo de trabalho”, pois a sociedade feudal que havia sido erguida sobre as ruínas deste grande império não visava o comercio em grandes proporções,mas sim a subsistência,sendo assim o trabalho escravo tornou-se desnecessário e foi substituído pelo trabalho dos servos,que na verdade também eram como escravos, a diferença residia no fato de que estes não possuíam certificado de propriedade do senhor feudal, porém quando este resolvia arrendar a terra seu servo permanecia como sendo parte do patrimônio,além disso este mesmo servo devia obediência e satisfação ao senhor feudal, não podiam nem ao menos casar-se sem autorização do senhor com alguém de ouro feudo e no caso de viúvas ,estas também só podiam se casar novamente com alguém da escolha do senhor feudal e no caso de não desejarem casar-se novamente deviam pagar uma multa ao senhor, o mesmo em caso de falecimento do chefe da família ocorria, o seu herdeiro devia pagar uma quantia determinada ao senhor se desejasse permanecer naquele feudo cuidando de sua terra e em sua moradia, porem vale a pena ressaltar que a terra que cabia ao servo camponês mal podia ser trabalhada para suprir as necessidades de subsistência da família do mesmo,pois a terra a ser arada primeiro era a do senhor, a ser semeada também ,a colheita etc, em caso de intempéries a plantação a ser salva primeiro também era a do senhor, logo entende-se que este servo não passava de uma espécie de escravo, possuindo apenas nova nomenclatura e uma relação minimamente diferenciada.

Outra justificativa era a de que, o cristianismo, que havia acabado de se tornar a religião dominante e predominante pregava a repulsa ao trabalho escravo, abominando quem se utilizasse do mesmo, pois não admitia que um cristão escravizasse o outro, porém durante as cruzadas podemos averiguar as atrocidades cometidas em nome da cristandade, enfim o trabalho escravo “formal” passou anão adequasse nem a economia e nem a moral da época. Com a expansão marítima, a descoberta de novos continentes e conseqüentemente de novas riquezas, tornava-se necessária mão de obra em maiores quantidades, entretanto isso era muito difícil, pois ninguém deseja vir ara a América trabalhar em uma terra desconhecida, por baixos salários, além do que, era necessário produzir o máximo com gastos mínimos, e pagando salários isso seria inviável,logo recorreu-se ao trabalho escravo de negros capturados na África e de nativos das colônias,Portugal foi o primeiro país a utilizar o trabalho escravo da Europa moderna, no começo do século XVI a economia açucareira começou a ser implantada no Brasil e a desenvolver-se amplamente e como não haviam trabalhadores o suficiente apelaram para a mão de obra escrava, visto que o trabalho compulsório indígena não havia obtido o êxito esperado.

O TRABALHO ESCRAVO CONSTRÓI O BRASIL ENRIQUECE A EUROPA

Como inicio da expansão marítima e conseqüente expansão comercial a partir dos séculos XIII e XIV, a economia e a sociedade européia forma profundamente modificadas, como conseqüência a expansão das atividades comerciais acabou com a economia de subsistência e passou-se então a estimular-se a produção de excedentes, os precursores dessas modificações e da expansão marítima foram Portugal e Espanha que logo recorreram ao trabalho escravo para suprir a produção agrícola e também para a extração de metais preciosos para abastecer o mercado europeu.

Quando os portugueses desembarcaram a oeste do litoral africano encontraram sociedades diversificadas, religiões, conhecimento técnico, formas de governo,atividades econômicas etc,coisas que não esperavam encontrar, muitas destas sociedades eram muito bem organizadas política e economicamente, possuindo exércitos, funcionários coletores de impostos, nobreza,comerciantes aliados detendo todo o poder político , uma organização que lhes era muito familiar,não?

