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Mostra de arte na Casa da Rua do Amor: um grito da cultura popular brasileira na noite dedicada ao rock.

sexta-feira 30 de setembro de 2011, por Simone Ricco

Produção de jovens e adultos que frequentam projeto social situado na Zona Oeste do Rio reúne a produção resultante da arte inserida no cotidiano da periferia.

Em 23 de setembro de 2011, enquanto a mídia elegia a Barra da Tijuca como centro das atenções, em outro ponto da Zona Oeste do Rio de Janeiro, a Casa da Rua do Amor realizava uma mostra de Arte com trabalhos produzidos pelos moradores de Tancredo Neves, Urucânia, Saquassú e adjacências que frequentam nove oficinas artísticas oferecidas pelo Projeto de Oficinas de Criação.

Projeto social comandado pela Cooperativa de Dinamizadores de Arte e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, a Casa da Rua do Amor fez da mostra um grito de resistência da cultura produzida na parte menos favorecida da mesma Zona Oeste carioca onde está situada a emergente Barra da Tijuca e sua imponente cidade do rock. O trabalho cotidiano da Casa consiste em oferecer oficinas de Artes Plásticas, Danças Brasileiras, Capoeira, Música e Teatro. O objetivo das oficinas é envolver jovens e adultos na produção artística e colaborar com o desenvolvimento de novas habilidades e percepções que ajudem a criar competências e fortalecer a auto-estima dos frequentadores, estimulando a adoção de ações afirmativas que os transformem em pessoas emergentes nas diferentes esferas da cidadania.

Expostos no pátio da Casa, máscaras, telas e quadros produzidos por alunos foram apreciados pelos visitantes, provocando comentários que enchiam de orgulho os pequenos criadores que predominam nas oficinas. Com apenas 6 anos, Allam Bertoleiro expôs vários trabalhos criados nas diferentes linguagens aplicadas pelos dinamizadores para ampliar as possibilidades de contato com as Artes Plásticas e desenvolvimento de aptidões dos participantes do projeto. Na foto o pequeno artista exercita a capoeira em frente a um grafismo de sua autoria.

Integralmente concebido por alunos com idades entre 07 e 15 anos, o espetáculo “O jacaré Jacó” mostrou o apuro do oficineiro Zé Luiz dos Reis Moura e seu grupo dedicado ao teatro de bonecos. Formado por moradores do entorno, o público reunia algumas pessoas que ali viveram o primeiro contanto com o teatro, especialmente, com o teatro de bonecos.

Comandados pela Profa. Sheila Reis, alunos integrantes do grupo Brincando de Roda ocuparam o pátio externo com o Maculelê e a roda de capoeira. No mesmo espaço, os integrantes da Cia. de Dança comandada pela Profa. Myrian Pereira de Souza apresentaram o resultado do trabalho de pesquisa sobre Carimbó e danças brasileiras vindas da Região do Parintins. No interior da casa, o Prof. Oswaldo Rosário e alunos de diferentes idades que integram a Acústica Viramexe de Violões executaram um pequeno concerto composto por 10 músicas que, somadas àquelas utilizadas nas apresentações de dança, puseram os ritmos brasileiros em evidência em dia dedicado ao rock.

Fechando a noite, a mostra exibiu um trecho do espetáculo “Subúrbios de nós mesmos”, construção coletiva dos alunos da oficina de teatro dirigida por Luiz Vaz. O espetáculo resgata aspectos históricos dos subúrbios do Rio, cidade que teima em olhar para mar e dar as costas ao imenso contingente populacional que habita as periferias marcadas por adversidades que exigem atos cotidianos de resistência.

Nesta semana dedicada ao encerramento do mega festival de rock, a comunicação compartilhada dá visibilidade aos trabalhos produzidos na Casa da Rua do Amor, espaço que esbarra em invisibilidade oposta ao destaque que a mídia dedica a Barra, ao Rock e a outros itens ligados às elites brasileiras e distanciados dos segmentos populares e, em grande número, suburbanos.

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