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Carta de uma mãe condenada à morte na câmara de gás

quarta-feira 3 de junho de 2020, por Carlos Russo Jr.,

"Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue."

Em 2015 os arquivos da Gestapo foram tornados públicos pela Fundação Max Weber e o pelo Instituto Histórico Alemão em Moscou.

Em março de 1936, Olga e Luís Carlos Prestes foram capturados pela polícia política de Vargas. Olga, de origem alemã, foi levada para a Casa de Detenção quando descobriu estar grávida. Vargas, que desejava agradar os nazistas, forçou a autorização do STF para a deportá-la para a Alemanha sob o governo de Hitler.

Pelo fato de ser judia e comunista, isto significava provável sentença de morte, o que de fato ocorreu após seis anos de prisão e trabalho forçado em três campos de concentração. Em 1942, junto com outras 199 presas políticas, Olga foi submetida à câmara de gás.

O extenso dossiê das SS Nazistas, denominado “Processo Benário”, é composto de mais de duas mil páginas, revisados pessoalmente pelo comandante SS, Henrich Himmler. Estes documentos revelam cartas trocadas na prisão entre Olga, Luis Carlos Prestes e seus familiares, a última delas de abril de 1941, uma tentativa de informar e se manter informada sobre a filha, Anita, nascida na prisão da Gestapo e entregue à avó brasileira após a amamentação.

Esta carta jamais chegou ao seu destino. Ficou prisioneira na documentação dos nazistas, tendo sido publicada somente 73 anos após escrita.

Carta de uma mãe condenada à morte pelos nazistas.

E é esta missiva que transcrevemos em nosso Espaço Literário Marcel Proust.