É bem verdade que estes reinos eram muito semelhantes aos da Europa, além de toda sta organização ainda possuíam agricultura, produção de artefatos e comercio muito bem desenvolvidos, mas é claro eu nem todas as sociedades deste enorme continente eram tão bem organizadas, e digamos até “civilizadas”, os portugueses encontraram também tribos nômades, como certas tribos de índios brasileiros, muitas destas sociedades africanas já conheciam a escravidão. Porém a escravidão exercida de forma patriarcal, semelhante a estabelecida durante antiguidade, prisioneiros de guerra tornavam-se escravos, porém esta não era uma prática sistemática, pois as guerras não eram realizadas com o objetivo de conseguir escravos e a sua economia não era alicerçada nessa pratica, também porque não haveria mercado para comercialização de escravos nestas sociedades, com a chegada dos portugueses as coisas modificaram-se,os escravos nestas sociedades eram submetidos a autoridade de seus “donos” mas não eram vendidos e de certa forma acabavam por integrar-se ao grupo que havia os capturado.

Os portugueses então, começaram a oferecer tecidos, armas, bebidas e pólvora em troca de ouro e de escravos. Logo os “chefes” destas sociedades perceberam que poderiam lucrar com esta prática, e começaram a aprisionar e a vender escravos de forma sistemática aos portugueses, além disso alguns desses lideres permitiram em muitos casos que os europeus empreendessem uma espécie de caça em seus territórios, caça a seres humanos, transformando assim a África em um campo de guerra permanente, a cada vitória, milhares de prisioneiros eram levados para os portos e embarcados em condições deprimentes em porões lúgrubes, úmidos e sujos, sem um mínimo de higiene, sem água ,sem alimentação suportando temperaturas elevadíssimas durante o dia e baixíssimas durante a noite, à estas condições eram obrigados a agüentar por quase 60 dias ,e dessa forma de 30 à 40% da “mercadoria” não chegava ao local de desembarque, desta forma iniciou-se um dos mais desumanos, sórdidos e lucrativos negócios do mundo moderno.

Os escravos foram as mãos e os pés do Brasil, também da Europa e do sul dos Estados Unidos, pois construíram sua economia com base nos lucros proporcionados por esta prática, a economia implantada no sul dos EUA era muito semelhante a do nordeste brasileiro no mesmo período, a monocultura exportadora, nos caso dos EUA o cultivo do tabaco, algodão e arroz, latifúndios e mão de obra escrava. O Brasil foi uma sociedade escravista ou escravocrata durante a maior parte de sua história, o trabalho necessário ao funcionamento da sociedade era realizado pelos escravos, vindos da África, também foi utilizada durante um curto período a mão de obra escrava indígena, mesmo com proteção dos jesuítas, principalmente nas áreas de extrativismo vegetal e em outras regiões como São Paulo que eram pouco vinculadas ao comercio de exportação, nestas regiões a produção estava voltada para a subsistência.

A necessidade de utilização de mão de obra escrava negra se deu principalmente na economia açucareira, pois, era necessária uma produção em larga escala para transferência de lucros para a metrópole portuguesa,objetivo principal da economia mercantilista vigente da época. Logo a principal função da colônia era produzir riquezas para metrópole.

AESPECIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DO AÇÚCAR

O mercado europeu funcionou como estimulo para a colonização de base agrícola instalada no Brasil, a produção colonial estava intimamente ligada aos interesses mercantis da metrópole portuguesa, e sendo assim, portugueses e holandeses acabaram por realizar empréstimos aos proprietários de terras da colônia possibilitando a instalação dos engenhos, já que estes não possuíam capital suficiente para isso.

O capital comercial era fundamental para a colonização, a produção interna estava relacionada com a sua valorização no mercado externo resultando disso a monocultura do açúcar. A especialização da produção significou a assimilação rápida do Brasil na esfera econômica da Europa,porém esta especialização econômica, fez do Brasil um importante consumidor de produtos europeus, pois a produção colonial era limitada, inclusive devido aos decretos metropolitanos.

Como as regras do jogo econômico eram dadas por um elemento externo(neste caso o mercado europeu), o fato de o açúcar ter um alto valor comercial na Europa chegando inclusive a figurar nos dotes das rainhas significava que havia um mercado consumidor garantido, além disso o cultivo da cana não era novidade para os portugueses, nas ilhas Madeira e São Tomé as técnicas de plantio e refino já haviam sido implantadas, justamente as razões por ter o açúcar sido o escolhido como o fundamental produto a ser cultivado para a exportação.

