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Noel Rosa e a velha Lapa da boemia: o espírito de um tempo que foi de construção!

sexta-feira 19 de junho de 2020, por Carlos Russo Jr.,

Figura presente em quase toda noite lapiana, Noel se encontrou muitas vezes com Agildo Barata, San Tiago Dantas, Jorge Amado, Cândido Portinari, Villa-Lobos, Sergio Buarque de Holanda, Mário de Andrade, enfim, o Brasil intelectual, artístico, moderno!

Enquanto, no final de tarde de 11 de dezembro de 1910, Noel Rosa nascia em Vila Isabel, a Lapa com seus casarões antigos e cinzentos acordavam da sonolência diurna de pequenos comércios e de hotéis barato. Era chegado o momento de seus bares, restaurantes e cabarés iluminarem aquele bairro do Rio boêmio que fervilhava. E como fervilhava!!!

Em 1928, Noel funda seu primeiro grupo musical, “O Bando dos Tangarás”.

Em 1930 foi matriculado quase que à força pela mãe na Faculdade de Medicina, mas “prefiro ser um bom sambista a ser um mau médico”.

Nos sete anos que ainda viveria compôs e musicou mais de duas centenas de músicas, muitas delas magistrais, foi o nascer do samba moderno.

Figura presente em quase toda noite lapiana, Noel se encontrou muitas vezes com Agildo Barata, San Tiago Dantas, Jorge Amado, Cândido Portinari, Villa-Lobos, Sergio Buarque de Holanda, Mário de Andrade, enfim, o Brasil intelectual, artístico, moderno!

Chega o ano de 1937. A aliança de Getúlio Vargas com a hierarquia militar e com as oligarquias regionais criou as condições para um golpe político com a implantação da ditadura. Para os donos do poder interessava a expansão dos negócios com a abertura dos Cassinos de luxo que em breve seriam inaugurados; o jogo passa a organizado com muito show, vedetes e muito, muito dinheiro. Logo, o polo noturno que a Lapa representava teria de entrar em vertiginosa decadência para que o mundo dos cassinos-hotéis surgisse. E foi isto o que aconteceu.

No mesmo ano em que a velha Lapa foi assassinada pela ditadura Vargas, em 1937, falece em crise de hemoptise o poeta, compositor e sambista Noel Rosa.

E com a Lapa e Noel morriam também o espírito de uma época! O espírito da boemia carioca!

Convidamos a leitura de nosso ensaio.


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