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Outra cidade é possível, necessária e urgente! O que fazer?

domingo 24 de outubro de 2010, por Terezinha Vicente ,

Sampa, Paulicéia Desvairada, Locomotiva do Brasil, Terra da Garoa...
Tantos nomes para a megalópole! Tantos problemas crescentes e diversos!

A Represa Billings, que abastece 1,2 milhão de pessoas na grande São Paulo recebe 400 toneladas de entulho por dia! Qualidade do ar e secas batem recordes sucessivos!
Shoppings adquirem equipamentos antiterror para conter assaltos e querem delegacia especializada! Os “crimes de maio” (2006) estão até hoje sem esclarecimento!
Só no Distrito do Grajaú, mais de 5.000 crianças precisam vaga numa creche. No Campo Limpo, mais 12 mil. Na lista municipal de espera oficial são mais de 125 mil crianças!!
Incidente no metrô leva passageiros à via, paralisa a linha toda por mais de 2 horas! São quase 4 milhões de passageiros por dia, só no Metrô! A frota de veículos caminha para 10 milhões!
“Cracolândias” surgem e vão mudando de lugar! Crescem os índices de pessoas com sofrimento mental! 70% dos jovens estão desempregados!
O déficit habitacional cresce vertiginosamente e pode chegar a 1,5 milhão!
A história e memória da cidade, e de seus habitantes, são destruídas!

Com os municípios vizinhos, a cidade de São Paulo constitui hoje um aglomerado urbano que se aproxima dos 20 milhões de pessoas. É a sexta cidade mais populosa do mundo!
Mas uma pequena parte da população vive numa cidade de primeiro mundo. São efervescentes a política, as artes, os movimentos sociais. O multiculturalismo e a diversidade presentes em São Paulo são muito significativos para o Brasil e para o mundo.
Então, por que a metrópole paulistana é tão conservadora, controlada e controladora? Por que não conseguimos nos articular e construir outra cidade, mais igualitária, saudável, pacífica, solidária?

O Fórum Social de São Paulo é uma edição temática do Fórum Social Mundial e será uma construção coletiva, com foco na metrópole, a partir da cidade de São Paulo. Como vem acontecendo, desde 2001, em Porto Alegre, o FSM mostrou ser possível construir processos de articulação de organizações e pessoas que lutam para transformar o mundo. Muitos movimentos tem se fortalecido ao unir o trabalho de lugares diferentes, tornando suas causas mais visíveis e potencializando ações, muitas redes continentais e globais se constituiram por meio do FSM. A intenção é que possamos criar em São Paulo espaços de fortalecimento de nossas lutas, para gerar transformações urbanas, viabilizando o primeiro encontro do FS de SP, previsto para maio do ano que vem.

Que São Paulo é possível, necessária e urgente?

Já imaginaram, por exemplo, se as pessoas que lutam hoje por creche na zona norte puderem trocar experiências com a zona sul, leste, oeste e organizar-se numa grande rede metropolitana para conquistar esse direito, fundamental para as crianças e para a autonomia das mulheres? Ou se os paulistanos sem moradia se unem aos defensores da memória da cidade para preservar, ocupar, plantar? E se todos os grupos de cultura popular, todos os artistas independentes juntarem sua música, seu teatro, sua dança, sua poesia? E se construirmos uma solidariedade mútua entre todos? É possível transformar a cidade de São Paulo, é urgente e necessário nos unirmos para fazê-lo. Se a nossa diversidade é grande, temos muitos valores em comum. O Fórum Social de São Paulo será o que os ativistas desta urbe quiserem que seja, em consonância com a carta de princípios do FSM, claro! É hora das campanhas e organizações incluírem o Fórum em suas agendas e construírem processos de articulação permanente. Desde o logotipo do FSSP, tudo está em discussão.

Como diz Chico Whitaker, membro do Secretariado internacional do Fórum Social Mundial e um dos lançadores da idéia do FSSP, “ um dos objetivos do processo Fórum, ao criar espaços abertos de encontro, é permitir que as organizações da sociedade civil que lutam para ‘mudar o mundo’ se reconheçam mutuamente, por cima das barreiras e divisões que as separam na sua ação cotidiana, para intercambiar análises e experiências, aprender umas com as outras e descobrir convergências, a partir das quais lancem iniciativas conjuntas de ação política, articulando-se como sociedade civil”. O Fórum Social não é uma ong nem uma instituição e não tem por objetivo englobar os que dele participam numa única estrutura. A fidelidade à proposta horizontal e autogestionária do Fórum é por si um desafio a ser assumido não só como discurso, mas na prática, uma vez que somos formados em meio a dinâmicas políticas e sociais hierárquicas e competitivas.

São as propostas dos participantes que fazem o Fórum, e numa cidade como SP os encontros e processos podem ser mais ricos, como explica Whitaker. “Nos nacionais, regionais ou mundiais as pessoas precisam fazer grandes deslocamentos para participar, e os encontros devem durar um número limitado de dias. Ora, isso não ocorre num Fórum local, porque as pessoas vivem na cidade em que ele vai ter lugar. Este espaço pode ser continuo no tempo, pela multiplicação de encontros, antes, durante e depois do Fórum, que será apenas um momento de encontro mais intenso”.

Qual

a cara do FSSP?

Imagine que São Paulo queremos. Ou a que não queremos. Tenha uma idéia criativa e imagine um símbolo para o Fórum Social de São Paulo. Todos podem contribuir na definição da “cara” deste Fórum, participando do “concurso” de propostas visuais em ilustração, para a elaboração da sua logomarca. Na plenária de lançamento, os presentes já começam votando nas propostas apresentadas.

Organizado segundo a Carta de Princípios do FSM, o FSSP será fundado nos princípios da horizontalidade, pluralidade, auto-gestão e valorização de ações que visem o atendimento das necessidades humanas, na perspectiva de superação do atual paradigma econômico e social. Sua especificidade é ter como enfoque as questões vivenciadas nas grandes metrópoles: a poluição, a verticalização, a relação entre a diversidade e a padronização, a habitação, a segurança, os transportes, as questões ambientais e a apropriação privada de bens comuns, etc. São estes os princípios e elementos essenciais aos quais o conceito visual deve se remeter.

As imagens que passarem pela pré-seleção serão impressas e expostas no Lançamento. Os participantes do evento expressarão sua preferência e, a partir do que for apontado pelo coletivo, será elaborada a identidade do FSSP, bem como seus materiais impressos e digitais. Assim como toda construção do FSSP, esta seleção pressupõe a disposição dos participantes em contribuir voluntariamente, cedendo, inclusive, os direitos autorais da obra.

Plenária de lançamento do Fórum Social de São Paulo

Terça-feira, 9 de novembro, 18h30

Local: FAU Maranhão

Endereço: Rua Maranhão, 88 - Consolação

Informações:

Escritório do FSSP

fssp2011@gmail.com

Tel: 11 3151-2333

www.forumsocialsp.org.br

Twitter : @_FSSP

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