Graças as sua frota mercante e a seus contratos comerciais na Europa,os holandeses contribuíram para a comercialização e distribuição do produto decisivamente.A produção açucareira tornou-se peça importante da exploração colonial, e o sentido da colonização colocou-se em completa harmonia.Mas a cargo de quem ficaria esta produção? Os portugueses se encarregariam? Os habitantes locais, isto os índios? Sendo assim o problema da mão de obra se impôs e foi resolvido através da utilização do trabalho escravo.

Logo a economia da colônia estava alicerçada no trabalho escravo e o continente africano com milhões de habitantes garantia a reposição de acordo com a necessidade da produção colonial. Porém havia uma questão, os escravos duravam muito pouco tempo, viviam pouco mais de sete anos, morriam com esta rapidez porque eram maltratados, submetidos a tarefas muito sacrificantes, trabalhavam 18 horas por dia ou mais realizando o trabalho que devia ser feito por três homens ,no engenho e na plantação, à noite eram trancados em suas senzalas onde todos dormiam amontoados e na maioria das vezes acorrentados afim de previr-se possíveis fugas, enfim tratava-se de uma grande economia para o senhor de engenho, não tinham gastos com manutenção da “mercadoria”, ou seja não se preocupavam com a saúde dos escravos, não os alimentavam adequadamente logo não possuíam gastos ,só o dispêndio na hora de adquiri-los.

Além de produzir para enriquecer seus donos, quando lhes era permitido, os escravos deveriam plantar sua própria “comida”, os escravos que sofriam menos abusos e maus tratos eram os que ficavam encarregados de serviços domésticos na casa grande, geralmente eram mulheres mais velhas e com aparência “mais limpa”, que realizavam funções como cozinheiras, copeiras, lavadeiras,babás e muitas vezes serviam como amas de leite, devido a proximidade do “senhor” se alimentavam melhor e tinham vestimentas mais “adequadas”. Tanto nas vilas como nas casas grandes haviam escravos para o serviço de cocheiros, carregadores de água e de dejetos, tratadores de montarias e até mesmo como feitores, de tão útil esta “mercadoria” também poderia ser alugada, geralmente quando alugados os escravos eram usados na construção, confecção de móveis, na venda de doces e salgados pelas ruas como ambulantes ,dentre outras atividades.

Como os escravos faziam todos os trabalhos físicos, manuais, trabalhosos, o trabalho em si passou a ser entendido como “coisa de escravo”, sendo assim ,qualquer pessoa que conseguisse dinheiro o suficiente comprava um escravo para lhe servir, ou mesmo para obter lucros através do aluguel do mesmo. Muito estranho, ou melhor inaceitável, o fato de pessoas serem alugadas como uma atividade comercial muito normal. Na sociedade escravista,quanto mais escravos se possuía mais rica era a pessoa, alguns fazendeiros possuíam mais de quatrocentos escravos e as pessoas mais “pobres” possuíam três no Maximo.

Acredito não ser preciso lembrar os artifícios utilizados para fazer os escravos trabalharem, mas mesmo assim vou lembrar:A violência é claro.Nas fazendas haviam feitores munidos de chicotes,correntes etc, para impedir qualquer distração ou descanso por parte do escravo, não era permitida a diminuição do ritmo de trabalho, por faltas leves os escravos eram castigados com dezenas de chicotadas e se a falta fosse mais grave segundo a avaliação do feitor e do senhor, como formação de brigas, agressão, roubo ou fuga os castigos eram verdadeiramente inconcebíveis, no caso de fugirem além de serem espancados eram marcados como bois com a letra F no rosto, com ferro em brasa, ou cortavam orelhas e no caso de mulheres seios.

A um proprietário de escravos era permitido ate mesmo tirar-lhes a vida se assim achasse conveniente, mesmo sendo uma mercadoria cara, pois os proprietários temiam a disseminação das rebeldias entre eles, mas é obvio que com a quantidade desumana de trabalho e o numero de castigos injustificáveis, as formas de reação dos escravos eram diversas, desde suicídios até fugas, logo o proprietário temia que se estas idéias se espalhassem o prejuízo seria ainda maior.Algumas vezes feitores eram assassinados por vingança, mas acredito eu de certa forma justificáveis, não que eu seja a favor da violência e do assassinato mas nesta circunstancias, eles assassinavam os feitores que lhes infligiam demasiado sofrimento.

