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Dizer aos que estão em Davos que o futuro pertence a nós

segunda-feira 28 de janeiro de 2002, por Njoki Njehu,

Nós estamos aqui devido a uma realidade global, uma realidade que foi feita pelo homem e à qual estamos sobrevivendo, diante da qual estamos resistindo e com a qual freqüentemente temos que lutar. As experiências e conhecimentos de todos deste forum deverão ser críticas, se quisermos ter sucesso. Estamos aqui juntos em solidariedade porque entendemos que Norte e Sul, Leste e Oeste, os pobres, os sem-terra, os homens e mulheres, com instrução e sem instrução, a classe média, a classe alta, a classe trabalhadora, os ricos, os sobreviventes, as nossas lutas, enfim, estão todos conectados a todas as lutas do planeta. O título do nosso painel é "Os limites e as possibilidades da cidadania planetária" e às vezes penso na idéia de mudarmos a forma de nosso planeta, iniciando um diálogo significativo.

As nossas demandas da economia são profundas e bastante pontuais: exigimos justiça, paz, igualdade, sustentabilidade e proteção ambiental. Exigimos uma globalização que coloque as pessoas em primeiro lugar, e não os lucros. É preciso responder às necessidades das pessoas, e não atender às margens de lucro. Não estamos falando sobre a globalização com face humana, como eles dizem em Davos, nas Nações Unidas ou no Banco Mundial. Estamos falando sobre a globalização com um gostinho sorridente, uma globalização que responda às necessidades de todos os indivíduos, de todas as formas de vida no planeta.

O tipo de globalização que queremos não é uma em que o lucro seja mais importante que o bem-estar e os direitos das pessoas e do meio-ambiente. O nosso destino como indivíduos é o futuro do planeta. Temos que nos ajudar ou pereceremos juntos, gradualmente, mas com certeza. É preciso dizer que uma nova forma de vida é possível, mas além disso, temos que compartilhar as nossas experiências para que possamos dar um passo em direção a este mundo melhor. Pensar em conjunto, visualizar esse novo mundo em conjunto.

Estamos aqui para dizer que a cidadania planetária exige que trabalhemos em prol dos direitos humanos, em prol de cada um daqueles da nossa família de seres humanos, e temos que fazê-lo garantindo justiça e dignidade para todos. Estamos aqui para dizer que Porto Alegre é o início e a continuação da cidadania planetária. Estamos nos comprometendo, comprometendo nossos talentos, nossas aptidões, os nossos sonhos, o nosso passado e o nosso futuro diante da causa da justiça.

Para os que estão reunidos em Davos, e que dirigem nossa economia, queremos dizer que o futuro pertence a nós. Não vamos permitir exploração, seja via G7, seja FMI, seja OMC, bancos regionais de desenvolvimento, os militares, a CIA, ou corporações multinacionais. Não vamos permitir a exploração em nome do lucro, em nome da guerra contra o narcotráfico, como acontece na Colômbia, nem a opressão em nome de outras guerras.

Não vamos permitir a guerra e o genocídio em nome da paz, como aconteceu no Iraque e no bloqueio a Cuba . Não vamos permitir o imperialismo, o colonialismo, o racismo, sectarismo e todos os outros "ismos" que nos dividem assim como diminuem cada um de nós e todos nós. A cidadania planetária exige que reconheçamos que a repressão é global, sistemática, e portanto a nossa resistência, a nossa solidariedade, deve ser global e estratégica. Viemos para Porto Alegre confrontar esse monstro que assalta nossas vidas. E viemos a Porto Alegre também para determinar como iremos, juntos, vencer esse monstro.

Reprodução editada da gravação da palestra proferida, sem revisão final da expositora.