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Fórum discute racismo e intolerância religiosa

domingo 1º de fevereiro de 2009, por ,

A diversidade afro-brasileira esteve em pauta do Fórum Social Mundial na palestra “Religiões de Matriz Africana, contra a (in)tolerância e defesa da cultura negra”, proposta pela Associação dos Filhos e Amigos de Ilê Axé, em parceria com o Grupo de Estudos Afro-amazônicos da UFPA (Geam). A atividade contou com a participação de professores convidados e sacerdotes do Candomblé.

Segundo um dos palestrantes, professor Renato Soares, militante do Movimento Negro, o racismo é muito sutil e só se cristaliza nas disputas de poder. “Negro não é grupo minoritário. É minoria apenas nos espaços de tomada de decisão”, diz. Ele falou ainda sobre a discriminação que atinge todas as pessoas e persiste principalmente no campo religioso no que diz respeito às religiões de matriz africana, estigmatizadas secularmente.

De acordo com o professor, as religiões afros são um meio de preservação da cultura negra, de resistência desde os primeiros anos do Brasil, “o Candomblé foi diabolizado pelo europeu que o estigmatizou como feitiçaria. Feitiço é uma palavra europeia que não existe no Candomblé”, afirma o palestrante. “Religiões de Matriz Africana, contra a (In) tolerância e defesa da cultura negra” veio discutir e desmistificar concepções erradas em relação à cultura afra, extremamente rica e acolhedora. “No Candomblé, o mal e o bem não existem, são relativos. Não é uma religião dogmática, cada um tem sua própria verdade”, enfatiza Renato Soares.

O professor revela que muito do imaginário comum que se tem a respeito do Candomblé deve-se’`à cultura ocidental que não admite o diferente. “Durante muito tempo, o povo negro foi aniquilado, sentenciado à morte. Inclusive os padrões de beleza europeus, construídos aqui, contribuíram para a rejeição do povo negro”, conta Renato. Nesse sentido, o militante explica que o conflito, muitas vezes, é necessário para que se estabeleça harmonia e o primeiro passo para a resolução das questões externas é a aceitação interna. “Se você não tiver consciência de quem é, será seu maior inimigo”, ratifica.

Renato Soares finalizou propondo o respeito entre as religiões e a tolerância entre os diferentes pensamentos. “Segundo o conceito, intolerância é a vontade de assegurar aquilo que sou pela negação do outro como humano”, fala. Ele explica que quando não toleramos, consequentemente discriminamos e reduzimos a condição humana do outro. “O respeito e a tolerância só podem existir a partir de uma relação de alteridade”, conclui.