Outra reação individual muito comum entre os escravos era o chamado “banzo”, um estado psicológico que pode ser explicado como uma imensa tristeza, depressão, ficavam jogados, em um canto qualquer, recusando-se a comer, a trabalhar e conseqüentemente morriam de fraqueza. Sabemos que durante os três primeiros séculos de colonização no Brasil, quase não existiam cidades, com exceção de Salvador, que foi a primeira capital,Recife e Rio de janeiro, as demais cidades não passavam de pequenas vilas, isso porque a ocupação do Brasil tinha como único objetivo a exploração de riquezas, o Brasil era considerado simplesmente como uma empresa extrativa integrada na engrenagem do sistema mercantilista, explorada em função da metrópole e destinada somente a fornecer produtos primários para abastecer o mercado europeu, sendo assim as cidades não tinha muita importância, por esse motivo: as atividades econômicas eram agrícolas, de monocultura,voltada para exportação,então os centros da vida social eram as fazendas.

A maioria da população era constituída de escravos, a minoria era de homens brancos livres, fazendeiros, comerciantes, funcionários do governo, padres, artesãos e pouquíssimos assalariados, claro que o grupo social mais influente ,rico e poderoso deste período era o dos senhores de engenho. Os senhores de engenho possuíam muitas terras e numerosos escravos, mesmo quem não era escravo dependia do senhor de engenho, os plantadores de cana, mesmo sendo livres e proprietários dependiam deles para moer sua cana, em um grau de subordinação bem maior estavam os poucos assalariados existentes no engenho, pois algumas atividades relacionadas a produção eram feitas por homens livres, porque os senhores de engenho temiam que os escravos sabotassem a a produção, além deste tipo de assalariado haviam os feitores e capitães do mato que eram encarregados de vigiarem o trabalho dos escravos,também existiam os mascates que apareciam uma vez ou outra e dependiam dos proprietários rurais, pois eles eram seus principais compradores, os jagunços nada recebiam, a não ser casa, comida e terra para plantar e formavam a força repressiva do senhor.

Existiam também os chamados “parceiros”, lavradores que recebiam terras para plantar e davam uma parte da produção para o proprietário, assemelhando-se um tanto quanto com o sistema feudal, e é claro que estes dependiam da boa vontade do senhor para permanecer na fazenda, só que o grau de dependência e subordinação não ra tão alto como no período feudal, até os padres e as igrejas sobreviviam como os recursos do senhor de engenho, assim sendo quanto maior a fazenda, maior o número de pessoas submetidas ao poder de seu proprietário. Havia é claro uma espécie de poder local, e um poder real, pois a colônia estava subordinada a metrópole, de lá vinham as leis a serem respeitadas e os administradores mais importantes, só nos era permitido comercializar com Portugal, e assim éramos explorados na compra de nossos produtos e na venda dos produtos que vinham da Europa pelas mãos dos comerciantes portugueses, e ao rei lhe restava apenas a arrecadação de impostos.

Ter colônias era muito lucrativo e bastante vantajoso, em todos os aspectos econômicos,e para garantir a exploração econômica era preciso manter a dominação política.A utilização da mão de obra escrava também foi de imensa valia e ajudou demasiadamente no aumento dos lucros nas fazendas de café e na mineração, sendo que a maior parte do lucro gerado pelos engenhos, pela plantação de cana de açúcar, era revertido aos holandeses, pois a eles pertencia o monopólio da refinação e exportação do açúcar, pois foram os patrocinadores diretos, e quem terminava por obter menos lucros era mesmo o senhor de engenho.Podemos concluir as duas faces dos senhores de engenho, uma voltada para a produção com características senhoriais e patriarcais e outra voltada para o mercado ganhando contorno empresarial. Por ter escravos, a sociedade colonial era senhorial e por estar voltada para o mercado e depender dele diretamente é capitalista.

