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O homem em sua diversidade cultural: Meyerson e a Psicologia Histórica

quinta-feira 5 de agosto de 2021, por Carlos Russo Jr.,

.Na segunda metade do XX, a Psicologia acrescentou ao seu objeto, uma nova dimensão: a História.

Na segunda metade do XX, a Psicologia acrescentou ao seu objeto, uma nova dimensão: a História. História cuja sonda vai fundo: toca os acontecimentos, as instituições e as civilizações.
Quem desenvolveu pela primeira vez o conceito de Psicologia Histórica foi Ignace Meyerson, polonês de origem judaica que imigrou para a França em 1905. Concluiu medicina em Paris, com residência em hospitais psiquiátricos.
Em 1920 foi o primeiro secretário da Sociedade Francesa de Psicologia recém-formada.
O “Jornal de Psicologia Normal e Psicopatologia”, fundado por Janet e Dumas, passa tê-lo como organizador, e, em 1938, seu Presidente.
Com o advento da Segunda Guerra e a invasão de Paris, Meyerson deixou a Sorbonne, e logo foi proibido de lecionar por ser judeu.
Aos 54 anos se incorporou ao Exército de Libertação da França, e somente em1944, no dia da libertação, o Tenente-Coronel Monfort despiu seu uniforme, rasgou sua identidade falsa e negou-se a receber qualquer condecoração ou pensão!
Voltara a ser Meyerson o professor e estudioso.
O conceito central da Psicologia Histórica é que o homem deve ser estudado nos pontos em que colocou mais de si mesmo: naquilo que fabricou, no que construiu, nas instituições que ergueu, em suas contínuas criações, período a período da história, século após século, terminando por edificar este mundo humano em que vivemos e que constitui o nosso verdadeiro ambiente natural.
Logo, não existe realidade espiritual fora dos atos, das operações do homem sobre a natureza e sobre os outros homens. E nada é definitivo: na história do espírito, cada um de nós é responsável pelo esforço desenvolvido, por sua continuação e por sua renovação.
É essa história complexa e fascinante do espírito humano que a psicologia comparativa nos mostra.
Meyerson foi nomeado Diretor de Pesquisas da “Escola de Autos Estudos Sociais”. Militante político ativo, aos participou, como um jovem, do Movimento de 1968, tanto na Universidade quanto ao lado dos estudantes nas barricadas!
Faleceu em 1993, aos 95 anos de idade, em plena lucidez, momentos após proferir seu último seminário. “Passamos a vida fabricando e desfazendo a nós mesmos”.

Carlos Russo Jr

Convidamos à leitura de nosso ensaio em: https://www.proust.com.br/post/a-psicologia-hist%C3%B3rica-e-meyerson


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