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Ditadura das Finanças: "nossa ação tem que ser internacional"

sexta-feira 21 de abril de 2006, por Giliate Coelho Neto,

Um dos grandes desafios dos movimentos populares no Brasil hoje é a transformação do modelo enconômico vigente no país. Fincado em sólidas raízes e defendido por interesses poderosos, o paradigma neoliberal conseguiu passar quase que inerte pela sucessão presidencial brasileira, mesmo com a insatisfação da maioria da população e com o bombardeio dos movimentos sociais a este modelo.

É com este mote que aconteceu hoje pela tarde o grupo de debates: "Alternativa à ditadura financeira: justiça tributária, orçamento participativo, auditoria da dívida externa e controle do fluxo de capital: o papel da sociedade na proposição de uma nova política econômica".

Um dos primeiros problemas levantados por vários participantes foi a pouca apropriação dos movimentos populares sobre o tema. "Um dos nossos desafios é entender como as finanças públicas podem gerar distribuição de renda", afirmou Ana Cláudia Teixeira, do Istituto Pólis.


Democratização das finanças passa por ação internacional

A integração internacional do sistema financeiro acaba por exigir uma ação que vá além das fronteiras dos países. Esta é a o opinião do filandês Matii Kohonem, doutorando em sociologia e convidado da organização do debate. Segundo Martii, a lavagem internacional de dinheiro por parte das empresa multinacionais está cada vez mais complexa. "Uma empresa compra, por exemplo, uma caneta por 200 dólares de uma afiliada sua localizada em algum paraíso fiscal".
Uma das propostas do filandês é a exigência de uma contabilidade internacional destas empresas, como forma de coibir o que chamou de "lavanderia de dinheiro".

Em curso, uma 3a onda neoliberal

Depois do impacto das políticas neoliberais nos governos de Collor e FHC que, entre outras ações, privatizaram mais de 70 estatais, uma nova ofensiva estaria em curso, desta vez para reduzir gastos públicos e retirar direitos dos trabalhadores. Segundo o deputado federal Sérgio Miranda (PDT-MG), o Banco Central tem como preocupação primária a solvência da dívida pública e transmissão de credibilidade aos credores. "E para isso, já apresentaram uma nova proposta de ajuste fiscal, que inclue uma nova reforma da previdência, a desvinculação de verbas da União (DRU), a diminuição progressiva dos gastos públicos nos próximos 10 anos e a reforma trabalhista", afirmou Miranda.
Segundo o deputado, os documentos sobre o assunto já podem ser encontrados no site do IPEA (www.ipea.gov.br).