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A paixão de Afrodite e Eros pós-modernos, na pós modernidade pandêmica

terça-feira 7 de julho de 2020, por Adroaldo Quintela (Adrô de Xangô) ,

1. O encontro no Instagram

Afrodite e Eros moram em João Pessoa. Conheceram-se pelo instagram. Afrodite começou a seguir Eros. Ele percebeu e tratou de segui-la, também. Depois de duas semanas de intensas curtidas pularam a cerca do Telegram.

Iniciaram o bate papo conversando assuntos genéricos e trocando impressões sobre a vida no confinamento. Afrodite deu um toque de sensualidade para apimentar os diálogos noturnos.

De imediato, Eros queria ficar no Olimpo dos papos cabeça e nas abstrações. Sendo um avô beirando os 69 receava diálogos mundanos com uma jovem de 24 anos, mais nova do que seu casal de filhos.

E, no entanto, Eros relaxou quando Afrodite, a deusa do amor e inspiração do termo #afrodisíaco, perguntou-lhe sobre fantasias afetivas, eróticas e sensuais.

Num átimo Eros percebeu que a própria Afrodite era uma fantasia, que ajudava a aquecer as noites vazias no cotidiano da quarentena.

Ele sentia tesão e ficava esperando a hora certa para abrir a caixa de diálogo do aplicativo renegado, desde o festival de denúncias do intercept sobre as mazelas da Lava Jato.

Daí, as fantasias de toda a ordem eclodiram formando um veio d’agua de alegria, contentamento e prazer mútuo. Falavam dos beijos e caricias amorosas sem resvalar para a intimidade. Digamos que se encontravam em fase de aquecimento para descortinar uma paixão improvável e avassaladora.

De fato, Afrodite é mais ousada e livre. Para ela independe namorar ou transar com um homem mais velho ou meninas. Talvez, inconscientemente, esteja buscando segurança e cuidados de um homem mais experiente, vívido, vivido e criativo. Não um homem qualquer. Mais um que tenha mãos hábeis e alma de artista.

Eros tinha enorme receio de se envolver completamente. Havia medo patológico de não dar prazer e satisfação a uma bela garota escultural, com um par de seios magistrais. A sua Afrodite é matéria prima preciosa para pintar retratos e nus no seu ateliê na Praia do Cabo.

Todavia, como as conversas sempre atiçavam o desejo e o tesão, Eros compreendeu que poderia ousar. Ousar e ousar cada vez mais em fantasias eróticas virtuais.

Afrodite é guia de turismo. Já propôs levar Eros para um passeio na Praia de Tambaba, paraíso digno de Adão e Eva do século XXI. Também, para verem e ouvirem Jurandir tocando o Bolero de Ravel no por do sol no Jacaré. A fantasia da moça sapeca é pagar um boquete em veleiro emprestado...

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