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Muniz Sodré: o Obá de Xangô

domingo 22 de novembro de 2020, por Franklim Peixinho,

Homem preto que tem pelejado por justiça, nas petições de Axé, em que defende seu povo. Kaô kabecilê!

O mundo dos Terreiros de Candomblé é um espaço político, jurídico e de resistência cultural face o genocídio cultural colonizador. As regras jurídicas próprias trazem a existência de um fenômeno jurídico que podemos chamar de Direito Encantado, em
que as relações são travadas entres indivíduos terrenos e os elementos da natureza.

O que significa a ‘‘Lei do Santo’’? Simplesmente uma regra jurídica em sua essência, como também afirma o pluralismo jurídico, isto é, a existência paralela ao Direito Positivo, do ‘‘Direito achado no Axé’’, o Direito de Xangô, cujo Obá é o professor Muniz Sodré, sociólogo, jornalista e tradutor.

Em suas posições tem-se a crítica a teoria da mestiçagem, cunhada para escamotear os problemas derivados da descriminação racial, colocando os problemas dos conflitos no campo da desigualdade social.

Vamos encontrar em Muniz Sodré, um intelectual preto que, charmosamente, traz para seu leitor, em suas obras de ficção, principalmente, as relações experimentadas no contexto religioso por aqueles personagens como em ‘‘Metafísica do galo’’.

O combate ao racismo religioso também se trava na produção cultural, literatura, música, pintura... Uma forma pedagógica e educativa para apresentar o Candomblé aos que podemos denominar os e as ‘‘desconstruidões’’ da ocasião, para que de fato se remodele, se contenha, e se tudo dê, mesmo com a leitura rica em Muniz Sodré, aí não temos o que fazer: fogo nos racistas!

Mas ainda eu creio que teremos que jogar fora nossos líquidos inflamáveis, os antirracistas serão maioria.

Chamo a atenção de que o racismo às religiões de matriz africana, cuja desinformação e próprio racismo das pessoas, patrocinam linchamentos morais, expulsão dos sacerdotes e reatamento das relações com vizinhos não tão queridos.

Inspirado em Muniz Sodré, preparo aulas e conteúdos numa perspectiva decolonizadora, divorciado das sobras da História Branca, em que Hermenêutica, se converte na Teoria da Interpretação de Exú/Aluvaiá.

Este homem preto tem pelejado por justiça, nas petições de Axé, em que defende seu povo.

Kaô kabecilê!

Salve professor Muniz Sodré!

Imagem: montagem Ciranda.net (Muniz Sodre - UFBA)

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