Página inicial > Ciranda Mundi > “120 dias de Sodoma”, sadismo, paranoia e fascismo!

“120 dias de Sodoma”, sadismo, paranoia e fascismo!

terça-feira 8 de setembro de 2020, por Carlos Russo Jr.,

“120 dias de Sodoma” foi escrita por Sade no espaço de trinta e sete dias em 1785, quando estava preso pela primeira vez na Bastilha

O Marques de Sade foi um homem condenado a viver mais de vinte e seis anos atrás das grades! Encarcerado, ele se revolta contra o mundo e ao mesmo tempo contra si mesmo! Negando o homem e sua moral, Sade o fará em nome do mais forte dos instintos, aquele que lhe resta estando encarcerado: o sexual!

“A República Universal” foi para Sade um sonho, nunca uma tentação. Nela tudo são máquinas e mecânicos, sua dinâmica ele as copia dos conventos, mas ao seu contrário: “tudo o que representar uma conduta pura será culpado.”

“Eu abomino a natureza, gostaria de parar os astros, destruir o que lhes serve salvar o que é nocivo, mas não consigo”.

“120 dias de Sodoma” foi escrita por Sade no espaço de trinta e sete dias em 1785, quando estava preso pela primeira vez na Bastilha. No final do século XIX, o manuscrito foi arrematado por um psiquiatra de Berlim, que o publicou em 1904, em versão própria. Em 1929, uma descendente do Marquês de Sade adquiriu o manuscrito e publicou-o numa edição limitada para evitar a censura.

Somente na segunda metade do século XX é que o texto se tornou disponível em edições em inglês e francês.

O livro de Sade inspirou “Saló ou os 120 dias de Sodoma” na fantástica versão cinematográfica de 1975, dirigida por Pasolini, adaptada para o outono europeu de 1944, na Itália fascista de Mussolini. O Simbolismo cinematográfico é extasiante: o que buscam os intolerantes e os fascistas em todas as sociedades? Submeter e transformar os homens em escravos e em seus próprios carrascos. A isto os conduz a ânsia de poder!

O sucesso das predições de Sade se explica em nosso tempo: a reivindicação da liberdade total para os poderosos, e a desumanização friamente executada pela inteligência, com a fria utilização da inteligência e comunicação artificial.
É quando a redução do homem transforma-se em objeto de experimento, o campo do saber questionador se fecha e os donos do poder do poder se encarregarão de organizar uma nova era da humanidade: a era dos escravos! Nisto, nosso país avança sob a liderança de um paranoico que se apoia em bispos- milicianos, em militares parasitas e numa plutocracia escravocrata!

“120 dias de Sodoma”, escrito ao final do século XVII, chega a nós, no século XXI, como profecia e grito de alerta!

Convidamos à leitura na íntegra deste instigante ensaio.


Ver online : Espaço Literário Marcel Proust