Página inicial > FSM WSF > FSM 2010 WSF > O FSM ruma para uma nova universalidade

Caminho para Dakar:

O FSM ruma para uma nova universalidade

quarta-feira 21 de julho de 2010, por Giuseppe Caruso, Giuseppe Caruso

Todas as versões desta matéria: [English] [Português]

O próximo evento global do processo FSM terá lugar em Dakar, de 6 a 11 de Fevereiro de 2011. É a edição seguinte ao evento realizado em Belém, em Janeiro de 2009, e vai aprofundar e ampliar o desenvolvimento de uma nova cultura global transformadora de políticas voltgadas a catalisar a construção de um mundo melhor.

Pela primeira vez o FSM será deliberadamente desvinculado do Fórum Econômico Mundial e realizado em data diferente. Depois de 10 anos desde seu nascimento, o FSM se afasta do seu engajamento simbólico inicial com o FEM e agora busca sua mais ambiciosa meta de catalisar a transformação social com a visão de uma nova universalidade que se opõe ao modernismo ocidental e sua expressão dominante no momento, o neoliberalismo.

Na constante busca que os ativistas do FSM fazem de novas formas e linguagens emancipatórias, uma nova e sofisticada visão está sendo sugerida pelos facilitadores do Fórum de Dacar, construida sobre valores cosmopolitandos e lutas emancipatórias para liberação dos pobres, dominados, explorados e deserdados da terra por séculos de opressão.

Se a modernidade ocidental foi construida sobre o colonialismo, escravidão, capitalismo, imperialismo e sobre o esperançoso mas potenciamente escravizante pensamento de filósofos iluminados e cientístas sociais positivistas, os movimentos sociais e os atores da sociedade civil que se reúnem no FSM estão se apropriando de um olhar cosmopolitando da vida no planeta e o transformando em uma nova universalidade emancipatória.

A nova universalidade discutida pelos facilitadores senegaleses do próximo FSM, no último encontro do Conselho Internacional realizado na Cidade do México, entre 5 e 7 de Maio, contribuirá para redefinir as fundações de uma nova cultura política e uma nova mentalidade ativista, centrada no reconhecimento político da diferença privilegiando os valores da hospitalidade, convivência e solidariedade contra o individualismo descomprometido e as dinâmicas de competição e maximização utilitária que estão no centro do capitalismo. A urgência dessa visão emancipatória é inegável e totalmente expressa pela natureza destrutiva das atuais crises econômica, financeira, social e ambiental.

A nova universalidade não será centrada na integração do Sul ao Norte, mas na reformulação radical dos valores que organizam a sociedade, a vida e as relações entre os povos. As inspirações culturais dessa visão vêm de todas as regiões do mundo e do valor das experiências diaspóricas através dele. Migrantes e mulheres são cruciais em contribuir para desenhar essa nova universalidade por estarem entre os/as mais afetados/as pelas práticas alienadoras e atomizadas do capitalismo.

Os membros da delegação senegalesa apreentaram a visão do Fórum, os eixos estratégicos, a estrutura geral do programa, o local, as possibilidades de acomodação, a mobilização e processo organizativo que passa a desenvolver-se nos próximos meses.

A edição 2011 do FSM será focada na imagem simbolica do Sul. Um Sul percebido não simplesmente como uma descrição geográfica, mas como como posição na relação dominante em que o termo é rebaixado através da exploração material, é politicamente oprimido, culturalmente marginalizado e psicológicamente vitimizado.

O Fórum de Dacar será articulado em três eixos estratégicos. O primeiro focalizará as análises críticas das atuais crises do neoliberalismo, já que se manifestam não apenas na África mas em todo planeta.

O segundo vai destacar as lutas contra os efeitos das crises, e em primeiro lugar contra os atores engajados em perpetuar comportamentos causadores das crises e contra qualquer forma de opressão.

Também será assegurada uma oportunidade de dar especial destaque para as realidades africanas de lutas e transformações, com o desejo de aprender ainda a partir das histórias de opressão, rebelião e transformação das diásporas africanas, as lutas contra a escravidão e os movimentos por direitos civis, e para celebrar a independencia do continente africano que para muitos países completa agora 50 anos.

O terceiro eixo do encontro e do engajamento vai mexer com a imaginação, as propostas e os avanços para transformação da sociedade mundial.

Entre as questões transversais aos temas e eixos estarão a atual corrida aos recursos africanos, o papel da disputa feroz por esses recursos por novos competidores como a China, a reconfiguração geopolítica da ordem global, o papel dos países vis-a-vis com a guerra ao terror americana, as guerras que afetam o povo de alguns países como a República Democrática do Congo e a Somália, os possíveis caminhos para construir e consolidar a solidariedade entre os povos no espírito de Bandung, só para mencionar alguns poucos.

Haverá também um acento importante na cultura africana, não entendida como entretenimento, mas em seus mais genuínos aspectos políticos. Neste sentido, o fórum senegalês vai se construir sobre as experiências passadas de Mumbai, Nairobi, Porto Alegre e Belem. A cultura será compartilhada, desfrutada e realizada como parte da nova linguagem da luta e da transformação.

Para das um sentido mais alto e claro da visão do WSF, os organizadores senegaleses enfatizam a importância de exaltar a singularidade e especificidade do seu processo, confirmada pelo contexto cultural e político único, mas eles também são inflexíveis contra a tentative de assumir um papel hegemônico dentro do processo global do FSM.

O novo mundo à nossa frente vai contar com a nova cultura política que é consciente e tomar cuidado com as implicações negativas, a longo prazo, dos processos conduzidos por alguma (mesmo profundamente confiável, leal e livremente escolhida) liderança mundial.

O processo rumo a um novo mundo, uma nova civilisação, um novo paradigma ativista ganhou um novo ímpeto de um continente objeto da exploração e opressão horrendas que se prepara agora para mostrar que aqueles que foram os perdedores por cinco séculos podem agora mostrar o verdadeiro sentido da hospitalidade, recobrar confiança, inspirar dignidade, inflamar a transformação.

Este parece ser o cerne da visão, centrada na aguda sensibilidade para a opressão, que os membros da delegação senegalesa comunicaram aos seus pares do Conselho Internacional do FSM, e que estão preparados para comunicar aos ativistas globais na difusão do processo que levará ao evento de fevereiro em Dacar.


Traduzido por Ciranda. Ler íntegra do Original em inglês.


Ver online : Network Institute for Global Democratization