*A brecha camponesa- os escravos eram as mãos e os pés da sociedade,desta forma todos necessitavam deles,era costume em alguns engenhos, o senhor conceder pequenos lotes aos seus escravos que possuíam família, os permitindo o cultivo nos domingos e com raras exceções nos feriados e sábados, e alguns senhores permitiam que ao termino de seu trabalho obrigatório para o mesmo, cultivassem seus pequenos lotes de terra, também lhes era permitido raramente vender excedentes e juntar o dinheiro arrecadado para posteriormente comprar a sua liberdade e de seus familiares.Engana-se porém quem cogita que este sistema era sem interesse algum por parte do senhor de engenho, este tinha como finalidade principal desta aparente filantropia, ao fazer este tipo de concessão, dentre outras, prender o escravo a terra, eliminando parcialmente o risco de fuga e promovendo um clima de cooperação, colaboração e principalmente, criando uma sensação de independência nos escravos conseguiam atingir seus objetivos, além de tirarem de suas costas a obrigação de sustenta-los, parece um tratamento mais digno, mais humano, porém repleto de segundas intenções, acabando por ser um ótimo negocio para o senhor de engenho.

Um argumento muito utilizado para justificação da utilização do trabalho escravo foi a decorrente escassez de população da metrópole, alegando-se que a metrópole não poderia suportar uma diminuição de sua população, além do que a colônia não oferecia nenhum atrativo para o português, ou seja, se este era um trabalhador na Europa, continuaria sendo um trabalhador na América e o desejo deles, assim como o de todos era uma melhoria de posição uma melhoria de vida.

No conjunto do antigo sistema colonial, esse argumento não tinha lugar; o objetivo não era povoar e sim explorar as colônias no sentido de promover a acumulação de capital, e para isso era preciso montar uma estrutura produtiva e então ocupar o território através de trabalhadores.Mas por que escravos? Isso foi mais ou menos explicado anteriormente, como sabemos a produção colonial era essencialmente mercantil, voltada para o mercado externo, e em termos de economia o escravismo era antieconômico, vejamos porque: A compra do escravo exigia um adiantamento de dinheiro, ou seja, investiríasse antes de se obter lucros, enquanto o assalariado só seria pago após um mês exercendo o seu trabalho, depois de comprado, o escravo não podia ser dispensado em caso de retratação de mercado,e o proprietário precisava mantê-lo durante o seu tempo de vida, além do fato de que, ao utilizar escravos vindos de um continente distante como a áfrica, sem conhecimento da língua e da região, era mais fácil coagi-los e assim previniam-se de futuras fugas.

Apesar de todos os “contras” economicamente falando, a escravidão foi mesmo a solução para o trabalho nas colônias, contra-senso dos colonizadores?
Como o regime de trabalho livre, sempre haveria mesmo que remota, uma chance de o produtor assalariado tornar-se um produtor independente, e isso não se adequava aos interesses da colônia.Logo o trabalho escravo era a condição necessária para o perfeito funcionamento do sistema colonial eu visava a acumulação de capital para metrópole quase que sem gastos.

Alguns historiadores defendem a idéia de que a instalação dos engenhos e a conseqüente exportação do açúcar ocorreram em uma época em que jamais poderiam ter sido utilizados homens livres, pelas simples razão de que o sujeito expropriado dos meios de produção e obrigado a vender a sua força de trabalho não existia Omo categoria social, capaz de preencher as necessidades da mão de obra requerida pela produção colonial, essa exploração apenas se esboçava no ponto da historia ocidental em que se deu a expansão portuguesa, assim para alguns, a escravidão surgiu quase como natural, em virtude da maneira como se estruturava e funcionava o antigo sistema colonial.

A IMPORTÂNCIA DO TRÁFICO NEGREIRO

O índio nativo foi imediatamente utilizado pela colonização portuguesa, era mão de obra disponível e conseqüentemente mais barata, ainda não havia condições de se importar escravos africanos, além do mais eles eram nativos da terra e conheciam muito bem o território, seriam capazes de guiar e auxiliar a exploração, a importação dos escravos africanos dependia de uma certa quantidade de capital, à medida que a empresa açucareira tornava-se rentável e que os holandeses começaram a se interessar, a substituição do índio pelo negro começou a ser efetivada, mas essa relação não deve ser vista mecanicamente, Isto é, a utilização do negro como conseqüência direta do bom êxito da economia açucareira,esta poderia preservar o índio ,mesmo com sacrifício de seu ritmo de crescimento.

