Página inicial > BRASIL > A Educação Pública Brasileira: ‘combinação de resultados’, uma ‘jogada de (...)

A Educação Pública Brasileira: ‘combinação de resultados’, uma ‘jogada de mestre’!

terça-feira 17 de novembro de 2020, por Paula Arcoverde Cavalcanti ,

A Lei nº 14.077/2020 abriu crédito suplementar de 6,1 bilhões de reais com o deslocamento de recursos entre os ministérios e retirou R$ 1,4 do Ministério da Educação (MEC)

Esta coluna traz reflexões acerca do último ‘jogo’ da Política Educacional Brasileira: o técnico geral sancionou, no dia 11 de novembro, a Lei nº 14.077/2020, que abre crédito suplementar de 6,1 bilhões de reais com o deslocamento de recursos entre os ministérios e retira R$ 1,4 bilhão do Ministério da Educação (MEC).

A proposta de realocação de recursos foi protocolada no Legislativo no dia 01 de outubro de 2020. De lá para cá, eles dissimularam as jogadas! Comprar ou não comprar a vacina? Não aceitaram resultados de campeonatos internacionais...

Falaram de “maricas”, de “pólvora” etc.

Os nossos adversários são descansam nem um só dia... Sim! Eles têm a arte de manobrar...

O fato de retirarem os recursos do MEC para alocá-los nas áreas de infraestrutura, agricultura, energia nuclear etc., indica claramente como o técnico, a comissão e seus times pensam sobre a Educação Pública. Ou seja, demonstra a ideologia que fundamenta o governo e seu projeto. Sim! Isso sinaliza como eles irão atuar para derrotá-la.

Infelizmente, o possível ataque que sinalizei na Coluna “Educação Pública Brasileira: uma nova ofensiva se aproxima...” se estendeu para além do ‘time Universidades Federais’. A retirada dos recursos também irá abranger a Educação Básica, Educação profissional e tecnológica (Institutos Federais por exemplo etc.).

Nesse ‘jogo da política’, o ‘time Educação Pública Brasileira’ não pode descansar! Ocorre uma partida após a outra, com ofensivas ora pelo discurso ora pela ação! Muitas vezes não dá nem tempo de contra-atacar para se defender do adversário.

O líder do governo no Congresso Nacional, senador do MDB-TO, para convencer os jogadores a votarem contra a Educação, prometeu que os recursos seriam devolvidos para o MEC: "Há um compromisso não só do governo, mas também da Mesa do Congresso Nacional para que nós façamos essa recomposição do recurso da educação".

É como se um time acertasse com o outro time quem vencerá cada partida do campeonato! É como se houvesse uma ‘combinação de resultados’! Isso não existe no mundo dos jogos! Isso não existe no mundo da política! Como em um campeonato, não se volta para o início, principalmente, quando envolve patrocinadores e recursos! Em cada partida há um vencedor! Em cada partida há um perdedor!

Mas será que era necessário a ‘combinação de resultados’? Ou isso foi apenas uma retórica? Uma ‘jogada de mestre’? Vale lembrar que para cumprir o ‘combinado’, o governo terá que modificar um outro projeto de Lei de crédito suplementar. Sim, isso pode até ocorrer, mas aí será uma outra partida, com outras táticas, com novos ataques...

De fato, a retirada dos recursos da Educação revela, inclusive, quem são os jogadores mais importantes dentro de um contexto e uma conjuntura! Aplicando o ‘linguajar erudito’ do técnico geral:

1) o jogador Ministro da Educação que perdeu os recursos “é maricas”?
2) os jogadores Ministros que receberam os recursos não “é maricas”?
3) o técnico geral tem mais “pólvora” do que os adversários?

Pois é! Quando temos um técnico que, no "púlpito de mediocridade”, afirma que somos uma “terra ‘de maricas” e que “quando acabar a saliva, tem que ter pólvora”, o que podemos esperar como ‘combinação de resultados’ na próxima partida contra Educação Pública Brasileira?

Os nossos adversários não irão recuar! Muito pelo contrário! Eles sabendo da ‘brecha da combinação de resultados’ poderão exercer mais pressão em outras partidas! E pior, saírem cada vez mais vitoriosos! O estrago já foi feito!

E agora ‘temos: o ‘delírio bélico’; o ‘negacionismo seletivo’; a ‘saga e tara pela qualidade’; o ‘mantra da eficiência empresarial’; a ‘meritocracia’; a ‘liberdade individual’; ‘a mediocridade’ sob o manto da ‘técnica e neutralidade ’e da ‘moralidade’ e dos ‘bons costumes’, da ‘religião’, da ‘goiabeira’! E é óbvio, que muitos ainda vão dizer que tudo isso não faz parte de um sistema de ideias! Ou seja, não é ideologia...

Não podemos esquecer que jogadas utilizadas podem não ser apenas para vencer a partida mais recente, mas sim, para vencer um próximo campeonato!

Ninguém vai entregar uma partida de graça para ninguém!

Sim! Eles têm arte de manobrar!

Sim! Eles têm projeto contra a Educação Pública Brasileira!

Sim! ‘Combinação de resultados’, uma ‘jogada de mestre’!

imagem: montagem ciranda.net (MEC,cartum)

Artigos assinados não expressam necessariamente a opinião da Ciranda e são da responsabilidade de seus autores(as).

Leia todas as colunas

Paula Arcoverde Cavalcanti