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As globalizações e Milton Santos

domingo 1º de novembro de 2020, por Franklim Peixinho,

O geógrafo preto Milton Santos nos chama para reflexão crítica sobre a globalização e suas singularidades

A expansão da comunicação e da revolução tecnológica tornou o mundo mais próximo. A tal aldeia global é uma das conseqüências de que se pode ter do processo de globalização, encetada na década de 1980 e aprofundada das décadas finais do século XX.

Outros fenômenos convergem neste processo, tal como a simbólica queda do muro de Berlim com o fim da União Soviética - que já dava sinais de agonia com a Perestroika no governo de Mikhail Gorbachev - e o avanço das pautas neoliberais sobre a América Latina: o Consenso de Washington. É assim que a globalização se estabelece no sistema plural de informações filtradas por atores hegemônicos, que, por sua vez, permite um conhecimento de uma totalidade de mundo, embora haja filtros comunicativos que enviesam a qualidade da informação. Porém, este avanço técnico é também a garantia de outra possibilidade discursiva anti-hegemônica, que privilegia a noção de solidariedade ao consumo individualista do capitalismo.

O geógrafo preto Milton Santos ao escrever a obra ‘‘Por uma outra Globalização’’ nos chama para uma reflexão crítica sobre este fenômeno com suas singularidades, em cotejo com as desigualdades sociais aprofundadas pela lógica e valores neoliberais impostos nos países subdesenvolvidos e emergentes. Se esta é a sociedade da informação, impõe-se que esta seja mais que um veículo ideológico ou um conjunto de dados manipulados e interpretados por grupos tecnocratas, que reforçam a competição, o individualismo e a sensação de medo e insegurança nas relações de sociais.
Esta face perversa da globalização requer um mínimo de direitos sociais, o incentivo à flexibilização das leis trabalhista, o recuo da seguridade social, o que tenciona os conflitos gerados pelas assimetrias sócio-políticas da sociedade de consumo.

O professor Milton Santos oferece um conjunto conceitual para a construção epistemológica do Estado de Bem-Estar-Social e de outra racionalidade em que o indivíduo humano seja a razão finalística de uma globalização assim humanizada.

É um pensador preto referência e reverenciado no campo científico.

Por uma outra globalização antirracista, antimachista, antilgbtfóbica, contra todas as formas de opressão.

imagem: ciranda.net (Milton Santos, desenho Millôr Fernandes,

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