A transição do trabalho indígena para o africano explica-se pelo trafico negreiro, esse tráfico tornou-se um elemento imprescindível de acumulação de capitais para a metrópole.Em outras palavras, o comércio de escravos para o abastecimento de mão de obra da colônia abriu caminho para um negócio lucrativo, de alto valor comercial.Os lucros advindos do comercio com os índios não chegavam a metrópole e o oposto acontecia com o trafico negreiro, gerava capital e assim beneficiava coroa, torna-se evidente então que de certa forma o tráfico explica a escravidão e não o contrário.

Esse ponto de vista desmistifica as conexões entre a expansão da economia açucareira e a escravidão africana, muitas vezes mascarada pela idéia de “inaptidão” indígena. Por conseqüência, o grau de dependência da economia colonial acentuou-se, pois esse setor estratégico passou a ser controlado de perto pela metrópole.Falando-se de mão de obra na colônia, o apresamento de índios ampliou a área geográfica da colonização. Para os colonizadores o tráfico de escravos não era novidade,existia desde o começo da expansão marítima pela costa africana, sabe-se que em 1448 já havia um comércio regular de escravos em Portugal, no reinado de D. João II, o tráfico negreiro foi institucionalizado, com a participação direta da coroa cobrando taxas, restringindo a participação de particulares, desde a metade do século XV , logo a coroa utilizava escravos na economia portuguesa.

Com o passar do tempo, o negócio tornou-se tão lucrativo que Portugal passou a vender negros para a Espanha etc.Na África, as áreas de procedência dos negros os subdividia em dois grandes grupos étnicos: os Bantos, capturados na África equatorial e tropical, na Guiné, Congo e Angola; os Sudaneses da África oriental, Sudão ,norte da Guiné e Moçambique. O número de escravos cresceu tanto que em 1681 atingiu a cifra de um milhão de negros trazidos, só de Angola, onde a praça de São Paulo de Luanda era o principal fornecedor, explica-se assim a alta lucratividade do tráfico negreiro suprindo as necessidades da lavoura canavieira em expansão. O aparelho governamental português ganhava muito com o tráfico de africanos, negócio comum e lucrativo desde meados do século XV.

Notamos sua importância pela fundação das feitorias na costa da África, destinadas a abastecer os navios de negros apresados.Estes deveriam esperar pelo navio e não o contrário, pois isto seria desinteressante, dado o enorme custo com a viagem, o negro era o menor dos gastos, pois eram capturados às tribos e vendidos a preços baixos.Seu encarecimento dava-se pelo transporte, uma vez que as viagens eram dispendiosas e perigosas. Com base nisto explica-se também a enorme quantidade de negros que vinham amontoados nos porões dos navios negreiros, ao qual Castro Alves dedicou espaço em sua obra.Contudo, se baseados em estudos fizermos uma contabilidade para um navio que saía da África com duzentos negros, somente cinqüenta deles estariam vivos no Brasil após quatro anos de estadia, somente na viagem mais da metade perecia.

CONCLUSÕES

A escravidão não é um fenômeno novo, como mencionado no inicio deste artigo, sua presença é notada nas sociedades paleo - orientais como Egito e Mesopotâmia. Também de Roma e Grécia nos vêm relatos da presença, aliás maciça de cativos nestas civilizações. Variando de caráter , sempre se marcou esta prática pela submissão de uma pessoa a outrem, tendo nesta relação uma idéia de posse, fosse temporária,como no Egito ou permanente como em Roma, o escravo era propriedade de outra pessoa. Suas vontades, desejos, aspirações , passavam antes pelo crivo da submissão e da humilhação, uma vez que é inerente ao homem ser livre.Negamos a idéia de Aristóteles que conforme nos lembra Jaime Pinsky (1993,p13), entendia como natural à submissão do escravo.O filósofo macedônio se esquecia, talvez pela abundância de cativos em sua época, da historicidade desta condição, uma vez que a ninguém é natural a a submissão, esta naturalização de uma idéia cultural embasa a pratica discursiva dos defensores de tal sistema, uma vez que nada fazem além de levar a cabo certas disposições do meio natural que os cerca.

A presença do escravo no Brasil é inerente ao próprio sistema econômico aqui implantado. Contudo, algumas considerações devem ser feitas. Devemos nos lembrar que a utilização do escravo deveu-se principalmente a falta de contingente populacional em Portugal capaz de dar conta da colonização e utilização de forma proveitosa destas terras,deste modo, o escravo teve de ser feito e trazido ao Brasil por ser elemento chave da produção.

