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A política da educação: os Jogos e os patrocinadores!

segunda-feira 2 de agosto de 2021, por Paula Arcoverde Cavalcanti ,

O Ministro Pastor da Educação afirma que compromisso dele é com as instituições privadas

Após três meses sem escrever e com tantos acontecimentos, fica até difícil escolher um assunto relacionado as políticas públicas da educação brasileira! Ao mesmo tempo, durante uma Olimpíada, mesmo sem torcida, mas com patrocinadores, o ‘jogo jogado’ nos campos e quadras é propício para a Análise de Políticas (Policy Analysis) utilizando o que chamo de “dialética dos jogos coletivos”!

Além de estarmos no ‘pandemônio da pandemia’ e com aproximadamente 16% da população com o esquema completo da vacinação (dose única/2ª dose), agora temos os “Sommeliers de vacinas”! Quem em sã consciência política, social e econômica da situação do Brasil, se acha no direito de escolher uma vacina? E pior, com justificativas infundadas e, possivelmente, obtidas a partir de ‘fake News’, ‘tik tokeres’ e ‘digital influencers’! Pois é... Os instrumentos e as táticas para fazer política são vários!

Para refletir um pouco... Uns dos fundamentos do liberalismo é a distinção entre o público e o privado; a legalidade e a virtude; a liberdade externa e a interna; a negativa e a positiva… Estas são praticamente variações em torno do tema: política e moral. E, portanto, são âmbitos separados e distintos! Estas afirmativas são revestidas de vários significados e dimensões! No entanto, resume a ideia de que: a moral de cada um é irrelevante no âmbito público! Ou seja, nada pode obrigar o indivíduo a atuar moralmente, muito menos, a pensar coletivamente!

Mas, vamos ao Jogos da política da educação! O Estado em ação... O técnico... Os jogadores... As partidas... As conquistas... As derrotas... As torcidas organizadas... Os patrocinadores...

Recentemente, além do ‘Ministro Pastor’ da Educação apoiar o veto contra o acesso à Internet dos estudantes da Educação Básica e indicar a criação da “TV Olavo de Carvalho” como substituta da TV Escola, afirmou no Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, que o compromisso dele é com as instituições privadas e que as regulamentações e credenciamentos devem ser facilitados.

Nesse evento, a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), ‘jogadora empreendedora’ que pouco aparece no mundo das ‘redes sociais’, mas que nos bastidores, é fundamental dentro do jogo da política, afirmou que a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), “é um conjunto de conteúdos que não fazem sentido para um Congresso que está discutindo empreendedorismo”.

O CNE, órgão colegiado, cujo conselheiros são indicados pelo presidente, integra a estrutura do MEC e é tão importante quanto outros times, pois trata:

1) das normatizações e assessoramento ao Ministro da Educação;

2) das funções e atribuições do poder público federal em matéria de educação. Ou seja, atua na elaboração da política da educação (formulação, implementação e avaliação).

Mesmo sem ‘ação concreta visualizada’ nas redes sociais, assim como está sendo a vitória (medalha de prata na Olimpíada 2020 – Tokio) da “fadinha” no skate street, as declarações dos jogadores (‘técnicos-político-ideológicos’) – ‘Ministro Pastor’ e ‘Conselheira Empreendedora’– confirmam o projeto do governo. A partir disso é possível entender o aparelhamento do Ministério da Educação (MEC) e suas autarquias para garantir: as mudanças do ENEM (tribunal ideológico), do Programa do Livro Didático (PNLD), do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), dentre outras políticas.

A educação pública não é importante! O conhecimento das artes, filosofia, história, sociologia, biologia, não têm importância... E sim, o indivíduo como empreendedor... A sociedade, uma empresa... A convivência social, um empreendimento... A vida, um investimento... E, nada mais ideológico do que isso!

Valorizar apenas um tipo de atributo, ou ainda, estabelecer as características e conhecimentos melhores e os ditos desnecessários e, quiçá, inferiores, parte da ideia de que todos devem ser ‘super jogadores’. Isso dificilmente aconteceria em qualquer time coletivo, ou em um mundo real, por motivos tão óbvios que não vale a pena descrevê-los. Assim como em um time é necessário ter jogadores com vários atributos; no mundo real, a sociedade é composta por indivíduos, com realidades sociais e econômicas, características, vontades, expectativas... Se todos os jogadores apresentarem as mesmas características e competências, inevitavelmente um time não ganharia...

Nem todos querem ser uma figura jurídica que trabalha por conta própria e que se legaliza como empresário: Microempreendedor Individual (MEI), Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI); Empresa Individual (EI); Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) etc. Nem todos querem ser empreendedores...

Mesmo estando ligados na “CPI da Covid”, não podemos esquecer que acordos com os patrocinadores, também conhecidos como ‘apoiadores’, são selados nos bastidores e na concentração! É, as empresas apenas apoiam... Não possuem interesse... Não querem algum tipo de ‘recebidos’!

A Olimpíada 2020 foi adiada em um ano, no entanto, com tempo suficiente para que a próxima ocorra! O jogo da política não pode ser adiado! No próximo ano tem eleição! E os patrocinadores? Já estão ‘apoiando’ desde então!

Assim como os patrocinadores dos Jogos Olímpicos têm força dentro do Comitê Olímpico Internacional (COI) (organização não-governamental) para realizar os jogos de qualquer maneira, sem plateia e durante uma pandemia; na política, os ‘apoiadores’ também possuem um peso! Por mais que digam o contrário, vão cobrar o investimento! Mas, como todos sabem, são ‘cidadãos de bem, empresários e empreendedores eficientes... Incorruptíveis... Superiores...

Mas afinal, quem são os patrocinadores da política pública da educação? Quem são os ‘apoiadores’ do time contra a educação pública?

É, ainda estamos na Pandemia, ‘virando jacaré’ aos poucos com: ‘centrão sem centro’; ‘guru’ sem ideologia; ‘delírio bélico’; ‘negacionismo seletivo’; ‘saga e tara pela qualidade’; ‘mantra da eficiência empresarial’; ‘meritocracia’; a ‘pseudoliberdade individual’; ‘a mediocridade’ sob o manto da ‘técnica e neutralidade ’e da ‘moralidade’ e dos ‘bons costumes’; a ‘goiabeira’; a ‘flor de lis’; o Dr. Jairinho; o DJ Ivis! Sem ‘biberões fálicos’ nem o ‘kit gay’, mas com a defesa do Homeschooling (ensino domiciliar) e ‘escola sem partido’ com ‘fundamentalismo religioso’. Com os ‘tik tokeres’ e ‘digital influencers’ ‘pseudocelebridades’; da ‘ciência e dos especialistas de redes sociais’; dos “solemmeliers de vacina”! Com os Jogos Olímpicos dos patrocinadores!

Ahh... os patrocinadores! Ahh... os patrocinadores...

imagem: montagem ciranda.net

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Paula Arcoverde Cavalcanti