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O feijão em algum lugar da pedra que ronca (II)

sexta-feira 17 de julho de 2020, por Franklim Peixinho,

Todos os dias são as mesmas ações que nos violentam e os mesmos atores: polícia, mídia, políticos, poder judiciário...

Sei que meu discurso é repetitivo, e infelizmente reproduz questões postas lá atrás por pensadores brasileiros como o professor Abdias do Nascimento, Lelia Gonzalez, atualmente professor Silvio Almeida e uma galera que eu paro para escutar.

Porém, todos os dias são as mesmas ações que nos violentam e os mesmos atores: polícia, mídia, políticos, poder judiciário...

Estou condenado a voltar a estes temas todas as vezes que for necessário denunciar, protestar, constranger e incomodar todos aqueles que fazem do racismo um hábito normal.

George Floyd morreu asfixiado nos EUA mês passado, esta semana uma senhora preta na cidade de São Paulo teve o pescoço pisoteado por um policial militar, além de uma perna quebrada e outras escoriações, o que rendeu matérias jornalísticas, porém nada mais efetivo. Penso que nem a morte dela renderia algo da envergadura do que ocorreu nos Estados Unidos.

As pessoas daqui olham para lá, se mobilizam em campanhas nas redes sociais, ficam horrorizadas, como se aqui não ocorresse o mesmo e até pior todos os dias.

Se há posturas lenientes do estado e uma sociedade apática com 80 tiros em um homem preto que ia para um chá de bebê, tiros de fuzil em crianças e adolescentes em escolas e dentro de casa, por sua vez, há também uma clara mensagem para os agentes de segurança pública: ‘‘matem, torturem, humilhem pessoas pretas, porque aqui nos seguramos a onda’’.

E assim tem sido todos os dias, desde que a primeira embarcação vinda da costa africana atracou nas terras dos povos originários, trazendo pessoas sequestradas.
‘‘Policiar sim, malícia não...’’ já cantava Sine Calmon e a Banda Morrão Fumegante, em uma letra que pede uma justiça não tardia. Mas assim o é, e o ‘‘bando de dragões grandões’’, vai continuar roubando um preto que come em ‘‘Gilda’’, torturando meninos na favela, condenando preto por semelhança, matando impunemente... até o momento em que 56% dos pretas e pretos brasileiros compreenderem que politicamente podemos alterar os quadros de poder, com gente nossa, militante e não entorpecida pela branquitude, ocupando espaços.

Capa:Abdias do Nascimento, Lelia Gonzalez, Silvio Almeida

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