Todos sabemos que “modo de produção” consiste no conjunto de atividades econômicas existentes em determinada época, o modo de produção escravista tratasse de uma atividade econômica não somente utilizada nas colônias portuguesas, as colônias do sul da chamada Nova Inglaterra (Estados Unidos) também utilizavam o mão de obra escrava, mas não da mesmo forma que Portugal o fazia, mantido como base econômica Portugal tinha o trafico negreiro, a Virginia ,Geórgia, Carolina do Norte e do Sul e Maryland dedicaram-se ao plantio de produtos tropicais para exportação, como fumo ,arroz e posteriormente algodão, o cultivo era conhecido como plantation, assim como em terras brasileiras era feito em grandes propriedades, ou seja latifúndios, sob o regime escravo, porém não baseavam a sua economia na comercialização de m[ao de obra escrava, essa foi a diferença.

Enfim o escravismo aproxima-se mais da escravidão da idade antiga do que da escravidão patriarcal oriunda da própria África, o africano ao ser separado de sua sociedade e trazido para o “novo mundo” passaria por um processo de dessocialização, o que implicou em despersonalização, o que não ocorria na África ao serem feitos escravos, pois permaneciam em seu âmbito, parcialmente é claro, e não passavam por este processo de “desafricanização”.

Para os colonizadores, os escravos eram considerados como coisas, e dificilmente poderiam entender que um cativo possuísse personalidade, alegavam que o negro não tinha alma, no que tange ao tratamento diferenciado entre negros cativos do engenho e os urbanos, o fator de semelhança baseava-se na obediência o “ser” obediente ou “não ser” caracterizava o escravo como um “bom escravo” ou “um mau escravo” para seu proprietário , e o obediente logicamente valia mais no mercado e esse fator também definia os seus constantes castigos, já que o escravo obediente agüentava a rotina desumana de trabalho forçado sem lamentação, falava a língua de seu senhor, rezava para o Deus do seu senhor e não fugia, mero cativo, o trabalhador escravizado seria ajustado, “bem ou mal” “ao aparelho de produção por uma combinação mais ou menos eficaz de violência,agrados persuasão etc”.em contexto de “classes explicitamente antagônicas”, sobretudo “na passagem do século XVIII para o século XIX, quando a produção assumiu orientação mercantil, as sociedades escravistas avançaram a partir do confronto social explicito, e da consciência dos senhores do perigo das grandes massas servis.

Por muito tempo a historiografia descrevia o escravo como vitima ou como herói, mas nunca Omo agente do sistema. Sendo agentes dentro da malha escravista, a relação entre cativos e os seus senhores variava entre a violência e a barganha, muitas vezes marcada por uma negociação maliciosa, alguns autores afirmam que era fundamental para o bom funcionamento do sistema escravista, se os senhores ou barões cediam e concediam pouquíssimas vezes para melhor controlar, os escravos pediam, e aceitavam muitas vezes para melhor viver, algo mais do que sobreviver, quando a negociação falhava ou nem ser quer acontecia o resultado eram fugas constantes, rebeliões, assassinatos, suicídios, ou seja, sem algum tipo de negociação era impossível o controle desse sistema, ou se perderiam todos os escravos. Essa massa populacional transferida da África para as colônias não pode ser considerada apenas como força de trabalho eles também são formadores da sociedade brasileira e não objetos que ajudaram a construir o Brasil e a enriquecer os portugueses.

O trafico de escravos, a escravidão e a reprodução de cativos na costa africana podem ser considerados Omo fatores decisivos na sociedade brasileira exercendo influencia direta em seu âmbito econômico ,social e cultural, alguns historiadores e sociólogos atribuem ao escravismo colonial a gênese da produção capitalista do Brasil, sobretudo após a abolição, em particular na referencia ao desenvolvimento de quatro grandes regiões, Rio de janeiro, São Paulo , Sul e Nordeste.

