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A cara nem arde

sexta-feira 23 de outubro de 2020, por Franklim Peixinho,

A vida de uma mulher importa

Muitas coisas mudaram ou estão mudando, e muitas pedras do atraso insistem em viver pré-cambrianamente no pior sentido modificado e adaptado do termo, para aqui eu me referir aos estupradores higienizados. Eles, os estupradores, vêm a público justificar seus atos, como simples adultério, até por que pôr o pau da boca de uma pessoa bêbada ou inconsciente não significa transar, que dirás estupro.

Ainda que cinco, seis, dez... se utilizem de um corpo feminino embriagado como objeto inanimado, isso é motivo de piada para gente lembrar e rir como uma boa lembrança de um domingo de sol na praia.

Lembra da deputada que nem merecia ser estuprada? Esta honraria o cantor, o jogador e os demais marginais resolveram medalhar uma menina, que pediu e fez por merecer a premiação, já que estava bêbada em uma boate, pronta para o abate tal como a mãe, a irmã, a esposa do jogador e as demais de seus parceiros.

Na boa, qual a diferença entre o goleiro e o atacante?

Rio Branco ou Santos?

Não há diferença.

Quando a jornalista Jessica Senra afirma que não se pode colocar como ídolo do futebol um feminicida, embora todos tenham o direito de reconstruir suas vidas, significa simplesmente que a vida de uma mulher importa. Não se pode dar tesouradas numa mulher em depois andar de boa, voltar a ser um baita goleiro referência da criançada, ou continuar pousando super star do futebol.

O cara matou, escondeu o corpo, deu aos cachorros, estuprou e se recuperou, pagou sua dívida. Esta relativização ou suavização é um dos privilégios do patriarcado que nós homens gozamos com muito largar.

Podemos matar e estuprar, que seremos acolhidos em nossas ‘‘fraquezas’’, provocadas pela mulher, tal como na tal expulsão do paraíso, a caixa de Pandora e outros ‘‘baratinos’’, que justificam a entrega das filhas pelo próprio pai para o estupro coletivo em Sodoma, por exemplo.

Aliás, metem Deus nessa onda o tempo todo, e agora foi o filho do Satanás também, este por reproduzir no seu programa de esporte os diálogos de um estuprador, e aquele..., eu acho que nem o próprio onisciente sabe o porquê apelam para seu nome.

Uma hora Ele se reta e manda outro dilúvio.

Oh jogador, continue se comparando com a besta perseguida, é deplorável, mas faz mais sentido para sua história.

Eu fico com os párias de Emanuel, na Casagrande, do que com o discurso passa-pano do ‘‘bom moço’’ Caio Ribeiro.

Imagens: Robinho por Reto Stauffer e Bruno por Fernando Souza, CC BY-SA 3.0

Artigos assinados não expressam necessariamente a opinião da Ciranda e são da responsabilidade de seus autores(as).

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