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Da alfabetização à fundação de uma biblioteca

quinta-feira 23 de março de 2006, por Aline de Andrade,

O acesso à cultura letrada, em comunidades carentes, ainda é uma conquista a ser desbravada por alfabetizadores e alfabetizandos. A inserção desta se dá através de um desenvolvimento mútuo e consciente entre as partes envolvidas. Que acaba por gerir a cidadania, ou seja, um direito de todo o cidadão, seja ele da idade que for.
Esta iniciativa possibilita que a comunidade exerça de fato, a conquista da cidadania.

Desenvolvimento

Esta iniciativa surgiu diante de uma dificuldade, observada pela alfabetizadora da Comunidade Rubens Vaz há um ano. No início do ano de 2006, com o intuito de socializar e difundir a leitura surgiu à idéia de doar livros somente para os alfabetizandos. Mas, esta primeira idéia, somente iria atingir aqueles, que de certa forma, já estão a par das práticas de alfabetização.

Diante deste quadro, acompanhando a dificuldade desta Comunidade, veio então, a idéia de se fundar uma Biblioteca Comunitária, que pudesse dar assistência a todos os moradores, amigos e vizinhos desta comunidade.
Então todos os alfabetizandos, junto à alfabetizadora foram encontrar o lugar, onde seria implantada a Biblioteca Comunitária.

Decidiu-se então com o Presidente da Associação de Moradores, que esta seria implantada na própria associação, em uma sala que não estava sendo usada.
Mas, esta sala, precisava de muitos ajustes, até se tornar uma Biblioteca e ainda não tínhamos nenhum livro.

Diante de todos estes impasses, a alfabetizadora decidiu que para conseguir os livros, o melhor meio de arrecadação de recursos, seria a divulgação feita através da internet e da própria divulgação dos alfabetizandos.
Através destas divulgações, começaram a surgir doações de todos os estados brasileiros, mas ainda não podíamos recolher todas as doações.

Somente um alfabetizando possuía transporte, mas mesmo assim não dava conta do recolhermos das doações, que em uma semana já somava mais de 200 exemplares.
Então a próxima etapa, era de se contatar os Correios para o recolhimento das doações. Conseguimos então, o recolhimento no estado do Rio de Janeiro.

O próximo passo era reformar a sala. Os alfabetizandos faziam a campanha para arrecadação de livros e outros que trabalhavam na construção civil ficaram responsáveis pela reforma geral da sala. Cada um doava o que podia, um doava o trabalho, outro doava os pregos, outro doava livros.
E assim, com o trabalho em conjunto íamos organizando nossa Biblioteca Comunitária.

Para supervisionar os visitantes, duas alfabetizandas voluntárias, fazem revezamento de turno e recebem a doação de uma cesta básica mensal.

Conclusão

Hoje, dois meses depois, já inauguramos nossa Biblioteca Comunitária, com mais de 800 exemplares no acervo. Mas, ainda precisamos de prateleiras e ventiladores e, ainda estamos recebendo doações de vários locais e os que não podem doar, nos apóiam moralmente.

O mais importante é observar a sede por cultura e o interesse destes alfabetizandos, que mesmo em idade avançada, se importam com a conquista de melhores condições de ensino.

Este trabalho que desenvolvemos em conjunto possibilita estreitar as relações com os alfabetizandos e a Comunidade, possibilita adquirir, de fato, a cidadania e levar àqueles que não possuem acesso à cultura, uma oportunidade de modificar suas vidas.