Hoje como se não bastasse todos os acontecimentos anteriores decoreentes da escravidão ,esse crime repugnante ainda continua a ser cometido na sociedade brasileira, em pleno século XXI , foram descobertas fazendo que estão utilizando trabalho escravo, o governo federal em parceria com ONGs está procurando grandes empresas para participar-lhes da situação legal de alguns de seus principais fornecedores, foram descobertas inúmeras fazendas que ainda utilizam a mão de obra escrava, porém hoje a dinâmica utilizada é diferente, com a argumentação mais elaborada para manterem os “cativos” trabalhando, estas fazendas estão na “lista suja” do trabalho escravo.

O produto das fazendas escravocratas atuais está em uma pesquisa encomendada pela secretaria especial de direitos humanos e foi realizada pela ONG Repórter Brasil, o estudo que conseguiu muito apoio, inclusive da organização internacional do trabalho revela eu há mais de duzentas empresas envolvidas no sistema escravista, só no ano de 2004 ao se iniciar o levantamento haviam noventa e seis fazendas catalogadas, até maio do ano de 2005 foram cento e cinqüenta e cinco, uma duvida comum entre os empresários que foram procurados e muito leitores da revista época, que publico esta matéria foi entender a diferença entre o trabalho degradante e mal remunerado e trabalho escravo, isso porque a idéia que muitos ainda tem de escravidão esta associada a navios negreiros, correntes etc, o que não é o caso atualmente, as concepções hoje sãobem diferente e muito mais admissíveis, para ser considerado escravo basta ter restrições de liberdade, além de um serviço degradante, sem água potável, sem abrigo, sem condições de higiene, os escravos da atualidade são impedidos de sair por causa de ameaças feitas por jagunços, retenção de seus documentos e dividas inventadas pelo aliciador.

É inadmissível que após cento e dezenove anos da lei áurea ainda exista a prática da escravidão presente na sociedade brasileira, as fazendas infratoras atuam em sete setores principalmente no de carne bovina para comercialização interna e para exportação, cana de açúcar para produção de álcool, café para exportação, carvão para siderurgia, soja para produção de óleo de cozinha e exportação, algodão e pimenta do reino. As fazendas escravocrata atuais ainda podem prejudicar a exportação de produtos ,pois é o suficiente para eu qualquer país proponha uma ordem contra o Brasil na comissão de direitos humanos da ONU.

Os fiscais e as entidades eu combatem o trabalho escravo estão preocupados com as liminares concedidas pela justiça para que algumas fazendas sejam retiradas da “lista suja”, desde o inicio das investigações dez fazendas já conseguiram sua retirada, a ultima foi a destilaria Gameleira, no Mato Grosso, que já havia sido flagrada três vezes com trabalhadores em condições equivalentes a escravidão, até deixar alista, esta era a recordista do cadastro com um número de 318 trabalhadores resgatados em um único dia, imaginem quantos não poderiam ainda estar escondidos? Entre as dezenove atuações feitas até então pela fiscalização do governo, há retenção de documentos, jornada de trabalho superior a doze horas, isso faz recordarmos algum outro momento histórico não é mesmo? Também falta de abrigo para refeições, inexistência de descanso semanal dentre outras atrocidades como a falta de água potável, presença de seguranças armados sem porte legal e é claro o espancamento de funcionários como de praxe em todo sistema escravocrata.

Tudo isso nos leva a refletir que realmente a utilização do trabalho escravo esta relacionada ao capitalismo, pois estes fazendeiros praticam estas atrocidades na busca incessante por lucros, pois se fossem remunerar decentemente seus funcionários não conseguiriam obter a quantidade de lucros desejada por eles assim como todo capitalista o faz, estamos em pleno século XXI, mas muitas atitudes continuam conservadoras, preconceituosas e inaceitáveis assim como a dois séculos atrás, que país é esse? Que história é essa? Qual será o nosso futuro? Como disse Renato russo em sua musica: “nas favelas,no senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação, que país é esse?.

Vale a pena ressaltar que esta música foi lançada no ano de 1989, e infelizmente sua letra continua mais condizente com a atualidade do que nunca, pois a conivência com estas atrocidades, as irregularidades, o descompromisso com a ética e a moral e principalmente com o dever é vista constantemente no âmbito dos nossos representantes parlamentares e mesmo em nosso cotidiano social.AS posturas parecem estacionadas, somente a coloração dos fatos modifica-se, mas o quadro de exploração, preconceito e desumanização continua exposto e mais presente do que nunca.

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