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Educação Pública Brasileira: ‘ler ou não ler, eis a questão’?

terça-feira 18 de agosto de 2020, por Paula Arcoverde Cavalcanti ,

Só acredita no discurso da ‘técnica e neutralidade’ quem não LÊ!

Este texto traz reflexões acerca de um dos jogos mais recentes da Política Educacional Brasileira: a taxação de livros! Todavia, elas, não acontecem tão-somente a partir disso, mesmo porque táticas diversas fazem parte, e sim, pelo fato de que: o “programa social para doação de livro”, pode ser a estratégia principal para derrotar a Educação Pública Brasileira.

Conhecer e entender as regras do jogo e do campeonato é fundamental para qualquer time!

Então, qual a base ideológica do governo? Se compreendermos isso, não ficaremos espantados pela taxação dos livros proposta pelo principal jogador do governo com o discurso de “focalizar a ajuda nos mais pobres”, por meio de “programas sociais para doação de livros” ao invés de “isentar as editoras e consumidores que podem pagar pelo livro”.

Existe algum “jogo coletivo” sem uma ‘bola’ ou ‘objeto’ que é disputado entre os times com a ‘missão’ em vencer? Não!

A quem interessa taxar os livros? Por que é importante? O que está por traz? Quem são os leitores? Qual a classe social que mais lê? Quais as principais regras desse jogo? Qual a importância da leitura?

Pois é! Como garantir o acesso aos livros e proporcionar a leitura em um país que 44% da população não lê e 43% leram apenas a Bíblia?

Basta pegar a última pesquisa “Retratos da Leitura do Brasil” publicada em 2016 para percebermos o discurso e as estratégias do outro time! Ela pode não ser suficiente, mas é necessária para compreendermos que o atual governo vê tanta importância no acesso ao livro e na leitura que quer reduzi-los a apenas determinados ‘jogadores’ ou ‘torcidas organizadas’. Ou ainda pior! Impor com um discurso ‘técnico e de neutralidade’ determinado tipo de ‘leitura e conteúdo’ a 38 milhões e 700 mil alunos da Educação Básica das instituições públicas por meio de “programas sociais para doação de livros”.

A tática em uma partida depende da importância do adversário e de como ele joga! Cada time atuará de acordo com sua visão, inclusive fazendo falta para proporcionar uma outra oportunidade de jogada!

Portanto, o que podemos esperar de um “programa social de doação de livros” de um governo, que tem como jogadores importantes o Ministro da Educação e a Ministra da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos?

Sim! Taxar livros representa uma estratégia ‘ideológica’!

Sim! Taxar livros representa, ainda mais, a possibilidade de os alunos das instituições públicas só terem acesso aos livros definidos pelo governo nos “programas sociais de doação de livros”!

Sim! Taxar livros é coerente com a base ideológica do atual governo!

Só defende o discurso da ‘técnica e neutralidade’ quem diz que LÊ!

Só acredita no discurso da ‘técnica e neutralidade’ quem não LÊ!

Sim! Cada time irá defender a importância da leitura a partir de sua ‘leitura’!

Então, ler ou não ler, eis a questão?

imagem: Beto

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Paula Arcoverde Cavalcanti